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CONSTRUÇÃO EM AÇO: uma via não só possível, como fundamental para o crescimento da siderurgia nacional
 
Prevendo boas perspectivas para 2018, o CBCA promete continuar lutando para ampliar a participação da construção industrializada em aço no mercado nacional.
 
Marcus Frediani
 
A construção civil é um dos mais importantes setores consumidores de aço no mundo. Graças aos continuados avanços tecnológicos da siderurgia, que desenvolve produtos com a qualidade indispensável requerida por projetistas e pelas crescentes exigências do mercado, por toda parte expande-se o consumo de aço na construção. O fenômeno se repete no Brasil, mas em iniciativas isoladas que não propiciam a utilização plena das sinergias existentes entre os diversos segmentos envolvidos e nem o aproveitamento de todo o potencial de benefícios aos usuários e aos produtores de aço.
Ao contrário de outros segmentos da economia consumidores intensivos de aço – nos quais poucos produtores atendem à extensa porção do mercado e têm condições de custear estudos e experimentos voltados ao revigoramento do processo produtivo –, na construção em aço, entretanto, a demanda é ainda inexpressiva. São poucas as empresas capazes de arcar com iniciativas do gênero, e com experiência para criar parcerias de longo prazo com os clientes. Infelizmente, ainda falta também tradição cultural nas respectivas cadeias produtivas para um trabalho conjunto.
Nesta entrevista exclusiva ao Anuário Brasileiro da Siderurgia 2018, Carolina Fonseca, gerente executiva do Centro Brasileiro da Construção em Aço (CBCA) discute amplamente a questão, dando não só pistas importantes de como a utilização pode – e deve – ser amplificada, bem como faz um expressivo relato das ações que a entidade vem empreendendo no sentido de instalar essa nova e promissora realidade, um trabalho que tem como um dos principais cernes a conscientização dos profissionais que atuam no mercado da construção civil.
 
Anuário Brasileiro da Siderurgia 2018: O ano de 2017 foi “morno” para a siderurgia brasileira. O mesmo deve ter acontecido com a construção em aço. Qual a sua avaliação dessa dinâmica?
Carolina Fonseca: O lento crescimento da atividade econômica brasileira em 2017 – estimativas do Banco Central apontam para um aumento de apenas 1% – não foi suficiente para que a indústria brasileira do aço se recuperasse da pior crise de sua história. O CBCA ainda não consolidou os dados sobre o mercado da construção industrializada em aço de 2017, mas, em agosto do ano passado, apresentou as já tradicionais pesquisas anuais com dados sobre 2016. Os números evidenciam mercados com grande potencial de crescimento e que lutam contra a fraca demanda diante da situação político-econômica do Brasil, o que contribui para o baixo volume de obras e para o fechamento de algumas empresas. Os números da pesquisa “Cenário dos Fabricantes de Estruturas de Aço” – que está em sua 6ª edição – mostraram que o setor de Estruturas de Aço teve uma queda em sua produção de 44% na comparação entre 2015 e 2016. Destaca-se ainda nesse estudo a baixa utilização da capacidade instalada, de apenas 43%. Em sua 5ª edição, a pesquisa “Cenário dos Fabricantes de Telhas de Aço & Steel Deck” também apresenta um setor com baixa utilização de sua capacidade instalada, de 50% em 2016 (em 2015 era de 56%). Esse mercado também sofre com a atual crise político-econômica do País, com mais de 80% das empresas declarando queda na produção na comparação entre 2016 e 2015. Na contramão de outras pesquisas realizadas no País sobre construção civil, o estudo “Cenário dos Fabricantes de Perfis Galvanizados para Light Steel Frame e Drywall” aponta índices otimistas em relação aos fabricantes de seu setor, reforçando a premissa de que em tempos de crise novos sistemas surgem como solucionadores de problemas. Em sua 4ª edição, a pesquisa aponta que cerca de 70% das empresas pesquisadas esperam crescimento em 2017. Os resultados completos das pesquisas estão publicados no site do CBCA e servem para subsidiar a entidade no direcionamento de suas ações, com contribuição direta no desenvolvimento e fortalecimento do setor da construção industrializada em aço.
 
A tão propalada retomada da economia que se insinua deverá, efetivamente, trazer resultados positivos e alvissareiros para o setor?
De acordo com o Boletim Focus, divulgado no dia 05 de fevereiro, a economia brasileira deve crescer 2,7% em 2018. Espera-se, então, que o setor do aço acompanhe esse crescimento e apresente números ainda mais expressivos que o PIB do Brasil. O CBCA acredita na retomada do nível de crescimento da construção civil em 2018. Para isso, espera que um projeto de infraestrutura para o Brasil seja considerado por parte do governo como uma alavanca para a retomada do crescimento da economia. Confiamos que a construção industrializada seja encarada como a principal alternativa para atender a qualquer tipo de demanda, principalmente as urgentes e de curto prazo, no sentido de um crescimento mais produtivo e sustentável. Em outras palavras, uma das prioridades da indústria brasileira do aço é a retomada do mercado interno via revitalização da construção civil/infraestrutura. E o setor defende ainda que a retomada do crescimento econômico via infraestrutura seja por meio da indústria nacional. Luta, entretanto, que se torna árdua diante dos últimos números divulgados pelo IBGE para o setor da construção civil do país: queda de 6,1% no acumulado de 2017 até o terceiro trimestre do ano em relação ao mesmo período de 2016.
 
Na contramão de um ano complicado para a construção em aço, o CBCA, entretanto, foi muito produtivo na divulgação dos benefícios da utilização dessa liga metálica como protagonista em novos projetos, bem como na promoção de cursos, treinamentos e até concursos. Quais foram os resultados auferidos com tais ações?
O CBCA procura constantemente ampliar a participação da construção industrializada em aço no mercado nacional, realizando ações para sua divulgação e apoiando o seu desenvolvimento tecnológico desde 2002, ano de sua fundação. Nossa entidade entende que o uso do aço na construção civil – maior consumidora do insumo – deva ser fomentado, na forma de construção industrializada. Para isso, apoia-se no fato de que as estruturas em aço podem reduzir em até 40% o tempo de execução da obra quando comparadas com os processos convencionais, devido à possibilidade de frentes de serviços simultâneas. Com as peças chegando aos canteiros de obra já pré-fabricadas, esse sistema também permite a redução dos impactos ambientais que a construção civil carrega em seu processo produtivo.
 
Além das pesquisas já mencionadas, que outras atividades o CBCA protagonizou recentemente?
Foram muitas. Em 2017, o CBCA realizou 13 road-shows pelo Brasil, com a abordagem de dois temas: “Da Concepção à Construção em Aço” e “Estruturas em Aço: Projeto, Especificação e Proteção contra a Corrosão”. Os eventos reuniram no total cerca de mil pessoas nas cidades de Manaus, Maceió, Salvador, Aracaju, Brasília, Belém, São Luís, Teresina, Cuiabá, Fortaleza, Natal, Recife e João Pessoa. O projeto, que teve seu início em 2005 e que já conta com 186 edições realizadas, recebeu profissionais da área da construção civil e estudantes dos cursos de arquitetura e engenharia civil interessados nos temas. Esses road-shows tiveram entre os seus apoiadores os Sindicatos da Indústria da Construção Civil locais, os Conselhos Regionais de Engenharia e Agronomia e os departamentos locais do Instituto de Arquitetos do Brasil, além do apoio a nível nacional da Associação Brasileira da Construção Metálica (ABCEM), do Sistema CREA Júnior e da Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural (ABECE). O evento de Brasília também contou com o envolvimento da Federação das Indústrias do Distrito Federal, do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Distrito Federal e da Câmara Brasileira da Indústria da Construção. O CBCA, com isso, cumpriu um de seus objetivos, que é o de estreitar parceiras/concentrar esforços com entidades congêneres no sentido de divulgar os benefícios da construção metálica.
 
Tivemos notícias de que o CBCA também lançou a 2ª edição do manual “Projeto e Durabilidade”, direcionado aos profissionais envolvidos com o uso do aço na construção civil. Qual é o objetivo dele?
A publicação tem o objetivo de auxiliar arquitetos e engenheiros no entendimento de um anexo normativo que trata da durabilidade de componentes metálicos frente à corrosão. Além disso, merecem destaque também as duas edições de 2017 da Revista Arquitetura & Aço, sendo a segunda, a de número 50, motivo de grande satisfação para a entidade. As edições trouxeram matérias sobre grandes projetos em aço feitos no Brasil, além de entrevistas com profissionais da área. Simultaneamente, a entidade ainda apoiou institucionalmente diversos eventos das principais universidades do Brasil e realizou vários cursos presenciais, contribuindo na formação de profissionais para projetar e construir em aço. Os eventos tiveram grande presença de público.
 
E o concurso? Qual foi o nível de abrangência e os resultados dele?
Promovido anualmente desde 2008, o “Concurso CBCA para Estudantes de Arquitetura” foi outro destaque. A competição contempla projetos em aço elaborados por universitários, incentivando a investigação sobre as tecnologias e aplicações desse material na construção. Com 485 equipes de 199 universidades inscritas, a edição de 2017 do concurso bateu recorde de inscrições e premiou como vencedores os estudantes da Universidade Presbiteriana Mackenzie, de São Paulo. Eles representaram o Brasil no 10º Concurso Alacero de Diseño en Acero para Estudiantes de Arquitectura 2017 – fase internacional da competição – realizado em novembro de 2017, em Cancún. O concurso do CBCA é reconhecido por professores e estudantes universitários como o mais importante do País.
 
Acerca disso, como você avalia o atual nível técnico dos profissionais de engenharia e arquitetura e o grau de “simpatia” ou de convencimento para a adoção do aço na concepção e desenvolvimento de seus projetos?
O nível é muito bom. Atualmente, inclusive, diversas edificações brasileiras são referências no mundo quando o assunto é construção em aço. Em termos de engenharia, destaca-se como principal exemplo o projeto do arquiteto Norman Foster, localizado na Zona Portuária do Rio de Janeiro, que leva o nome de Pátio da Marítima. O prédio teve grande participação da engenharia nacional. Em termos de arquitetura, destaca-se o escritório curitibano Estúdio 41, com o seu projeto de reconstrução da Estação Antártica Comandante Ferraz – projetado em estruturas metálicas – vencendo concurso internacional. Além disso, vários arquitetos brasileiros já receberam prêmios internacionais, dentre eles Paulo Mendes da Rocha, que recebeu o Pritzker, uma das principais premiações do mundo no campo da arquitetura. Vale destacar ainda que um dos profissionais que já ganhou esse prêmio é o arquiteto mundialmente conhecido Oscar Niemeyer, que fez várias obras em aço, apesar de ser mais conhecido por suas obras em concreto armado. Vale nesse caso uma pergunta: será que as pessoas sabem que os edifícios da esplanada dos ministérios em Brasília são feitos em estrutura metálica? Por fim, vale enfatizar que ainda precisamos de mais profissionais que “respirem” o aço, que tenham facilidade e vontade de trabalhar com projetos e obras nesse sistema construtivo. Para isso precisamos inserir matérias sobre construção metálica nas universidades, e isso não é tarefa fácil. Algumas faculdades são referência nesse assunto e despontam com grandes profissionais, mas a grande maioria ainda trabalha da maneira tradicional, sem grandes inserções sobre construção industrializada ou sistemas construtivos.
 
Ano de eleição é sempre turbulento e nebuloso para o mercado e para os negócios. Mas, ao que parece, a atual disputa eleitoral pela Presidência da Repúblicabem como o desenlace dela, seja esse qual fortrará mais calor do que luz em termos de resultados efetivos para a economia brasileira. Qual a sua avaliação do impacto do desenrolar do quadro político e daqui para o final do ano sobre o mercado da construção em aço?
Como dito anteriormente, destacam-se duas prioridades para a indústria do aço nacional em 2018: é primordial que a retomada do mercado interno seja via revitalização da construção civil / infraestrutura e não menos importante é que a retomada do crescimento econômico via infraestrutura seja através da indústria nacional. O CBCA acredita então que o foco por parte do governo em um projeto de infraestrutura para o Brasil seja a alavanca para a retomada do crescimento da economia, fato que contribuirá ainda no incremento dos números do setor da construção civil em 2018.
 
E quais são as ações que o CBCA tem programadas para este ano de 2018? Qual será o eixo de atuação da entidade? Teremos muitas novidades, concomitantemente à provável continuidade dos trabalhos atuais?
O CBCA continuará lutando para ampliar a participação da construção industrializada em aço no mercado nacional. Para isso, manterá e reforçará em 2018 a sua atuação no sentido de realizar ainda mais ações para divulgação e de contribuir com o desenvolvimento tecnológico desse setor. Destacam-se nesse início de ano a abertura das inscrições para os cursos presenciais e online da entidade via site e a contribuição na produção do segundo volume do Manual da Construção Industrializada da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI). O objetivo da publicação é oferecer informações para orientar as práticas de planejar, projetar, contratar e fiscalizar obras públicas e privadas, com a aplicação de sistemas e subsistemas construtivos industrializados. Complementarmente, o CBCA está trabalhando nas diretrizes nacionais do próximo Concurso para Estudantes de Arquitetura e está planejando uma competição para os estudantes de engenharia. Também já estão em andamento as tratativas para a realização dos já tradicionais road-shows e de palestras nas principais semanas acadêmicas dos cursos de arquitetura e engenharia do Brasil. Pode-se esperar também por novos cursos a serem ofertados, tanto presencial como online, bolsas de estudo, aplicativos para os profissionais da construção metálica, dentre outros. Para saber mais sobre as novidades do CBCA, vale muito a pena acessar o site da entidade e cadastrar-se para receber as newsletters semanais: o endereço é www.cbca-acobrasil.org.br/site/o-cbca-participe-do-cbca.