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capaGC2017

Guia_2018



O ano em que Trump ainda não influenciou (muito) o mercado

Marcus Flocke*

Não tivesse sido 2016 o ano do auge da crise econômica brasileira (temos que acreditar nisso!), as empresas consumidoras de cobre teriam tido um cenário bastante favorável. Isso porque desde 2009 o metal não era cotado no mercado internacional a preços tão baixos. Mas, como o pão sempre cai com a manteiga para baixo, justamente no ano em que a matéria-prima estava “barata” (sic), as empresas reduziram suas compras de cobre na mesma proporção em que viram despencar as vendas de seus produtos finais.

GC 2017 cotacoesLME

Em 2016, o cobre registrou seu menor preço na Bolsa de Metais de Londres (LME) logo em janeiro, quando foi negociado a pouco mais de US$ 4.300,00 por tonelada. De janeiro ao final de outubro, a tonelada do metal permaneceu oscilante entre US$ 4.500,00 e, aproximadamente, US$ 5.000,00. Somente a partir daí os preços do cobre experimentaram um período de recuperação, atingindo seu maior valor no final de novembro, quando o metal foi negociado a US$ 5.935,50 por tonelada. Entre o menor e o maior preço de 2016 a variação foi de 37,7%.

 GC 2017 Cobre

Esse comportamento não foi exclusividade do cobre. Todos os metais não ferrosos registraram desempenho muito parecido, registrando os menores valores no começo do ano, mantendo-se relativamente estáveis durante quase todo o período e alcançando os maiores valores no final de novembro.

GC 2017 Aluminio

O alumínio foi o metal com comportamento mais estável: passou de US$ 1.453,00/t. em 13/01/16 para US$ 1.777,00 em 11/11/16, o que resultou numa variação de 22,3%.

GC 2017 Chumbo

O chumbo já registrou uma variação maior, com a menor cotação em janeiro, de US$ 1.597,00/t., e a maior no final de novembro, US$ 2.466,00/t., o que significa um aumento de 54,4%.

GC 2017 Niquel

O menor valor do níquel foi de US$ 7.710,00/t., registrado em meados de fevereiro. A partir daí, com algumas pequenas oscilações para cima e baixo, as cotações praticamente só aumentaram, chegando em 11/11/16 ao seu maior valor: US$ 11.735,00/t., o que resulta numa variação percentual de 52,2%.

GC 2017 Estanho

Embora não seja o que apresentou a maior variação percentual de preços, o estanho foi o metal que, praticamente, só registrou aumentos durante o ano de 2016. O menor preço do estanho foi registrado em 18/01/16 com US$ 13.235,00/t., enquanto que o maior valor ocorreu em 10/11/16, com US$ 21.905,00/t. Assim, houve uma importante variação de 65,5%.

GC 2017 Zinco

Não por acaso, deixamos para o final o caso do zinco, cujas cotações variaram exatamente 100% entre o menor preço, US$ 1.453,50/t., verificado em meados de janeiro, e o maior preço, US$ 2.907,00/t., registrado no final de novembro.

O comportamento das cotações do zinco é um caso especial, pois, a relevante recuperação dos preços se deve ao fechamento de importantes minas e ao corte proposital nos volumes de produção, ocorridos nos anos anteriores. E é justamente o zinco que, pelos fatos mencionados, deverá registrar os maiores aumentos em 2017, ano em que acreditamos que o metal deva ficar aproximadamente 20% mais caro em relação aos preços do fechamento do ano, podendo atingir patamares próximos a US$ 3.000,00/t.

 

Perspectivas 2017

As estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI) para o desempenho das principais economias globais em 2017, permitem-nos prever que, de modo geral, haverá uma recuperação nos preços dos metais não ferrosos durante este ano. Segundo as previsões daquele Fundo, o PIB dos Estados Unidos deve crescer 1,9% em 2017, graças ao estímulo fiscal das contas públicas e ao programa de investimentos em infraestrutura anunciados pelo recém empossado presidente Trump. Para a China, o FMI prevê crescimento de 6,5% baseado nos estímulos aprovados pelo governo em 2016. Nesse cenário, a economia mundial cresceria cerca de 3,4% em 2017.

Para 2018, graças a um risco de desaceleração da economia chinesa, com um crescimento em torno de 6%, em função de uma eventual expansão muito rápida do crédito, do nível de dívida das empresas e da manutenção do apoio oficial a empresas estatais ineficientes, a economia mundial deverá crescer um pouco menos, variando cerca de 3,2% em relação a 2017.

Com isso, estimamos que, à exceção do zinco que, conforme explicado acima, pode chegar a US$ 3.000,00/t., as cotações dos metais não ferrosos devem se expandir em, aproximadamente, 4% em 2017, com o cobre voltando a um patamar médio entre US$ 6.100,00 e US$ 6.200,00 por tonelada. A se confirmar esse cenário, e sem considerar a influência de outras variáveis tais como o efeito Trump e outros, poderemos ter, em 2017, o alumínio com preço médio de US$ 1.850,00/t., o chumbo cotado a US$ 2.560,00/t., o estanho chegando a uma média de US$ 22.780,00/t. e o níquel a, aproximadamente, US$ 12.200,00/t.

Para nossas empresas, entretanto, os preços das matérias primas serão, aparentemente, apenas mais uma “pecinha” num complicado quebra cabeças a ser montado durante os próximos anos, pois, se considerarmos as previsões do FMI de que a economia brasileira crescerá apenas 0,2% em 2017 e 1,5% em 2018, nossa demanda por quaisquer matérias primas também não deverão crescer muito mais do que esses percentuais.

Ainda assim, temos sempre que considerar que as estimativas – sejam elas de quem for – referem-se à economia como um todo e não a determinados setores. Assim, na medida em que houver, por exemplo, um crescimento nos investimentos em linhas de transmissão, a indústria de cabos para aquela aplicação poderá registrar uma evolução bem acima do PIB e, consequentemente, um aumento também maior na demanda por alumínio. O mesmo pode ocorrer com relação aos produtos de cobre destinados à construção civil, aos de níquel destinados à siderurgia, etc.

Além disso, mais do que nunca, acreditamos que a hora é propícia para que o Brasil – com ou sem Mercosul – busque acordos comerciais bilaterais, principalmente em função das alterações que certamente virão no comércio internacional em função da anunciada mudança da postura dos Estados Unidos em relação a seus atuais parceiros comerciais.

GC 2017 Marcos Flocke*Marcus Alberto Flocke é economista, sócio diretor da M.Flocke Consult Ltda. – Consultoria especializada em relações governamentais e internacionais especialista em assessoria para obtenção de Ex-tarifários.