Últimos resultados apresentados pelo Instituto Aço Brasil colocam em dúvida a capacidade de recuperação no médio prazo.

O Instituto Aço Brasil, convocou a última coletiva de imprensa antes da realização do seu já tradicional Congresso Aço Brasil, evento para o qual a revista Siderurgia Brasil está dando a mais completa cobertura e que promete reunir em Brasília, no início de agosto, as mais altas autoridades brasileiras além de empresários e executivos envolvidos com a siderurgia de todo o mundo.

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Segundo Marco Polo de Mello Lopes, presidente executivo do IABr, a não retomada do desenvolvimento econômico no Brasil – muito esperada por dez entre dez empresários -  é o principal entrave para o baixo índice de atividade em praticamente todas as áreas produtivas no Brasil, incluindo a siderurgia.

O IABr – Instituto Aço Brasil em nome das usinas siderúrgicas,participa da chamada Coalizão Indústria em que estão reunidas as maiores e principais entidades representativas de várias atividades empresariais dentre as quais: automobilística, química, construção civil, máquinas, têxtil e várias outras. O grupo de empresas que forma a Coalizão Indústria é responsável por 45% do PIB (R$ 546 bilhões), por 65% da exportação dos manufaturados (R$ 167 bilhões), pela geração de 30 milhões de empregos diretos e indiretos e pelo pagamento de cerca de R$ 250 bilhões de impostos anuais.

Foi medida a capacidade de funcionamento deste grupo de empresas e apurou-se que elas estão operando em média com 67% da capacidade, portanto há uma ociosidade de mais de 30%. Historicamente o ideal é que esta ocupação esteja em torno de 80%.

Na siderurgia mundial, há um excedente de capacidade de 395 milhões de toneladas. Este número já é melhor e foi resultado de um esforço mundial para regular a atividade, pois no ano de 2017, este excedente chegou a 545 milhões de toneladas. Há ainda o complicador da guerra de mercado em todo o mundo.

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Trazendo para o campo doméstico o IABr divulgou que no período de janeiro a junho de 2018, a produção brasileira do aço foi de 17,2 Mt, (-1,4%), em relação ao mesmo período de 2018, enquanto as vendas internas tiveram um aumento de 1,3% atingindo 9,2 milhões de toneladas de aço nesse período. O consumo aparente atingiu 10,4 Mt (+0,2%). Já as exportações somaram 6,7 Mt (-2,4%) e as importações ficaram praticamente estáveis, totalizando 1,3 Mt (-0,6%).

Há ainda um problema de emocionalidade na liberação das minas envolvendo o fornecimento de matéria prima para as usinas. A Vale é a principal fornecedora mundial de minério de ferro e diante dos últimos acontecimentos amplamente divulgados que envolveram a empresa, há instalações embargadas e fechadas e os processos de liberação sem data definida para acontecer. Com isso a questão de abastecimento é uma das mais preocupantes para o setor da siderurgia neste momento.

Diante deste quadro as expectativas para o segundo semestre, após sofrerem revisão por parte do Instituto Aço Brasil, apontam para o crescimento do mercado interno nos tímidos 2,5%, chegando a 19, 5 milhões de toneladas. Já a produção deve manter-se estável com crescimento abaixo de 0,5%. As exportações devem recuar em mais de 7% pois o mercado internacional tem acumulado entraves ao aço brasileiro, além da perda de competitividade das empresas nacionais no mercado exterior.

Ainda, segundo Marco Polo, sobre este assunto, os membros da Coalizão Indústria estiveram reunidos nos últimos dias com membros do governo e apresentaram alguns pleitos para estudo imediato visando a retomada dos negócios, como a adoção do Reintegra, o alongamento de prazos para pagamento de impostos, a flexibilização de crédito e a retomada imediata das 4.700 obras civis paralisadas, que imediatamente gerarão milhares de empregos diretos e indiretos.

Estes temas certamente serão amplamente discutidos no próximo Congresso Aço Brasil no mês de agosto em Brasília.

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