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Com base na sua experiência o Sicetel elaborou um documento para colocar em discussão algumas propostas visando a revitalização da indústria de transformação.
O Sicetel divulgou, na última semana de setembro, a edição do seu Anuário Estatístico, versão 2017, que contém uma análise do mercado produtor e consumidor de aços planos e longos e seus derivados, produzidos pelas indústrias representadas pela entidade no decorrer de 2016.
Este documento certamente se constitui em importante fonte de consulta para a nossa cadeia produtiva e contribui significativamente nas análises e tomadas de decisão das empresas que operam neste segmento industrial.
Em 2016, e durante todo o primeiro semestre de 2017, o Brasil permaneceu navegando em uma das suas piores crises econômicas, agravada pela quase irreal instabilidade política, que beira o colapso moral do estado.
As instituições legais estão preservadas, mas as incertezas sobre o futuro da direção que o Brasil tomará, especialmente a partir do próximo ano (de eleições) faz com que a classe empresarial se contamine com esse cenário, estancando possíveis investimentos.
Bem certo é que a produção industrial do setor representado pelo Sicetel, no primeiro semestre deste ano, experimentou uma leve, tímida, mas constante curva ascendente. É claro que esses números estão sendo comparados com o ano de 2016, cujo resultado ficou registrado no fundo do poço, mas o fato é que eles pararam de cair. Cremos que, no curto prazo, uma decolagem mais efetiva estará nas exportações e nos investimentos em infraestrutura.
As indústrias do nosso segmento industrial, com o volume dos negócios no estado em que se apresenta, permanecem operando com um nível de ociosidade jamais experimentado, mantendo-se ainda de pé em razão da extrema redução das suas margens e dos fortes ajustes estruturais realizados nestes dois últimos anos.
O Sicetel permanece discutindo, em todos os fóruns em que atua, as suas teses e propostas para a melhoria da competitividade da cadeia produtiva metalmecânica, e espera que o Governo Federal faça a parte que lhe cabe, mantendo linhas de crédito em volume e a custo competitivo para financiar os investimentos da indústria em modernização, na inovação, no financiamento das exportações e nos projetos de infraestrutura, além de manter uma taxa de câmbio competitiva e uma política industrial e de comércio exterior que garanta a proteção efetiva e equilibrada ao longo das cadeias produtivas incentivando a agregação de valor à produção e à exportação da indústria de transformação brasileira.
O Sicetel que possui cerca de 80 empresas associadas que representam cerca de 300 produtores constitui-se no primeiro elo da cadeia metalomecânica, a jusante da Indústria siderúrgica e a montante da indústria automobilística, e processou 52% do aço consumido por esta cadeia em 2016.
O volume de aço processado pelas empresas do Sicetel caiu 6% de 2015 para 2016, entretanto a queda de vendas foi menor que a das vendas das siderúrgicas nacionais e sua participação subiu para 16,2% em 2016.
O setor sofre com a perda de competitividade das siderúrgicas brasileiras e com a importação de produtos que contem aço. Embora a importação de aço tenha caído em 2016, o setor não se beneficiou dessa queda, porque o consumo aparente caiu ainda mais. A própria siderurgia mundial com um excedente de capacidade de produção de quase 800 milhões de toneladas, vive a maior crise de sua história.
No segmento de longos, a participação das empresas do Sicetel atingiu 32,5% em 2016, mas caiu 8% em relação ao ano anterior, mas vinha numa trajetória crescente nos últimos cinco anos. No segmento de planos, a participação em 2016 foi de 4,4% e a participação foi estável.
O setor trabalha com um nível de ociosidade de 30%, o que tem dificultado a recuperação do preço do aço e comprometido a rentabilidade do produto.
A China é o maior produtor mundial de aço, sendo responsável por 50% da produção, tem um elevado excedente de capacidade, enormes subsídios, moeda desvalorizada e forte participação do estado no controle das empresas.
Diversos países, entre eles os Estados Unidos, União Europeia e Japão, estão tomando medidas de defesa dos seus produtores contra a concorrência desleal do aço chinês, como a imposição de taxa antidumping por parte de players importantes.
A possibilidade de a China vir a ser considerada economia de mercado poderá tornar ainda mais dramática a competição no mercado do aço, dificultando a imposição de mecanismos de defesa contra o aço chinês.
Os Estados Unidos e a União Europeia já sinalizaram que não estão dispostos a conceder à China a condição de economia de mercado, o Brasil ainda não se manifestou sobre o assunto, mas como os chineses são nossos maiores parceiros comerciais, devemos nos preparar para forte pressão do governo chinês para que o Brasil os reconheça como economia de mercado.
Também a provável ação unilateral dos Estados Unidos para frear as importações de aço brasileiro por razões de segurança nacional poderá nos atingir já que eles são o segundo maior mercado de aço brasileiro.
O setor siderúrgico brasileiro, em 2016, trabalhou com uma taxa de ocupação próxima 60% da capacidade instalada, mesmo exportando 44% da sua produção o que torna a exportação ser considerada a solução no curto prazo, mas certamente não o será no médio e longo prazos.
A prioridade da siderurgia brasileira é o mercado interno e a recuperação da produção de aço depende da melhoria do desempenho dos setores consumidores de aço, principalmente da indústria automobilística, de máquinas e equipamentos e da construção civil. Precisamos evoluir no conceito de cadeia produtiva e desenvolver arranjos empresariais que incentivem as exportações de produtos com aço contido.
E, nesse sentido, devemos olhar para os países asiáticos, principalmente a Coréia do Sul, que tem o maior consumo per capita de aço no mundo, sendo que, aproximadamente, 50% desse consumo vem das exportações de produtos que contém aço e buscam sempre a produção e exportação de produtos de maior valor agregado.
A perspectiva de aprovação das reformas trabalhista e previdenciária, aliado ao sucesso na queda da inflação, está permitindo a redução da taxa de juros e, a partir desse contexto, projeta-se uma lenta recuperação da economia. Tais fatores não são condições suficientes para impulsionar o crescimento, mesmo porque a taxa Selic tem sido reduzida numa velocidade menor do que a queda da inflação, o que aumenta a taxa de juros real. O elevado custo financeiro e a taxa de câmbio apreciada foram os principais responsáveis pela baixa competitividade da indústria nos últimos anos.
O Sicetel entende que a indústria de transformação brasileira tem condições de concorrer tanto no mercado interno quanto no mercado externo, desde que tenha condições isonômicas com os concorrentes e para isto considera importante que as entidades empresariais contribuam com sugestões visando criar direcionadores para uma política econômica que acelere a recuperação da atividade econômica.
Entre outras medidas, o Sicetel entende que uma nova agenda econômica deveria visar:
» Reduzir forte e aceleradamente a taxa de juros;
» Garantir uma taxa de câmbio competitiva e estável, próxima da taxa de equilíbrio industrial;
» Acelerar as concessões em infraestrutura para turbinar os investimentos e reduzir os custos logísticos;
» Utilizar as exigências de “conteúdo local” para fomentar as inovações e o desenvolvimento de tecnologia nacional;
» Garantir fontes de financiamento, em volume e condições competitivas, para investimentos em infraestrutura, inovação e tecnologia;
» Definir uma nova política de comércio exterior que aumente a inserção do País nas grandes cadeias produtivas mundiais;
» Implantar uma política industrial que dê sustentação a esse desafio e que tenha uma visão de cadeia produtiva;
» Aumentar imediatamente o “Reintegra” para, no mínimo, 5%;
» Elaborar estudo para que o “Reintegra” tenha percentuais crescentes, de acordo com a agregação de valor ao produto, ao longo das cadeias produtivas;
» Reavaliar a estrutura do imposto de importação, com definição de percentuais que reflitam a agregação de valor dentro das cadeias produtivas;
» Promover uma reforma tributária mínima, que elimine todos os impostos cumulativos, reduza o custo de administração de impostos, elimine a guerra fiscal e compatibilize a base tributária do ICMS e do PIS/COFINS.