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Uma boa notícia: A recuperação já começou

Henrique Pátria

A siderurgia brasileira desde 2013 esperava encontrar sinais de melhora. Todas as tentativas de virar o jogo vinham sendo frustradas, porque principalmente o consumo interno de produtos siderúrgicos, caiu a níveis assustadores. No entanto os resultados do último trimestre de 2018 e principalmente os cenários traçados para este ano pelos principais consumidores, mostram claros sinais de recuperação. Vamos conferir em 2019.

Segundo disse Sérgio Leite, presidente do Instituto Aço Brasil – IABr, já estamos vivendo no setor siderúrgico uma consistente trajetória de recuperação. Apesar dos estoques mundiais de aço apontarem para um excedente de mais de 550 milhões de toneladas, as expectativas mundiais são muito positivas.

Os números divulgados pelo Instituto Aço Brasil relativos ao ano de 2018, apontam um crescimento na produção de 34.735 milhões de toneladas contra 34.350 milhões no ano anterior, que representa 1,1%. Apesar do baixo índice registrado de crescimento, o que importa neste momento é que há uma tendência de crescimento sustentado, que pode ser sentida em várias atividades que se ocupam do aço, tanto no Brasil como no exterior.

Os aços laminados tiveram crescimento de produção de 3,3%, saindo de 22.417 milhões de toneladas em 2017, para 23.146 milhões em 2018. Já os aços planos cresceram de 13.687 milhões de toneladas para 14.210 milhões de toneladas, portanto 3,8% de crescimento e os aços longos saíram de 8.730 milhões em 2017, para 8.936 milhões de toneladas, com um crescimento de 2,4%. Observando o crescimento mundial da produção, segundo a World Steel International foi registrado até novembro, o ultimo mês divulgado, um índice de 5,8% de aumento da produção mundial de aço em relação ao ano passado.

Um alento para as usinas produtoras foi o bom resultado nas vendas internas, com um crescimento registrado de 8,7%, sendo que nos aços planos este índice chegou a 10,9% e nos aços longos o índice foi de 2%. Além disso, o consumo aparente nacional também apresentou resultado positivo, crescendo 7,3% em relação ao ano anterior de 2017.

As importações alcançaram 2,4 milhões de toneladas que representa um crescimento de 3,3% em relação ao ano anterior. Se considerarmos o valor das importações a alta registrada foi de 16,9%, chegando a US$ 2,6 bilhões.

Com relação aos futuros cenários, Sérgio Leite disse que há uma expectativa otimista com relação às medidas econômicas anunciadas pelo novo governo, principalmente se avançarem as reformas como a da Previdência, a reforma Fiscal e a reforma Política. No seu entender, com estas medidas todo o mundo volta-se novamente para o Brasil e novos investimentos poderão ser contabilizados rapidamente. Também, os programas de desoneração e de privatizações que vêm sendo anunciados são atrativos extraordinários, que devem alavancar a retomada econômica que tanto estamos esperando. Com este novo cenário o Instituto acredita em um crescimento nas vendas internas e no consumo aparente em 2019 em torno dos 6%.

Para se ter uma ideia de como este cenário mudou após a escolha do novo presidente, o ICI – Índice de Confiança da Indústria que é uma medição feita pela Confederação Nacional da Indústria atingiu, em fins de outubro do ano passado, o maior patamar de toda a série histórica com 63,2 pontos. Em relação ao mês anterior o crescimento foi de 9,5 pontos percentuais.

O mercado mundial:

Uma das preocupações da diretoria do Instituto Aço Brasil é defender junto ao Governo Federal a necessidade da adoção de uma agenda positiva que estabeleça critérios para a entrada de produtos siderúrgicos vindos de outros produtores mundiais. Segundo Marco Polo de Mello Lopes o instituto não quer de forma alguma sugerir reservas de mercados ou concessões aos produtores nacionais, (o que alias nunca houve para a indústria siderúrgica brasileira) mas, e principalmente, corrigir as assimetrias competitivas, promovendo os ajustes necessários para que os produtos nacionais não fiquem em desvantagem em relação às importações.

O grande problema do comércio mundial é que após os EUA, terem partido para a restrição na importação de aço, com a adoção da chamada Seção 232, que cuida da “Segurança Nacional” daquele país, os demais países mundiais, como os integrantes da União Européia, o Canadá, a África do Sul, os países do oriente como Tailândia, Índia, Malásia e outros passaram a aplicar salvaguardas na entrada de produtos importados.

O único local no mundo onde ainda não existem salvaguardas ao comércio local é exatamente na América do Sul, que tem sido o escoadouro de produtos, principalmente vindas do Oriente médio, mais precisamente da China.

O esforço conjunto

Um grupo de nove entidades, das mais representativas da indústria nacional, criou uma coalizão empresarial que conversa com o governo no sentido de auxiliar no processo de retomada do crescimento econômico brasileiro.

Fazem parte desta coalizão as entidades: IABr, Abimaq, Abinee, Abicalçados, Abiquim, Abit, Abrinq, Anfavea, AEB e CBIC e o governo, através do ministro Paulo Guedes da Economia, já sinalizou que aceita dialogar com os membros da coalizão visando melhorar o desempenho da indústria brasileira.

A propósito, os integrantes da coalizão fizeram circular um documento pelo qual afirmam que: “a indústria brasileira é favorável a abertura comercial, mas não de forma unilateral e sem prévios ajustes na estrutura de custos do Brasil”. Continua dizendo que o grau de abertura comercial do Brasil, medido pela corrente do comércio em relação ao PIB, alcança 22%, considerado baixo e entendido como um país fechado, porém este índice é similar aos Estados Unidos.

Eles também entendem que este número só não é maior porque o elevado “Custo Brasil” de 30% retira a competitividade dos produtos brasileiros, notadamente os manufaturados e dificulta atingir novos mercados que apresentem maior potencial de retorno.

Desta forma alertam que promover a abertura comercial unilateral, com redução de tarifas de importação, resultará na substituição das indústrias brasileiras pelas importadas, acelerando o processo de desindustrialização e consequente desemprego no país.

Assim sendo, os membros da coalizão são favoráveis a abertura comercial desde que existam contrapartidas como em qualquer país do mundo, através de acordos comerciais bi-laterais onde exista reciprocidade para a entrada de produtos aqui fabricados.

Em linhas gerais a coalizão ofereceu propostas que no seu entender servirão para a retomada do crescimento nacional. Os pontos centrais da proposta são:

Ajuste Fiscal com as reformas da previdência e tributária.

Retomada do crescimento começando pela construção civil e infraestrutura. Em levantamento efetuado e apresentado ao governo apurou-se que se retomadas as obras paradas poderiam gerar cerca de 600 mil empregos diretos imediatamente.

Exportações: Segundo os membros, o Brasil tem potencial para incrementar em curto prazo suas exportações de manufaturados em US$ 40 milhões, apenas com a recuperação do comércio mundial. Uma das principais reivindicações é estabelecer o ano de 2022 como prazo limite para a aplicação do programa chamado Reintegra, que é um mecanismo adotado em vários países mundiais e que estabelece a devolução de tributos pagos antecipadamente nas exportações de produtos manufaturados, mantendo alíquotas de 3 a 5% de acordo com critérios próprios. À medida que a reforma tributária for implementada o índice do Reintegra será reduzido ou eliminado.

Finalizando o nível de propostas, o grupo defende a abertura comercial dentro dos parâmetros já sugeridos, que resultará em imediato crescimento econômico, mantendo a Soberania Nacional.