ATÉ QUANDO VAMOS CONTINUAR SENDO O PAÍS DO FUTURO?

Henrique Pátria

Já superamos enormes dificuldades, mas os desafios só começaram a acontecer. Estamos de governo novo, com várias promessas de campanhas para reformas em todos os pontos em que somos muito vulneráveis, como a Previdência, a questão Tributária, a Reforma Política e a do Judiciário, só para citarmos alguns exemplos. Precisamos mudar a feição do Brasil em curto espaço de tempo. Além de esperarmos pelos poderes constituídos, o que nós podemos fazer para ajudar nessa difícil empreitada?

Exatamente há um ano, neste mesmo Anuário Brasileiro da Siderurgia, já havia um clima de otimismo moderado que conseguimos captar junto aos vários entrevistados, pois, naquele momento, mesmo que o governo Temer não inspirasse a total confiança dos brasileiros, representava uma quebra na seqüência de equívocos (para ser gentil) de uma política criminosa e desastrosa praticada ao longo dos últimos 13 anos, que nos levou para uma insolvência total e absoluta, além da quebra de muitas empresas e de vários paradigmas comerciais, bem como da moral e da ética em grande parte das atividades de uma nação.

Esse sentimento foi compartilhado pela maioria da população nas últimas eleições realizadas no ano passado. E o resultado das urnas foi uma guinada à direita, na direção do liberalismo econômico. É muito lógico que ainda existam desconfianças e muitas indagações se a nova equipe conseguirá promover as reformas que o país tanto necessita para, em um segundo momento, atrair poupança interna e investimentos nacionais e internacionais para voltarmos a sonhar em ter um país com futuro melhor para nossos filhos e netos.

E o que apuramos foi que os indicadores são muito positivos. Assim como nos anos anteriores, apresentamos nesta edição mais do que um alento, mas uma grande aula de otimismo, que vem emanada por diversos pontos que acabam se entrelaçando num emaranhado de emoções e pensamentos positivos. As entrevistas os dados e as informações colhidas transformadas em matérias e apresentadas em nosso “Cenários e Mercados” darão bem uma dimensão do que estamos falando. É como se fosse um grande auditório e o mestre de cerimônias ou o líder que comanda a sessão solicitasse que todos forcem um pensamento positivo, para gerar uma ótima energia no ambiente.

Dos diversos pontos do país as manifestações estão pipocando, e não há porque não acreditar que estamos no caminho certo. Concordamos que inúmeras barreiras devem ser superadas. A começar pela cobrança que todos temos de fazer dos Poderes Legislativo e Executivo, a fim de que as tão impopulares – mas necessárias – reformas, deixem de ser somente uma matéria a ser discutida em todos os jornais, revistas, rádios ou televisões, para ser tornar, rapidamente, algo concreto e real na vida dos brasileiros.

 O gigantesco e monumental fenômeno do corporativismo tem de ser deixado de lado para se pensar em algo maior que é o Brasil. O brasileiro tem de refletir e procurar mudar a sua cultura admitindo que a fórmula até aqui adotada de “não mexer no meu” – ou “eu quero levar vantagem em tudo” – não funciona mais. Nas discussões arrastadas há mais de um ano sobre a Reforma da Previdência, em todo momento se vê uma categoria profissional dizendo que precisa ser diferenciada ou deve ficar de fora por isso ou por aquilo. Como e quando isso vai acabar?

 Além das reformas há vários outros problemas imediatos. A dívida pública brasileira está em torno de 78% do PIB. O déficit público brasileiro é outro “calcanhar de aquiles”, que aparentemente está descontrolado e, somente a duras penas, a equipe do governo conseguirá ajustá-lo à realidade nacional.

O mundo está ingressando em uma nova Revolução Industrial ou a chamada “Indústria 4.0”. E até o final do ano passado, as medições disponíveis davam conta de que pouquíssimas empresas no Brasil estavam se preocupando ou fazendo avanços na direção dela. Entre os países emergentes, o Brasil é que menos tinha investido na modernização e atualização, não só de seu parque industrial, mas em métodos e sistemas que proporcionassem uma melhor gestão, livre de comodismos, com a busca de padrões internacionais para concorrermos em pé de igualdade com empresas de todo o mundo.

E não é só o governo que deve pensar nisso. É certo que a desburocratização, as reformas e ajuste dos tributos – principalmente aqueles que podem tirar competitividade da indústria nacional – devem ser a preocupação permanente dos nossos dirigentes. Porém, como será a empresa do futuro se ela não puder contar com jovens preparados e prontos para os desafios que já começam a aparecer?

Mas vamos às coisas boas. O INA que é o Índice Nacional de Atividade, medido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), indicou crescimento já em 2018, quando tivemos alguns acontecimentos “sui generis” para um país que precisa deslanchar, como a greve dos caminhoneiros, que paralisou o Brasil por cerca de 15 dias, e causou imensos prejuízos em todos os setores nacionais. A boa nova é que em 20 segmentos pesquisados pela CNI, pelo menos 11 apresentaram índices de crescimento e de recuperação, mesmo com as adversidades. No mês seguinte à apuração das eleições, o Índice de Confiança do Empresariado (ICE), medido pela Fundação Getulio Vargas (FGV), apresentou a mais alta pontuação desde a sua criação, atingindo a 63,2 pontos. Veja o tamanho do crédito dado ao novo governo.

E a retomada e busca da recuperação é imediata. A indústria automobilística – que é um ótimo paradigma, pois traz consigo uma imensa cadeia de produtos –, por meio de sua entidade de classe, a Anfavea, informou que houve, em 2018, um crescimento no nível de licenciamento de veículos da ordem de 14,6%, e que, para 2019, em uma projeção conservadora, espera um novo aumento que deve ficar entre 10% a 12%, com uma produção que deve ultrapassar a marca dos 3 milhões de veículos. Na esteira desse crescimento, o Sindipeças relatou que, no ano passado, já produziu 17,4% e exportou 6,4% a mais do que em 2017, e que as expectativas para este ano são de superar essas marcas.

E a nossa siderurgia? Como está e para onde caminha? Ainda existe o problema do excedente mundial de aço, que, no final de 2018, beirava as 550 milhões de toneladas. Mas o problema do aço brasileiro passa inicialmente pela questão do consumo interno da liga. Com a retomada de obras na infraestrutura, a volta do desenvolvimento de negócios na construção civil, o crescimento da indústria automobilística, a continuidade dos bons ventos soprando no agronegócio e, ainda, o aumento do consumo das famílias em bens duráveis, deverá se conseguir preencher quase que totalmente a grade de produção da indústria nacional do aço. No ano passado, o crescimento registrado nas vendas internas foi de 8,7%, índice que os dirigentes da entidade que comandam o setor esperam repetir – ou, eventualmente, superar – agora em 2019.

E como cada um de nós irá preencher o seu espaço na sociedade em 2019? A questão da participação é fundamental. Com o advento das redes sociais está proibida a acomodação, seja em que patamar você estiver. Precisamos de cada uma das pessoas de bem para, juntos, comemorarmos o ingresso nessa nova era.