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Metais não-ferrosos: 20 anos que incluem pico histórico de preços

Marcus Alberto Flocke*

Se, em termos de resultados da economia e da indústria brasileira, 2018 até surpreendeu os empresários, o ano de 2019 amplifica os desafios que ela terá que enfrentar, muitos deles solucionáveis apenas com o estabelecimento de uma parceria – de fato – por parte do novo governo.

Há 20 anos, quando este Anuário foi criado, as cotações de alguns dos metais não ferrosos na Bolsa de Metais de Londres (LME) situavam-se em patamares muito inferiores aos de hoje. Mas, como detalhado a seguir, nesse período os metais experimentaram cotações muito mais altas do que as atuais, coincidindo com uma época em que o PIB norte-americano registrou um pico de alta.

Analisando metal por metal, o alumínio, que fechou 2018 na casa dos US$ 1.869,00/t., havia terminado ao ano de 2000 cotado a, aproximadamente, US$ 1.560,00/t.. Hoje, portanto, o metal está 18% mais caro do que há 20 anos. Entretanto, 43% mais barato do que em julho de 2008, quando as cotações atingiram a marca recorde de US$ 3.291,00/t.

O chumbo teve comportamento semelhante, mas com variações bem mais acentuadas. As cotações estavam na casa dos US$ 470,00/t. no final de 2000, chegando a US$ 3.460,00/t. em março de 2008 e fechando o ano de 2018 a US$ 2.009,00/t. Hoje, portanto, o metal custa quase 4 vezes mais caro do que em 2000 (327%), mas ainda 42% abaixo do pico registrado no primeiro semestre de 2008.

O níquel – importante insumo para a indústria de aço inoxidável – partiu de um patamar próximo de US$ 7.000,00/t. no fechamento de 2000, chegou a US$ 33.300,00/t. em março de 2008 e recuou para US$ 10.595,00/t. no final de 2018. Aumento de 375% até a marca recorde e redução de 68% de lá para cá. Sobre os preços de 20 anos atrás o metal ainda custa 51% mais caro.

O estanho, cuja tonelada no final de 2018 custava US$ 19.500,00/t., está hoje 281% mais caro do que há 20 anos. Entretanto, em abril de 2011 o metal chegou a custar US$ 33.255,00/t. – 6,5 vezes (aumento de 549%) a mais do que em dez/2000, quando as cotações estavam na casa dos US$ 5.120,00/t.

As cotações do zinco partiram da casa dos US$ 1.018,00 por tonelada no final de 2000, registraram um crescimento de 255% até fevereiro de 2018, quando alcançaram o recorde de US$ 3.618,00/t. e voltaram a cair 31% para US$ 2.510,50/t. no encerramento de 2018. Ainda assim, acumulam uma alta de 146% em relação há 20 anos.

Finalmente, o cobre cujas cotações, em dezembro de 2000, estavam na casa dos US$ 1.780,00/t., experimentou um aumento de 405% até julho de 2018, quando as cotações atingiram a marca de US$ 8.985,00/t. Assim como os outros metais não-ferrosos, as cotações do cobre caíram vertiginosamente a partir daí, registrando, em dezembro do mesmo ano, a marca de US$ 2.770,00/t., o que significou uma queda de quase 70% nos preços do metal em apenas seis meses, resultando em sérias dificuldades para algumas empresas que atuavam naquele mercado.

Assim como no caso do estanho e do zinco, o pico das cotações do cobre não foi registrado em 2008. Após a queda verificada na segunda metade daquele ano, as cotações voltaram a se recuperar, atingindo, em fevereiro de 2011, a marca recorde de US$ 10.148,00/t.

Temos, então, um panorama diferente nestes 20 anos de análise. Houve um aumento de 470% de dez/00 até fev/11 e, desde então, uma queda de 41% até a cotação de US$ 5.965,00/t. registrada no fechamento de 2018.

No caso do cobre, as baixas cotações verificadas até meados de 2003 foram consequentes do aumento na produção mundial, aliado à queda no consumo resultando numa elevação de estoques e, consequentemente, da oferta. A partir daí, tanto as cotações do cobre, quanto dos demais metais não-ferrosos, começaram a subir, impulsionadas pela retomada da atividade industrial norte-americana.

O susto global, causado pela queda no PIB dos Estados Unidos, como demonstra o gráfico,  impulsionou as cotações dos metais para baixo a partir do segundo trimestre de 2008.

Depois disso, com a retomada do ritmo de crescimento do PIB dos Estados Unidos, a manutenção do crescimento da China e uma bem sucedida estratégia dos produtores mundiais dos metais não-ferrosos, as cotações voltaram a subir, sem entretanto terem, ainda, atingido os picos verificados em 2011, no caso do cobre, e 2008, no caso dos demais metais não-ferrosos.

Esses 20 anos configuram, portanto, um período especial em que o mundo cresceu e os metais, apesar de  terem experimentado preços extremamente elevados, voltaram a patamares, digamos, saudáveis para a indústria metalúrgica brasileira. Indústria, aliás, que não só sobreviveu à crise econômica, como tem hoje fortes motivos para acreditar que inicia-se um novo período de crescimento.

Nesse sentido, apenas para que nossos leitores possam traçar uma comparação com a evolução do PIB dos EUA e da China, demonstrados acima, e entender como foi o desempenho de nossa economia nos últimos anos, encerramos essa análise demonstrando a evolução do PIB brasileiro ao longo destes 20 anos.