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O difícil recomeço do Brasil
 
Por tudo que estamos vivendo, dá para se pensar em uma retomada mais consistente do mercado e das condições de trabalho das empresas. O Brasil volta a ser atrativo para os investimentos internacionais, o que sinaliza um cenário auspicioso. Mas a primeira lição é arrumar a casa, depois ter competência e despertar a vontade de competir.
 
Henrique Pátria
 
Como alardeávamos há um ano em nosso Anuário Brasileiro da Siderurgia de 2017, a economia brasileira já dava os primeiros sinais de uma luz no fim do túnel e, para nosso alívio, não era um trem que vinha no sentido contrário. Já tínhamos passado pela tal “pinguela” que o governo do presidente Temer havia se referido logo após a posse, e começávamos a construir um novo futuro para o nosso país. Passado um ano daquele momento, o que temos agora já não são mais simples sinais, mas evidências muito firmes de que a excelente equipe econômica que tem nos conduzido,  conseguiu recolocar o Brasil nos trilhos.
Como isso pode ser afirmado? Pelos juros colocados no menor patamar desde a implantação da taxa Selic, pela inflação, que vem se repetindo baixa por mais de um ano – apesar de os céticos ainda dizerem que ela encolheu porque a atividade econômica não retomou sua capacidade – e, também, pela gradativa queda no número de desempregados, entre outros sinais.
Mas se de um lado a economia caminha com certa tranquilidade, dá para encher uma mão inteira e ainda faltarão dedos para serem ressaltados os enormes problemas com que, nós, brasileiros, convivemos. Não dá para destacar o que seria o primeiro ou o último deles, mas a verdade é que temos enorme potencial de crescimento, mas não temos as chaves ideais para destravar cada uma das questões pendentes.
A ordem política mexe com todos os brasileiros, porque essa ciência – que é fundamental para qualquer nível de desenvolvimento, em qualquer parte do mundo – está severamente comprometida em nosso país. Os homens públicos, na sua maioria, com raras exceções, estão presentes em listas de investigados ou em manobras de corrupção, o que lhes tira a credibilidade. E, com isso, várias questões fundamentais não conseguem avançar.
As reformas nos vários campos – destacando-se as mais evidentes, como a Trabalhista, a da Previdência, a Tributária, a Política, a Educação, a Saúde, entre outras que são fundamentais para colocar o país em outro patamar – estão paralisadas e não avançam há vários meses.
A qualidade e os interesses dos ocupantes dos cargos nos Poderes da República, que deveriam se preocupar com o Brasil porque têm o poder de participar das mudanças que tanto precisamos para avançar, na maioria dos casos, são questionáveis e com baixos níveis de confiabilidade.
Por outro lado, já deixamos passar outro “bonde da história”. Os países mais avançados, entre os quais a Alemanha, os Estados Unidos, a Coreia do Sul e o Japão, já vivem a 4ª Revolução Industrial, tendo o mote da “Indústria 4.0” como um assunto corriqueiro do seu dia a dia.
Aqui no Brasil, se fizermos uma pesquisa com dez empresários, entre seis a sete deles não saberão ao menos do que se trata. Os processos de robotização, de controles integrados, utilização de sistemas cibernéticos, Internet das Coisas, armazenamento de dados em nuvem... Tudo isso, infelizmente, ainda está muito longe de ser absorvido pela maior parte dos empresários locais. E a razão primordial é que os executivos, ao longo dos últimos anos, estiveram muito mais preocupados em se salvar e em salvar suas empresas – pois foram muitas as baixas registradas em todas as atividades –, do que efetivamente, pensar em investir em sistemas e competitividade.
No campo prático, o custo do dinheiro, agravado pela questão dos juros para qualquer novo investimento, ainda é inaceitável. E o governo não tem força e, parece, nem vontade política de convencer os bancos a praticar um spread mais acessível para promoção de qualquer avanço. Some-se a isso a questão burocrática e a insegurança jurídica representada principalmente pela ausência das reformas já citadas, que simplesmente não andam, porque o nosso sentimento é de que a divisão de interesses pelos políticos profissionais se sobrepõe aos interesses do Brasil.
Mas nem tudo é só lamentação. A coleção de entrevistas neste Anuário Brasileiro da Siderurgia nos mostra que praticamente todas as atividades econômicas avançaram acima de 5% em 2017. E as projeções mostram um caminho muito animador para 2018. Citamos como referência a Anfavea, que congrega as montadoras de veículos automotores, cuja previsão para os próximos 12 meses é de crescimento acima de 11%, o que representará a produção em território nacional de mais de 3 milhões de veículos. E eu me refiro à Anfavea como referência, porque a indústria automobilística traz a reboque uma imensa cadeia de atividades, que incluem a siderurgia, as empresas de processamento e distribuição do aço, as fabricantes de autopeças, os sistemistas terceirizados e assim por diante até chegar às concessionárias e a venda no varejo de veículos, além de uma infinidade de segmentos que se agregam e assim ajudam a movimentar a roda da economia.
Felizmente outras referências existem, mas para isso convidamos nossos leitores a darem uma passada pela seção Resenha, Cenários & Mercados, que se estende pelas páginas seguintes deste Anuário, onde será possível conhecer o que pensam e com quais cenários trabalham e enfim como vão agir os integrantes de cada um dos setores de atividade ligados à cadeia siderúrgica. Boa leitura!