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UM ANO PARA ESQUECER, E OUTRO PARA “ESPERANÇAR”
Porta-vozes de alguns dos principais setores da indústria e da economia relatam que 2017 pode ser melhor do que 2016. Um grande alívio, porém, teremos que pagar para ver.
 
Marcus Frediani
 
Dois mil e dezesseis partiu sem deixar saudades. Não seria necessário nem recorrer a relatórios de bancos e instituições financeiras para entender as razões de tanta indiferença aos resultados que a passagem dos últimos 12 meses suscita no tecido econômico da Terra Brasilis. Mas, vamos analisar alguns desses indicadores assim mesmo.
O Brasil viveu, em grande parte de 2016, num cenário de paralisia na economia. Entre todos os acontecimentos degradantes registrados ao longo do ano – só para citar alguns – houve diminuição dos níveis de consumo e investimento, queda do PIB em 3,5%, enquanto o desemprego alcançou a marca recorde de quase 13 milhões de pessoas, segundo os dados PNAD-IBGE. E é exatamente esse último fator – a elevada taxa de desemprego, que fechou o ano passado em 12%, portanto, com aumento de três preocupantes pontos percentuais em relação ao final de 2015 –, que é considerado o mais grave, na opinião de muitos especialistas. E, o que é pior, “sem sinais de que o ciclo de ajuste do mercado de trabalho tenha chegado ao fim”, avalia um relatório de análise macroeconômica emitido pelo Banco Safra no último dia 3 de fevereiro. Para tristeza de quem lê, o documento vai além: “Nesse sentido, reafirmamos nossa expectativa de que o desemprego seguirá em ascensão até meados deste ano, aproximando-se de 14%, esboçando uma tendência de redução apenas a partir do último trimestre de 2017”, escrevem os economistas responsáveis pelo documento.
Após a divulgação de mais um resultado negativo do PIB, diversos analistas reduziram suas expectativas para o desempenho da economia brasileira em 2017. Os dados recentes têm apontado para continuidade da contração da atividade no quarto trimestre, ao mesmo tempo em que a melhora dos índices de confiança tem perdido fôlego recentemente. “Diante disso, e lembrando que o mercado de trabalho reage de forma defasada à economia, esperamos menor geração de postos de trabalho formal no próximo ano em relação ao que prevíamos anteriormente. Além disso, acreditamos que a taxa de desemprego seguirá em alta até o primeiro semestre de 2017 e permanecerá em patamar elevado ao longo dos últimos seis meses do ano”, destaca, por sua vez, Ariana Stephanie Zerbinatti, do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco (Depec – Bradesco).
Se, de um lado, os dados de mercado de trabalho permaneceram bastante enfraquecidos no final do ano passado, o desempenho da produção industrial em novembro e dezembro trouxe um certo alívio frente ao verificado nos meses anteriores. A indústria cresceu 0,4% em novembro e 2,3% em dezembro (sempre na comparação dessazonalizada), voltando para os níveis de julho de 2016. “Porém, a despeito dessas altas, a produção encerrou o ano com forte retração de 6,6% e seu nível ainda está 19% abaixo do pico alcançado em junho de 2013”, denuncia o relatório do Safra.
 
Sinais positivos na conjuntura
Olhando especialmente para o desempenho da indústria em novembro e dezembro, denota-se que boa parte do avanço observado no período esteve baseado na fabricação de veículos (que aumentou 6,9% e 10,8% na margem, respectivamente). No entanto, esse aumento na produção não vem sendo acompanhado por crescimento no comércio de veículos. Segundo os dados da Fenabrave, em janeiro as vendas de automóveis e comerciais leves recuaram 3,2%, considerando os dados mensais dessazonalizados por nós, e seguem em tendência de ligeira retração. As vendas de caminhões também estão bastante fragilizadas, com queda de 12,4% na margem em janeiro, em clara tendência declinante, configurando uma sinalização negativa para o comportamento dos investimentos. “Ou seja, possivelmente o crescimento da indústria de veículos em novembro e dezembro esteve relacionado a fatores pontuais, como aumento das exportações, retorno das operações de montadoras que estavam paralisadas nos meses anteriores e recomposição de estoques”, analisa o Banco Safra, acrescentando que é necessário aguardar os próximos dados para verificar a consolidação.
A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) também registrou um instantâneo dessa dinâmica, com cores bastante vívidas: o licenciamento de autoveículos no ano passado foi de 2,05 milhões de unidades, o que representou uma queda de 20,2% frente as 2,57 milhões de unidades vendidas em 2015. Enquanto isso, a produção em 2016 foi de 2,16 milhões de unidades – inferior em 11,2% ao se defrontar com as 2,43 milhões de unidades do ano anterior. Já nas exportações o cenário foi de alta: 520,3 mil unidades foram negociadas com outros países, alta de 24,7% sobre as 417,3 mil unidades de 2015.
Para Antonio Megale, presidente da entidade, vários fatores contribuíram para esse desempenho: “O primeiro é a confiança em baixa, em razão da instabilidade política vivida pelo País, que fez investidores e consumidores adiarem suas decisões. O segundo é o acesso ao crédito, resultado da conjuntura socioeconômica, que tornou as instituições financeiras muito seletivas na hora da concessão. A consequência disso foi que a participação de vendas financiadas no total do licenciamento nos patamares mais baixos da série histórica”, pontua.
Em termos de perspectivas para 2017, a Anfavea está otimista, com estimativas de aumento de 4% no licenciamento de autoveículos. Segundo Megale, a expectativa é de comercializar 2,13 milhões de unidades. No caso das exportações, novo aumento é esperado: 7,2%, totalizando 558 mil unidades enviadas para outros países. “A previsão de produção é de 2,41 milhões de unidades, 11,9% acima do registrado em 2016”.
Na visão do executivo, existem diversas razões para acreditar em crescimento: “A conjuntura macroeconômica indica fatos positivos, como aumento do PIB, inflação convergindo para o centro da meta, reduções contínuas da taxa básica de juros e estabilização do dólar. Além disso, a PEC do teto dos gastos já está aprovada, algumas medidas econômicas foram anunciadas, vivenciamos estabilização do ritmo de vendas e teremos uma base baixa de comparação. Ao juntar todos esses fatores, acreditamos em uma reação sequencial, que passa pela retomada da confiança tanto do consumidor quanto do investidor, reaquecimento do consumo e abertura gradual da concessão de crédito”, conclui o presidente da Anfavea, integrando-se à torcida de todos que apostam na retomada da economia brasileira.
 
Acirramento da concorrência desleal
Otimismo à parte, evidentemente pelos mesmos percalços citados por Antonio Megale, os resultados do setor de autopeças descreveram curva descendente em 2016. Segundo informa o Relatório da Pesquisa Conjuntural, emitido no dia 18 de janeiro pelo Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças), o faturamento nominal, ainda projetado, despencou de R$ 66 bilhões, em 2015, para R$ 63 bilhões, em 2016 (-4,5%), de acordo com um levantamento realizado com a participação de 64 empresas associadas à entidade, que representam 32,2% do faturamento total da indústria de autopeças no Brasil.
Os negócios com montadoras recuaram 2%. Já o Relatório da Balança Comercial de Autopeças, liberado na mesma data pela entidade, dá conta de uma pequena melhora no setor: a balança comercial brasileira de autopeças chegou ao final do ano passado com déficit monetário de US$ 4,97 bilhões, inferior ao registrado em 2015, de US$ 5,6 bilhões (-11,2%). Os embarques, para 183 mercados, somaram US$ 6,53 bilhões, 13,6% menos que o total exportado no ano anterior. As importações, de 163 diferentes países, totalizaram US$ 11,5 bilhões, com queda de 12,6% em relação a 2015.
Por sua vez, a Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip) fecha 2016 com queda de 1,1% no total de produção de pneus em relação a 2015. O número faz parte do balanço setorial divulgado trimestralmente, revelando uma queda consecutiva de produção. De 2014 para 2015, a conta também fechou no vermelho, com queda de 1,2%. No último trimestre do ano, o volume de vendas foi de 17,5 milhões de unidades, -2,3% em relação ao mesmo período de 2015. “Isso significa que o investimento feito pela indústria desde 2007, visando à evolução da indústria automobilística não foi recuperado”, destaca o presidente executivo Klaus Curt Müller. No último trimestre de 2010, foram vendidas quase 19 milhões de unidades de pneus. Seis anos depois, a indústria registra a venda de cerca de 17,5 milhões de pneus. O destaque negativo ficou com as vendas de pneus para duas rodas que puxaram o índice para baixo. Foram vendidos 3.175.286 pneus de moto em 2016 no último trimestre contra 3.513.541 em 2015, uma diferença negativa de 9,6%.
Em relação às exportações, o resultado das vendas de pneus para o mercado externo fechou o quarto trimestre deste ano com queda de 23,8%, em relação ao mesmo período de 2015. Três foram as categorias que puxaram o índice para baixo: duas rodas (-29,8%), carros de passeio (-37,2%) e ônibus e caminhões (-25,2%). O país exportou 2,6 milhões de unidades no período, 822 mil unidades a menos no mercado internacional.
Na produção de pneus, grande parte dos insumos utilizados é importada porque a oferta local não atende às necessidades da indústria. Dessa forma, o custo de produção é afetado diretamente pelo câmbio. A valorização do Real ajuda na aquisição dessas matérias, no especifico neste momento de alta dos preços internacionais de mais de 90%, mas ao mesmo tempo, facilita a entrada de pneus importados, principalmente oriundos dos países asiáticos. Nesse cenário, a indústria foi surpreendida com o aumento da alíquota do imposto de importação da borracha natural de 4% para 14%, prejudicando fortemente a competitividade do produto nacional em relação ao importado. Toda a produção local da borracha é consumida internamente e mesmo assim não atende à demanda da indústria, tornando a importação obrigatória, e assim causando efeito inflacionário na economia e onerando consumidores e empresas sem favorecer a produção nacional da borracha natural. “O setor espera que essa medida seja revista com urgência na próxima reunião da Camex”, afirma Curt.
Tudo isso junto faz com que a indústria brasileira de pneus adote uma posição conservadora quando prevê o balanço deste ano de 2017. “Num cenário bem realista, entendemos que o setor fechará 2017 sem crescimento, resultado muito ruim quando consideramos os investimentos realizados pelo setor nos últimos anos. Numa visão otimista, não devemos passar de um dígito de crescimento, se ocorrer”, destaca o presidente. A indústria de pneumáticas aposta em alguns fatores para minimizar os efeitos de 2016 neste ano, como a expectativa de aumento de 4% nas vendas de veículos novos, associada à projeção de crescimento de 3% no PIB do campo e a probabilidade de aumento de 5% nas vendas de máquina da linha amarela (como são conhecidas as máquinas para construção que incluem escavadeiras, retroescavadeiras e pás carregadeiras). Outro fator que pode contribuir para estabilidade é o mercado de reposição, que não deverá crescer tendo em vista a manutenção do endividamento das famílias, devido ao cenário econômico e o desemprego. “Este cenário faz com que a família invista na manutenção do carro e não na troca por um novo automóvel”, explica Curt.
 
Retomada da economia
“Apesar da previsão de PIB negativo, os volumes de produção e entrega de veículos ferroviários em 2016 deverão ser satisfatórios e ficarão dentro das previsões feitas pelos fabricantes.” A antecipação é feita por Vicente Abate, diretor do Sindicato Interestadual da Indústria de Materiais e Equipamentos Ferroviários e Rodoviários (Simefre), que também informa que o faturamento total do setor em 2016 ficará no mesmo patamar de 2015, que atingiu R$ 6,2 bilhões. Ainda segundo o executivo, foram entregues mais de 4 mil vagões, mais de 100 locomotivas e perto de 490 carros de passageiros.
No ano passado, a indústria ferroviária encontrou forte respaldo nas exportações. Foram 138 carros de passageiros para a África do Sul e Argentina e seis locomotivas para a Namíbia, já incluídos nos volumes totais acima mencionados. Materiais como rodas, grampos de fixação e truques também tiveram exportações significativas, impactadas pelo câmbio favorável do primeiro semestre do ano. “Em 2016 houve apenas uma concorrência no Brasil, trens para a Linha 13 da CPTM, do Aeroporto de Guarulhos”, explica o presidente do Simefre, José Antonio Fernandes Martins. “E a provável retomada de encomendas deverá apresentar reflexos positivos sensíveis a partir do segundo semestre de 2017. Houve uma adequação do contingente de mão de obra, como resposta à redução das encomendas, levando em conta as características do longo ciclo industrial típico do setor”, complementa.
Enquanto isso, pelo mais recente cômputo do Simefre, a indústria de implementos rodoviários registrou de janeiro a outubro de 2016, queda no volume de produtos emplacados de 31,17%. O desaquecimento geral da economia é o principal fator da queda no mercado, explica o vice-presidente do Sindicato Interestadual da Indústria de Materiais e Equipamentos Ferroviários e Rodoviários (Simefre), Alcides Braga. “Houve queda tanto na linha leve quanto na pesada. No segmento pesado foram emplacadas 20.090 unidades contra 25.038 no mesmo período de 2015, o que representa retração de 19,76%. No setor leve foram comercializados 32.113 produtos ante 50.801 unidades de janeiro a outubro de 2015, o que significa queda de 36,79%”, destaca.
As exportações, por sua vez têm apresentado resultado positivo. De janeiro a outubro as exportações de implementos rodoviários apresentaram crescimento de 20,67%. No período foram enviados ao exterior 3.205 reboques e semirreboques ante 2.656 unidades de janeiro a outubro de 2015. Vale ressaltar que este ano foi o primeiro em que a Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários (Anfir) desenvolveu ações no mercado externo em parceria com a Apex-Brasil. No período as duas entidades coordenaram viagens de negócios da indústria produtora de implementos rodoviários a Colômbia, Peru e Chile e uma vinda de empresários latino-americanos a São Paulo.
Braga antecipa que os dados de 2016 deverão confirmar a redução de veículos emplacados da ordem de 30% aproximadamente. O volume de produção na linha pesada, segundo estimativas da Anfir, deverá ser de 22 mil unidades e 34 mil na linha leve. O faturamento deverá ser menor que os R$ 6,1 bilhões em vendas registrado em 2015. Para 2017, caso não sejam mudadas as regras de financiamento para implementos rodoviários e a economia não reagir, ele acredita que o quadro setorial deverá ser, novamente, de retração. “A retomada da economia em geral sempre pode representar alento nas vendas da indústria porque os demais segmentos são clientes naturais do setor, seja para o transporte de matérias-primas às fábricas, seja para a distribuição de produtos acabados ao comércio atacadista e varejista”, finaliza o vice-presidente do Simefre.
 
Ações saindo do papel
Problemas também no cômputo dos resultados da indústria de máquinas e equipamentos. Após três recuos consecutivos (-5% em 2013; -11,6% em 2014; e -14,4% em 2015), a receita líquida total (vendas internas mais exportações) do setor registrou nova queda em 2016, de 24,3%, o pior desempenho para um ano na série histórica iniciada em 1999. "Com isso, o faturamento nominal do setor encerrou 2016 em R$ 65,61 bilhões, bem abaixo dos R$ 81,45 bilhões registrados em 2015, e dos R$ 66,8 bilhões faturados em 2003, até então a pior marca da história", lamenta o presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), João Carlos Marchesan.
Enquanto isso, as exportações de máquinas e equipamentos caíram de US$ 8,03 bilhões, em 2015, para US$ 7,79 bilhões, em 2016. No mesmo período, as importações do setor despencaram de US$ 18,82 bilhões, para US$ 15,43 bilhões. Tudo isso junto fez com que a balança comercial de máquinas e equipamentos registrasse, em 2016, uma queda de 7,63 pontos percentuais. A queda recorde deixa evidente que a melhora da confiança não foi suficiente para impulsionar investimentos e reflete a capacidade ociosa elevada e o alto nível de endividamento das empresas, cenário agravado pelos juros altos.
Tudo isso leva Marchesan a traçar uma perspectiva sombria e de longo prazo para a recuperação. “Esta é, provavelmente, da maior crise da história do setor de máquinas e equipamentos, que, mesmo diante de uma retomada da economia, deve ser um dos últimos a voltar a crescer por causa do elevado nível de capacidade ociosa da indústria em geral, o que tende a adiar novos investimentos, mesmo diante da ligeira expansão da atividade econômica prevista para 2017 e 2018”, destaca o presidente do Conselho de Administração da Abimaq.
Porém, segundo ele, há alguns sinais que alimentam essa esperança, como os fatos de o governo estar despertando para a não limitação do ajuste fiscal, mas também para o atendimento do setor privado, de existir indícios de que as concessões públicas deverão sair do papel, de que os juros devem continuar caindo – pois a inflação está sob controle – e, ainda, de que a demanda por bens de capital deve voltar, o que vai estimular a dinâmica do setor de máquinas e equipamentos, após queda no consumo aparente de máquinas por três anos consecutivos. “Por isso tudo, tenho a esperança, do verbo 'esperançar', de que viveremos dias melhores. Esperançar é juntar-se com outros para fazer de outro modo, como fazemos na Abimaq e vamos continuar fazendo incansavelmente, até restaurarmos o nosso crescimento e tornar o nosso setor cada vez mais competitivo e melhor”, conclui Marchesan.
 
Índices positivos na construção
No plano conjuntural, o fraco desempenho da economia foi determinante para que os principais setores consumidores de aço: construção civil, automotivo e de máquinas e equipamentos registrassem quedas sucessivas em seus resultados, com a construção civil chegando em 2016 ao seu terceiro ano seguido de queda na participação no PIB.
O Centro Brasileiro da Construção em Aço (CBCA) ainda não consolidou os dados sobre o mercado da construção industrializada em aço de 2016, mas em setembro do ano passado apresentou as já tradicionais pesquisas anuais com dados sobre o ano de 2015. E (surpresa boa!) os dados do estudo intitulado Cenário dos Fabricantes de Perfis Galvanizados para Light Steel Frame e Drywall apontam – na contramão de estudos realizados no país sobre construção civil – índices muito positivos.
“A pesquisa reforçou a premissa de que em tempos de crise, novos sistemas surgem como solucionadores de problemas. Destaque para a produção de perfis galvanizados para light steel frame, que aumentou 2% em relação ao ano anterior (2014), chegando a 46.190 toneladas em 2015. Esses perfis foram em sua grande maioria empregados em edificações industriais. A capacidade produtiva passou de 48% para 50% no seu nível de utilização. Já a produção de perfis para drywall apresentou acréscimo de 0,4%, chegando a 98.290 toneladas”, explica Carolina Fonseca, gerente executiva do CBCA.
O levantamento da entidade também aponta que as empresas participantes da pesquisa Perfil dos Fabricantes de Telhas de Aço e Steel Deck produziram aproximadamente 395 mil toneladas desses produtos no ano de 2015 e faturaram cerca de 1,6 bilhão de reais, empregando aproximadamente 4,3 mil trabalhadores. Já as empresas que participaram da pesquisa Perfil dos Fabricantes de Estruturas de Aço empregaram aproximadamente 20,9 mil trabalhadores, faturaram cerca de 6,9 bilhões de reais e produziram 1,234 milhão de toneladas de estruturas em aço no ano de 2015. Apesar do cenário macroeconômico desfavorável, a pesquisa aponta que 93% dessas empresas projetaram crescimento para o ano 2016. “É importante destacar que de todo o aço que foi utilizado na construção civil em 2015, 36% foi usado especificamente na construção metálica, mesmo percentual de 2014”, esclarece Carolina.
A executiva do CBCA ainda destaca um dado super interessante. Segundo ela, embora a construção em aço no Brasil ainda seja mais empregada em grandes centros de distribuição e shopping centers, está sendo verificado atualmente um aumento na sua utilização em edifícios comerciais de grande, médio e pequeno porte. Nos últimos anos, a construção metálica foi aplicada nas obras da Copa do Mundo e das Olimpíadas, por imprimir rapidez construtiva, grandes vãos, ser versátil, leve, e ser um diferencial de beleza na edificação.
Por tudo isso, o CBCA acredita na retomada do nível de crescimento da construção civil em 2017. “Esperamos que um projeto de infraestrutura para o Brasil seja considerado por parte do governo como uma alavanca em médio prazo para a retomada do crescimento da economia. Complementarmente, confiamos que a construção industrializada seja encarada como a principal alternativa para atender demandas urgentes e de curto prazo, no sentido de um crescimento mais produtivo e sustentável”, pontua Carolina Fonseca.
 
Volta (tímida) da confiança
Em linha com as informações da gerente executiva do CBCA, a animação com o mercado da construção também anda contagiando a consolidação dos dados de 2016 e as previsões para 2017 do maior sindicato do mercado imobiliário da América Latina, o Secovi-SP. A mais recente Pesquisa do Mercado Imobiliário, realizada pelo Departamento de Economia e Estatística da entidade, apurou que em novembro de 2016 foram comercializadas na cidade de São Paulo 1.724 unidades residenciais novas. Embora 30,3% inferior em relação a novembro de 2015, quando foram vendidas 2.473 unidades, o volume é 14,4% superior ao total vendido em outubro (1.507 unidades), e consolida o mês de novembro como o segundo melhor mês em vendas do ano de 2016.
“Mesmo com a tradicional sazonalidade de fim de ano, a quantidade de lançamentos nos meses de outubro e novembro é relevante porque comprova a volta, ainda tímida, da confiança dos incorporadores na economia e no funcionamento das nossas instituições”, analisa Celso Petrucci, economista-chefe do Secovi-SP.
Os imóveis com três e quatro dormitórios foram os destaques de novembro, porque tiveram o maior número de unidades lançadas na cidade de São Paulo durante o período analisado (janeiro a novembro de 2016). Eles apresentaram, também, bons resultados de vendas em relação ao total de imóveis ofertados e representaram 56% do VGV (Valor Global de Vendas) do total comercializado no mês. “O desempenho de unidades com mais de três dormitórios pode ter sido influenciado pela queda da Selic iniciada no mês de outubro. E a estabilidade de preços desses imóveis parece ter atraído os compradores”, analisa Flavio Amary, presidente do Secovi-SP. “Some-se a isso, a autorização do Conselho Monetário Nacional para os bancos financiarem imóveis com preços de até R$ 1,5 milhão. com taxas de juros do Sistema Financeiro de Habitação”, completa Petrucci. Essa medida do CMN foi tomada para estimular o mercado no ano passado e, tudo indica, permanecerá válida até o final de 2017.
“A previsão para 2017 é de reversão das tendências negativas da economia. E esse movimento, mesmo que lento, poderá propiciar o crescimento do mercado imobiliário de 5% a 10%. Outro fator preponderante para uma mudança de patamar é a renovação do ânimo dos empreendedores. Como o novo prefeito João Doria é sensível à economia de mercado, ele entende que o Plano Diretor e a Lei de Zoneamento travam o nosso setor e podem prejudicar os cidadãos paulistanos, que pagarão muito mais por um imóvel”, ressalta Emilio Kallas, vice-presidente de Incorporação e Terrenos Urbanos do Sindicato da Habitação, adicionando que o prefeito está disposto a estudar melhorias consideráveis nesses marcos regulatórios.
Por fim, Flavio Amary confia que os juros continuarão caindo significativamente, podendo sair dos atuais 13% a.a. e chegar aos 10% a.a. no fim de 2017. “A queda permanente da Selic vai permitir que a caderneta de poupança, fonte de recursos para o financiamento à produção e à comercialização de imóveis, volte a ser atrativa. Isso fará com que os saques diminuam e a captação volte a ser positiva. Também haverá um momento em que os bancos voltarão a diminuir as taxas de juros para o crédito imobiliário, colaborando com a recuperação do setor”, conclui o presidente do Secovi-SP.
 
Esperança vem do comércio exterior
Que a siderurgia mundial vive um dos momentos mais delicados de sua historia, não é novidade para ninguém. Além do gigantesco excedente de produção de aço estocado, com o viés de redução – em função dos ajustes realizados pela China, maior fabricante do insumo no planeta – ainda não animando muita gente, o mercado global ainda não se mostra suficientemente ativo (para dizer o mínimo) para turbinar seu consumo.
No Brasil, como não poderia ser diferente, o cenário continua preocupante. Segundo os dados mais recentes do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda), no acumulado de janeiro a dezembro de 2016, as compras para distribuição registraram uma queda de 1,8%, em relação ao mesmo período de 2015, totalizando 2.985,8 mil toneladas, contra 3.040,2 mil toneladas do ano anterior. Já as vendas da distribuição despencaram 4% no período, registrando um volume total de 3.039,7 mil toneladas, contra as 3.168 mil toneladas de 2015. Ainda de acordo com o Instituto, também em função da estagnação ocasionada pelo delicado momento político e econômico do país, as importações de aço no Brasil contabilizaram um recuo de 55,4% em relação ao mesmo período de 2015, com volume total de 679,8 mil toneladas.
Porém, a boa notícia vem do primeiro relatório do Inda, publicado em janeiro de 2017. Após amargar três anos consecutivos de estagnação, as vendas de aços planos pela rede associada à entidade devem registrar alta pela primeira vez. A elevação projetada é de 5%, para 3,2 milhões de toneladas. “O mercado parece que parou de piorar e começa uma tendência de melhora, mesmo que não muito forte”, avalia Carlos Loureiro, presidente do Inda. “Os estoques hoje estão estabilizados e uma retomada da produção gera melhora do consumo, para alimentar o estoque em processo”, pontua o executivo, que aponta como principais sinais de retomada o aumento da demanda de material para a produção de máquinas agrícolas.
Segundo ele, o setor automobilístico como um todo – incluindo montadoras e fabricantes de autopeças – também passaram a consumir mais, num movimento que deve se estender por 2017. “A construção civil segue em crise, enquanto os produtos de linha branca também não demonstram recuperação relevante”, destaca Loureiro.
 
Câmbio preocupa
Enquanto isso, as vendas no mercado brasileiro dos produtos fabricados pelas empresas associadas a outra entidade importante do setor de transformação de aço – o Sindicato Nacional das Indústrias de Trefilação e Laminação de Metais Ferrosos (Sicetel) – caíram aproximadamente 9% em 2016. Para 2017, espera-se uma leve recuperação com crescimento das vendas previsto em torno de 5%.
Assim como o Inda, o Sicetel credita como digna de nota a queda nas importações de aço, que turbinou mudanças na face do déficit comercial brasileiro. Em 2016, este atingiu 166,6 milhões de dólares, performando uma redução de 46% em relação a 2015, como resultado da queda de 98% no déficit dos produtos planos e de 34% nos longos. As importações foram reduzidas em 27% em 2016, relativamente ao ano anterior, resultado da queda de 29% na importação de produtos planos e de 26% na importação de longos. Enquanto isso, as exportações registraram aumento de 42% em 2016 em relação a 2015, resultado de um crescimento de 76% nos produtos planos e de 6% nos produtos longos.
Para Daniele Pestelli, presidente do Sicetel, a melhoria dos números de comércio exterior da entidade é resultado direto da desvalorização do real ocorrida nos últimos dois anos, que aumentou significativamente a competitividade do produto nacional. “A recente valorização do real é preocupante e deve ser evitada de forma enérgica. Não podemos colocar em risco o grande sucesso do rápido ajuste das nossas contas externas”, informa Daniele.
Já de acordo com o economista do Sicetel, José Reinaldo Lourenço, a manutenção de uma taxa de câmbio competitiva é condição básica, embora não suficiente, para garantir condições isonômicas mínimas de competição para a indústria brasileira. Para ele, num cenário de aumento do protecionismo nos Estados Unidos, baixo crescimento na Europa e a intenção de uma inserção maior do Brasil na economia mundial, é imprescindível que tenhamos, pelo menos, uma taxa de câmbio próxima a taxa de equilíbrio industrial, algo em torno de R$ 3,80 por dólar. “O longo período de valorização do real foi uma das principais causas da perda de participação da indústria de transformação brasileira no PIB nos últimos anos”, conclui o economista.