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O que aconteceu e o que vem por aí
 
Representantes da indústria, da siderurgia e de vários setores ligados a ela falam sobre o desempenho e os resultados de 2017 e projetam um panorama mais positivo para os negócios em 2018 e além. Mas é claro, só se a retomada da economia for verdadeira e provar a que vem.
 
Marcus Frediani
 
Dois mil e dezessete esteve longe de ser um ano fácil para a economia brasileira e, por extensão para a indústria, sua principal mola impulsionadora. Como nos anos anteriores, os maiores problemas enfrentados por ela foram a alta carga tributária, a demanda interna insuficiente e a inadimplência dos clientes. Isso, sem falar na competição desleal – proveniente das mais variadas “fontes” –, falta de capital de giro, dificuldades na logística de transporte e burocracia excessiva.
Contudo, não há engano algum na afirmação de que foi também um ano de reflexão dos modelos empresariais, que acabaram por desenhar não só significativos avanços no tecido conjuntural brasileiro, bem como a recondução de alguns processos fundamentais rumo à reconstrução da unidade perdida destes, ao longo de praticamente cinco anos de estagnação.
Deixando a pirotecnia ufanista de lado, pode-se, entretanto, dizer que na composição dessa dinâmica novos ânimos alinhados à conquista de resultados positivos – embora ainda tímidos – nos resultados da indústria não apenas ganham força, como também projetam a tendência de dias melhores para diversos setores de atividade. Se ainda é cedo para falar em retomada da confiança, a crença de que os piores momentos da crise deixaram várias lições aprendidas a ferro e fogo gera, pelo menos, uma considerável “queda” no nível da neblina que turvava a visão dos empresários, fazendo com que estes, pensando fora da caixa, possam vislumbrar com mais clareza novas oportunidades e trilhar caminhos mais retilíneos e menos tortuosos ao longo de 2018.
 
MUNDO EM TRANSFORMAÇÃO
Nessa direção, a Sondagem Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI) infunde ânimo ao setor industrial. Realizada entre os dias 3 e 16 de janeiro de 2018 com 2.244 empresas, a pesquisa constatou que os índices de atividade, embora sazonalmente mais fracos em dezembro, foram melhores em 2017 do que em idênticos meses de 2015 e de 2016. Por sua vez, as condições financeiras são vistas como mais favoráveis. O levantamento, em especial, destaca as expectativas positivas das companhias para os próximos seis meses com relação à demanda, às exportações e à aquisição de matérias-primas, bem como às decisões de investimento.
Segundo Robson Braga de Andrade, presidente da CNI, é inegável que, nos últimos anos, houve uma queda na participação da indústria no PIB brasileiro. “Mas é preciso ressaltar que esse é um fenômeno universal e irreversível. O desenvolvimento de cadeias globais de valor, os novos competidores – em especial da Ásia –, os ganhos de produtividade da própria indústria e as transformações do padrão de consumo em direção a serviços são forças sem retomo no mundo inteiro”, pondera.
A crença da CNI é de que se a marca de 2017 foi a saída da recessão e a recuperação dos indicadores, 2018 deverá ser marcado por ampla retomada da atividade, baseada em inflação baixa, juros ativos em queda, mais emprego, renda e confiança. E a redução das incertezas políticas ajudaria muito toda a economia, inclusive o setor industrial. Para Robson, a fim de reverter o péssimo ambiente de negócios marcado por regras excessivas e incertezas que arruínam a capacidade empreendedora do país, é preciso implementar uma agenda que torne bem-vinda a atividade de empreender, e não a desestimule.
“São necessárias ações abrangentes para enfrentar a perda de dinamismo e reverter essa tendência. Esse sentimento precisa estar presente em toda a sociedade: os riscos atuais da indústria são um problema de todo o país. A perda de competitividade afeta a todos, e a pressão competitiva existente no mercado mundial atinge, diretamente, os produtos manufaturados, com impactos na cadeia produtiva de fornecedores de insumos e serviços. Se nossos produtos ficam para trás na competição no mercado externo e na disputa com os importados no âmbito doméstico, toda a economia brasileira perde. Por tudo isso, é crucial pôr a indústria no centro da estratégia de crescimento do país. Só assim o Brasil contará com um crescimento vigoroso e a geração de empregos qualificados”, finaliza o presidente da Confederação Nacional da Indústria.
 
BARATEAMENTO DO CRÉDITO
Em linha com a CNI, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) também prevê fortalecimento da retomada da economia em 2018. Um estudo feito pela entidade mostra que em 2018 deverá ganhar força a retomada da economia brasileira. Com a redução do endividamento das famílias e das empresas, condições favoráveis no mercado externo e redução da taxa de juros, há tendência à expansão do crédito, levando ao aumento do consumo e estimulando a produção. Também deverá haver manutenção da melhora do mercado de trabalho, com queda da taxa de desemprego e elevação da massa salarial. “A saída da recessão até aqui foi lenta, porém consistente, sustentada pela melhora da massa salarial, inflação baixa, redução da taxa de juros, aumento das exportações, entre outros fatores que se espera que sejam mantidos em 2018, permitindo a aceleração da retomada do crescimento”, afirma Paulo Skaf, presidente da Fiesp.
Para a economia como um todo, a expectativa da entidade é de crescimento de 2,8% do PIB em 2018. E para o segmento da Indústria de Transformação o crescimento projetado é de 3,1%. Em relação aos investimentos (formação bruta de capital fixo), a expansão esperada é de 3,2%. “Entretanto, para que o processo de retomada da economia se mantenha e que seja acelerado o crescimento, é essencial que as reformas estruturais, como a da Previdência e a Tributária, sejam aprovadas. Além disso, é fundamental o barateamento do crédito com a redução dos spreads bancários”, destaca Skaf.
 
REDISCUTIR É PRECISO
Vindo para a siderurgia, o desempenho da distribuição de aços planos registrou queda nas vendas da rede em torno de 2,6% no ano passado. Dezembro, segundo o Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda) foi mês emblemático, quando a venda de aços planos contabilizou queda de 13,1% quando comparada a novembro, atingindo o montante de 221,2 mil toneladas contra 254,4 mil toneladas. No ano foram vendidas 2.961,3 mil contra 3.039,7 mil de 2017. Ato contínuo, as compras realizadas no último mês de 2017 registraram queda de 22,6% perante novembro, com volume total de 214,1 mil toneladas. No ano as compras foram menores em 0,7% registrando 2.964,5 mil contra 2.985,8 em 2017. Com isso, as projeções para janeiro de 2018, eram de tanto a venda quanto a compra dos aços planos tivessem uma alta de aproximadamente 12%.
O problema, segundo Carlos Jorge Loureiro, presidente executivo do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda) e do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Produtos Siderúrgicos (Sindisider) é que a relevância da rede de distribuição tem diminuído. Além dos clientes a quem as usinas fornecem diretamente – como montadoras e fabricantes de eletrodomésticos, por exemplo –, em alguns mercados foi a área comercial das grandes fabricantes que ganhou espaço. A entidade também perdeu espaço entre grandes importadoras. “Hoje, o Inda representa 70% da distribuição independente", afirma Loureiro, referindo-se às distribuidoras que não são ligadas a grupos siderúrgicos.
Para se ter uma ideia dessa participação, se as empresas filiadas ao Inda venderam 2,6% a menos neste ano, as próprias usinas elevaram as vendas de aços planos em mais de 4%. O consumo aparente de produtos siderúrgicos, aliás – que, nesse caso, reúne também laminados longos, que não são contabilizados pelo instituto – avança 5%. “Mas a situação financeira das empresas associadas do Inda, que ficou bastante complicada nos últimos anos, parece ter se estabilizado, ou seja, a fase pior foi digerida. Para isso, foram necessárias algumas saídas, até com recuperações judiciais”, comenta Loureiro.
O problema, segundo o presidente do Inda/Sindisider, é que os reajustes das companhias são uma espécie de faca de dois gumes: ganha com preços maiores porque os repassa ao cliente final – o que reforça receita e margens –, mas também vive um descompasso em relação a outras compradoras de aço, como as montadoras. Em janeiro, por exemplo, a rede de distribuição pressionou as siderúrgicas para que primeiro fizesse acordo de aumento com setor automotivo antes de impor reajustes às distribuidoras. “É algo que precisa ser rediscutido, esse contrato anual para montadoras, por exemplo. As próprias usinas parecem querer isso, mas a pressão das fabricantes de carros é muito grande”, lamenta o executivo.
 
AINDA A CAMINHO DA PLENITUDE
Os dados ainda não estão consolidados. Mas as primeiras informações referentes a 2017 mostram um crescimento, especialmente a partir do segundo semestre do ano, entre as empresas representadas pelo Sindicato Nacional da Indústria de Trefilação e Laminação de Metais Ferrosos (Sicetel). “Conforme os acompanhamentos que temos até agora, elas têm mantido a sua participação nas vendas das siderúrgicas nacionais e até mesmo crescido nessa participação, embora o consumo aparente destes produtos – relativos a aços planos e longos – tenha caído nos últimos anos. Por exemplo, os dados referentes a trefilados do Instituto Aço Brasil (IABr) até setembro de 2017 demonstravam que o consumo aparente havia despencado 2,2%”, explica o presidente da entidade Daniele Pestelli.
O acompanhamento relativo aos dados de produção e vendas internas do Sicetel são anuais, e os últimos dados fechados ainda são os de 2016. E os números mais recentes relacionados às informações dos produtos fabricados por suas associadas são referentes ao comércio exterior, que são levantadas trimestralmente. Estas indicam que, em 2017, as importações caíram 3% em toneladas totais de planos e longos – uma queda de 13% nos planos e crescimento de 1% nos longos), enquanto que as exportações totais em toneladas caíram iguais 3% no ano passado, com a queda de 10% nas exportações de planos e crescimento de 9% nos produtos longos.
E quais são os fatores que inibem a ampliação do mercado? Bem, segundo o executivo-chefe do Sicetel, isso tem a ver com as ações do governo, que se assentam apenas pelo lado monetarista. “Nenhuma de nossas bandeiras – conteúdo local, câmbio competitivo e política industrial com visão de cadeia produtiva –, parecem estar no radar da equipe econômica”, aponta, sem meias palavras. Isso, sem falar de Reintegra mais robusto: “Do ponto de vista industrial, o governo deve rever a política de aplicação do Reintegra, elevando o seu porcentual até 5%, com porcentual proporcionalmente crescente em relação à agregação de valor em cada elo da cadeia produtiva metalmecânica”, emenda Pestelli.
Ainda de acordo com ele, nem mesmo as medidas que o governo já implementou ou pretende implementar são suficientes para estimular a recuperação do setor industrial. “Precisamos de aumento das linhas de credito com juros viáveis e de mecanismos de financiamento a custo competitivo para investimentos na modernização da indústria nacional. A taxa Selic teve forte queda, mas o spread bancário permanece extremamente elevado. E isto também, infelizmente, parece não estar no foco do governo, visto que se projeta uma redução forte dos recursos do BNDES”, lamenta.
Mas isso é apenas uma parte do problema. O presidente da entidade é enfático ao argumentar que, do ponto de vista político, o governo também precisa se empenhar na consolidação de questões mais amplas, tais como as reformas na Legislação Trabalhista, além de concluir o projeto de reforma da Previdência, bem como iniciar, de forma consistente, uma reforma Tributária.
Em termos de perspectivas do mercado de trefilação e laminação de metais ferrosos para 2018 e além, Daniele Pestelli acredita que a recente recuperação da produção da indústria automobilística sinaliza uma tendência positiva para a demanda dos produtos das empresas associadas à entidade. “Porem, ficamos preocupados com a perenidade dessa recuperação tendo em vista o fim do programa Inovar Auto e a indefinição quanto a Rota 2030”, pondera.
Além dessa, outra sinalização importante vem por conta de uma ainda tímida, mas constante, recuperação dos segmentos da construção civil e da linha industrial. “O agronegócio também tem avançado muito, mas ainda não sentimos o reflexo, na mesma proporção, em relação aos nossos fornecimentos de insumos para esse setor, tais como telas hexagonais, arames farpados e ovalados”, diz. “E, apesar da constatação de que a atividade industrial paulista cresceu 3,5% em 2017 em relação a 2016, segundo os dados do INA/Fiesp, vale lembrar que isso só se deu após três anos de forte queda. Ou seja, a indústria ainda está longe de recuperar plenamente a sua força. Mas está caminhando”, alimenta a esperança.
 
CENÁRIO OTIMISTA
Dados recentes do desempenho de diversos segmentos industriais setores fornecem indícios na direção da recuperação econômica. E esse é o caso, justamente, do setor de veículos automotores. No balanço anual divulgado no início de janeiro, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) confirmou algo que já era quase certo: 2017 foi o ano em que o Brasil mais exportou em toda a história. No total, foram 762 mil unidades exportadas, alta de 46,5% na comparação com as 520,1 mil de 2016. O melhor ano em exportação até então era 2005, com 724,2 mil unidades.
De acordo com a entidade, as exportações tiveram papel importante no desempenho da produção. No último mês do ano a indústria fabricou 213,7 mil unidades, acréscimo de 6,9% sobre as 199,9 mil de dezembro de 2016 e redução de 14,2% sobre as 249,1 mil de novembro. No ano foram produzidos 2,70 milhões de unidades, alta de 25,2% diante das 2,16 milhões de 2016. Enquanto isso, o licenciamento terminou 2017 com 2,24 milhões de unidades comercializadas, 9,2% acima das 2,05 milhões de 2016. Apenas no último mês foram 212,6 mil unidades licenciadas, alta de 4,1% tanto sobre igual período de 2016 quanto sobre novembro do mesmo ano. Simultaneamente, as estatísticas da Anfavea indicam que, em 2017, as vendas de caminhões somaram 51,9 mil unidades, aumento de 2,7% diante das 50,6 mil unidades do ano anterior. Na produção, o ano fechou com alta de 37%: foram 83,044 mil caminhões este ano e 60,5 mil no ano passado. E as exportações deles encerraram 2017 com 28,3 mil unidades, expansão de 31,3% ante as 21,6 mil unidades de 2016.
Já no segmento de ônibus houve registro de alta no licenciamento: 5,3% ao comparar as 11,8 mil unidades de 2017 com as 11,2 mil de 2016. A produção atingiu 20,643 mil chassis para ônibus – alta de 10,5% diante das 18,7 mil de 2016. E as exportações apresentaram leve queda: foram exportados 9,1 mil chassis para ônibus em 2017, 6,4% menor com relação as 9,8 mil de 2016. Por sua vez, as vendas de máquinas autopropulsadas no mercado interno, segundo a Anfavea, terminaram 2017 com 44,4 mil unidades negociadas, número superior em 1,5% sobre as 43,7 mil em 2016. A produção delas em 2017 totalizou 55 mil unidades, aumento de 1,8% comparado com as 54 mil unidades do ano passado. Enquanto isso, as exportações no segmento encerraram o ano com 14,1 mil unidades, o que significa expansão de 46,9% frente as 9,6 mil do ano passado.
Seguindo a tradição, a Anfavea apresentou também suas projeções para 2018 em nos diversos segmentos que representa. No total de autoveículos, a expectativa é de crescimento em todas as vertentes: 11,7% no licenciamento (2,50 milhões de unidades), 5% na exportação (800 mil unidades) e 13,2% na produção (3,06 milhões de unidades). Para o setor de máquinas agrícolas e rodoviárias, a projeção é de alta de 3,7% nas vendas internas, com 46 mil unidades, e crescimentos na exportação, de 9,9%, e na produção, de 11,8% – totalizando 15,5 mil e 61,5 mil unidades respectivamente.
Para Antonio Megale, presidente da Anfavea, a conjuntura macroeconômica indica cenário otimista, pois a inflação em baixa, câmbio estável e expectativa de crescimento do PIB possibilitam a retomada da confiança do consumidor e do investidor. “Mesmo sendo um ano com eleições e uma reforma previdenciária a ser aprovada, 2018 deve seguir rumo crescente na economia e na indústria automobilística”, avalia o executivo.
 
BOAS SURPRESAS
Em linha com essa dinâmica, a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) também divulgou estatísticas positivas relacionadas ao setor automotivo. De acordo com a entidade, os emplacamentos de todos os segmentos somados (automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus, motocicletas, implementos rodoviários e outros veículos) apresentaram alta acumulada de 1,33% em 2017, no comparativo com 2016, somando 3.216.761 unidades, ante as 3.174.598 registradas no ano anterior. Nesse cômputo, os segmentos de automóveis e comerciais leves também apresentaram crescimento no acumulado do ano, com uma alta de 9,36% sobre o ano anterior. Ao todo, foram emplacados 2.172.235 veículos desses segmentos em 2017, contra 1.986.303 do ano anterior.
Para o presidente da Fenabrave, Alarico Assumpção Júnior, o fechamento do ano de 2017 surpreendeu as expectativas da entidade. "Ao iniciar 2017, a projeção era negativa em mais de 20% e, ao longo do ano, as ações econômicas acertadas geraram efeitos positivos. Quedas sucessivas dos juros e da inadimplência, o aumento da empregabilidade e um melhor acesso ao crédito resultaram na melhora nos índices de confiança e expectativa do consumidor e do empresário, fazendo com que aumentasse o consumo, revertendo, assim, o cenário negativo inicial", argumenta.
Na Coletiva de Imprensa realizada o início de janeiro, a entidade também apresentou suas projeções de mercado para 2018. A expectativa é de manutenção do clima favorável às vendas para todos os segmentos, registrando novo ciclo de crescimento, podendo alcançar 10,3% com relação ao ano passadosomados todos os segmentos. Especificamente para os automóveis e comerciais leves, a expectativa é de alta de 11,9% sobre os resultados de 2017. Já para caminhões e ônibus, a Fenabrave projeta crescimento de 8,6%, sendo 9,5% para caminhões, 5,4% para ônibus e 7,8% para implementos rodoviários. A seu turno, o segmento de motocicletas poderá apresentar alta estimada em 6,5%. Finalmente, para os tratores a previsão é de alta de 5,1% e para colheitadeiras a estimativa de crescimento é de 5,4
 
INTERRUPÇÃO NA QUEDA
Ainda dentro do cenário da indústria automobilística, outros dados – desta vez apresentados pelo Sindicato Interestadual da Indústria de Materiais e Equipamentos Ferroviários e Rodoviários (Simefre) – dão conta de que o mercado de ônibus está defasado em quase 70% em relação há seis anos no Brasil. Mas as perspectivas são boas: “O setor ainda apresenta demanda crescente de ônibus rodoviário, uma vez que a licitação do sistema de autorização prevê que até 2020 a idade média da frota deverá ser de cinco anos. Hoje, ela é de 9,8 anos. Logo, o mercado terá que trocar entre 2 mil e 2,5 mil ônibus por ano, durante os próximos quatro anos”, aponta José Antonio Fernandes Martins, presidente da entidade.
Nesse âmbito, boa notícia, também, foi a recente liberação do governo junto ao Fundo Nacional de Desenvolvimento de Educação (FNDE), de uma licitação de 6 mil ônibus escolares do Programa Caminho da Escola. Pelos cálculos do Simefre, o setor ainda deve ser aquecido com a encomenda de mais 2,5 mil unidades pelo Programa do Ônibus Rodoviário, mais alguns de fretamento e turismo e o programa Refrota, ou seja, um crescimento de 12% a 15% para 2018 na comparação com 2017. “Uma maneira de contribuir para a recuperação do setor, foi a decisão das montadoras de colocar seus bancos dentro do sistema, para garantir para a Caixa Econômica Federal, que os financiamentos do Refrota terão 100% de garantia, processo que, acreditamos, começara a dar resultados no curto prazo”, destaca, ainda, Martins. Diante de tudo isso, o executivo assinala que o mercado rodoviário está crescendo: “No entanto, ainda apresentando números bem menores que em anos passados”, faz questão de registrar o executivo.
Dado significativo é que a indústria de implementos rodoviários parou de cair em 2017. De acordo com Alcides Braga, vice-presidente Simefre, o mercado está estabilizado em um patamar melhor, mas não ainda completo, porque o segmento de Reboques e Semirreboques conseguiu deixar para trás os balanços negativos, porém o setor de Carroceria sobre Chassis ainda permanece com retração. “De janeiro a outubro, segundo o balanço mais recente de nossa entidade, os emplacamentos de Reboques e Semirreboques totalizaram 19.974 produtos vendidos ante 20.090 unidades em igual período de 2016, o que representa retração de 0,58%. O setor de Carroceria sobre Chassi registrou retração de 13,76%, distribuindo ao mercado interno 27.711 produtos contra 32.134 unidades de janeiro a outubro de 2016”, pontua. A indústria entregou ao mercado interno de janeiro a outubro de 2017, 47.685 produtos contra 52.224 unidades em igual período de 2016. E o Simefre avalia que isso representa retração de 8,69%, no ano.
No campo das exportações, o ritmo é diferente. De janeiro a setembro foram entregues ao exterior 2.680 produtos, contra 2.914 no mesmo período de 2016, representando uma retração de 8,03%. “A expectativa é de que com a renovação com a Apex-Brasil por dois anos do programa de incentivo ao comércio exterior, as vendas nesse segmento apresentem comportamento positivo”, analisa Braga. Ele avalia que, de acordo com os dados preliminares, o mercado deverá encerrar 2017 com um ligeiro crescimento no número de veículos emplacados, algo em torno de 5% para o segmento Pesado. “No setor Leve a estimativa é ainda de retração e, portanto, no mercado geral podemos encerrar 2017 em um patamar de estabilidade sem variações positiva ou negativa”, sinaliza.
Sendo assim, a expectativa é que 2017 termine com o segmento pesado registrando 24.300 produtos contra 38.800 do Leve, o mesmo resultado de 2016. Pensando em 2018 a expectativa é fechar o ano com crescimento entre 15 e 20%. Esses números levam em conta a retomada gradual da economia. “A curva de recuperação tende a melhorar à medida que a economia nos centros urbanos reagir, fazendo com que as vendas de produtos do segmento de Carroceria sobre Chassi, voltem a crescer como as do setor de Reboque e Semirreboque. Outro fator importante que poderá influenciar positivamente 2018 são os dois mil produtos negociados na Fenatran. Esses Reboques e Semirreboques deverão completar a carteira de pedidos da indústria já no primeiro trimestre do ano. Em 2017 nesse período, a indústria atravessou momentos de elevada ociosidade”, finaliza Braga.
 
ESTABILIDADE SOBRE DUAS RODAS
Sofrendo sucessivas quedas desde a crise de 2008, o resultado da indústria de duas rodas em 2017 repercutiu um cenário de estabilidade. As fabricantes de motocicletas instaladas no Polo Industrial de Manaus (PIM) apresentaram esse quadro, considerado positivo, ao revelar os volumes de produção de 2017 em relação ao ano anterior. Segundo dados da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), foram fabricadas 882.876 motocicletas nos 12 meses do ano passado, enquanto, em 2016, 887.653 unidades saíram das fábricas, ou seja, uma diferença de apenas 0,5%. Os sinais da pequena evolução nos negócios do setor foram percebidos desde o último trimestre de 2017, quando foram produzidas 230.784 motocicletas, correspondendo a um crescimento de 30% sobre o volume de igual período de 2016 (174.654 unidades).
As vendas realizadas no atacado para as concessionárias no acumulado de 2017 totalizaram 814.573 unidades, queda de 5,1% na comparação com igual período de 2016 (858.120). Apesar disso, o repasse às lojas em dezembro (68.534) aumentou 22% na confrontação com o mesmo mês do ano anterior (56.155). Com base nos dados do Registro Nacional de Veículos Automotores (Renavam), as vendas para o varejo, por sua vez, totalizaram 851.013 unidades ao longo de 2017, queda de 5,4% sobre as 899.793 motocicletas emplacadas no ano anterior, desconsiderados os ciclomotores usados, cujo licenciamento junto aos Detrans passou a ser obrigatório a partir da Lei nº 13.154, de 30/07/2015, e da Resolução Contran nº 555/15, de 17/09/2015. Já as exportações tiveram alta expressiva de 38,6% em 2017 (81.789) na comparação com os 12 meses de 2016 (59.022). Na análise isolada de dezembro (7.107) foi calculado avanço de 11% sobre o mesmo mês de 2016, período em que foram exportadas 6.402 motocicletas. No entanto, na confrontação com novembro (7.677) houve uma queda de 7,4%. A Argentina foi o principal destino das motocicletas embarcadas para outros países em 2017, com 56.847 unidades. Em seguida aparecem Colômbia (7.767) e Estados Unidos (5.129 unidades).
“Os números de 2017 fortalecem o cenário de retomada dos negócios da indústria de motocicletas, o que transmite confiança em um ano com resultados positivos. Com o contínuo lançamento de novos modelos e a melhoria do poder de compra dos consumidores, inclusive com mais acesso ao crédito, as vendas devem se intensificar ao longo de 2018”, afirma Marcos Fermanian, presidente da Abraciclo. A estimativa do setor é de crescimento de 5,9% no volume a ser produzido em 2018.
A partir dos volumes realizados em 2017, a Abraciclo atualizou as variações das projeções do setor para 2018, que haviam sido divulgadas no início de dezembro passado e, portanto, ainda se encontravam baseadas em estimativas para o fechamento daquele mês.
 
Com base nos resultados de 2017 da Abraciclo, o Simefre também analisa o cenário para as motocicletas como “estável”. “E a estimativa para 2018 é de melhora no desempenho da indústria, principalmente por causa da estabilidade nos volumes de produção no fechamento de 2017. Além disso, alguns fatores econômicos geram perspectivas positivas, como por exemplo, possibilidade de maior oferta de crédito e aumento da confiança do consumidor”, avalia Paulo Takeuchi, vice-presidente da entidade.
 
FORÇA NOS PEDAIS
“Estabilidade” também é a palavra que define os resultados de 2017 para o mercado de bicicletas na comparação com 2016, quando foram produzidas cerca de 670 mil unidades dentro do Polo Industrial de Manaus. O balanço de janeiro a outubro de 2016 dá conta da fabricação de 575.891 unidades, o que representa um pequeno recuo de 1,7% na comparação com o mesmo período de 2016. “O mercado nacional, excluindo-se brinquedos (bicicletas para crianças) deve também fechar o ano com estabilidade, na faixa de 2,5 milhões de bicicletas”, arrisca uma preliminar dos dados ainda não consolidados o representante da entidade Cyro Gazola.
Em relação ao mercado externo Gazola diz que a expectativa é ter uma participação de 5% a 6% de produtos importados em relação à produção nacional. Segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), analisados pela Abraciclo, a importação de bicicletas em todo o território nacional totalizou em outubro, 23.371 unidades, volume 55,7% superior ao registrado no mesmo mês de 2016 (15.010) e 20,2% maior que o apurado em setembro (19.437). A maioria das bicicletas importadas no período foi produzida basicamente na China (21.819 unidades), em Taiwan (1.395 unidades), seguida da Espanha (111 unidades). No acumulado de janeiro a outubro foram importadas 116.117 bicicletas, alta de 1% em relação ao mesmo período de 2016 (114.987 unidades).
No final de 2016, as perspectivas do Simefre para o mercado de bicicletas 2017 eram mais positivas, com um cenário de sólido crescimento no mercado. No entanto, segundo Cyro Gazola, o fator que mais influenciou foi a instabilidade política, agravada logo nos primeiros meses de 2017, e em paralelo o ambiente de consumo que não foi favorável no primeiro semestre do ano. “Isso fez com que o mercado refizesse suas projeções”, registra. Para 2018, as previsões ainda não estão totalmente concluídas pelos fabricantes, dependendo muito dos resultados do final do ano, incluindo os eventos sazonais entre novembro e dezembro, para que as projeções sejam concluídas. “Pelas informações preliminares, com a melhora da situação econômica nos últimos meses e também pelos dados atualizados recentemente pela Abraciclo, o setor espera uma recuperação em 2018, juntamente com a melhora do cenário econômico em geral”, conclui Gazola.
 
SEM NOVAS ENCOMENDAS
Enquanto isso, a indústria ferroviária brasileira sofre com elevadas oscilações nas encomendas. Segundo dados preliminares do Simefre, os volumes de produção e entrega de veículos do segmento em 2017 deverão apresentar resultado negativo. “Deverão ser entregues 2,9 mil vagões de carga, 400 deles antecipados de 2018 (contra 3.903 em 2016), 81 locomotivas (contra 109 em 2016) e 310 carros de passageiros (contra 473 em 2016), representando uma expressiva queda, da ordem de 30%, em todos os tipos de veículos”, antecipa Vicente Abate, diretor do Simefre e presidente da Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (Abifer).
Em carros de passageiros não ocorreu nenhuma nova encomenda em 2017. Houve apenas uma concorrência no Brasil, de oito trens para a Linha 13 da CPTM (Aeroporto de Guarulhos), vencida por um fabricante chinês. E, no total, as exportações do ano passado deverão atingir 88 carros de passageiros para Argentina, Chile e África do Sul, já incluídos no volume acima mencionado. Materiais como rodas, truques e grampos de fixação foram exportados, porém em volumes menores, devido ao câmbio médio valorizado em relação a 2016. “Com isso, o faturamento total do setor em 2017 deverá ficar inferior ao de 2016, que atingiu R$ 6,6 bilhões, depois de dez anos contínuos de crescimento”, lamenta o executivo.
“Diante desse quadro, os fabricantes de carros tiveram que reduzir significativamente sua mão de obra, cuja redução só não foi mais dramática devido às exportações em curso e à execução de serviços de modernização de trens e fabricação de carros remanescentes de contratos nacionais que se encerrarão em 2018”, explica, por sua vez, o vice-presidente do Simefre Luiz Fernando Ferrari. Porém, ele destaca que com a retomada das obras da Linha 6 e o possível início das obras da Linha 18, ambas da Companhia do Metropolitano de São Paulo, além do lançamento do Trem InterCidades – TIC no trecho São Paulo a Americana e de uma possível licitação do Trem Goiânia a Brasília, a previsão é que esses projetos irão gerar importantes encomendas para a indústria brasileira nos próximos anos.
Segundo o 1º vice-presidente da Abifer Ricardo Ochôa, há, também, grande expectativa da indústria nacional de carros de passageiros de participar, em 2018, de licitação na Argentina para 1.352 carros, contando para isso com o apoio do governo federal através de financiamento do BNDES. “Essa licitação será uma das maiores do mundo nos últimos tempos, sendo o financiamento crucial para o sucesso das empresas brasileiras”, enfatiza.
Para 2018, um melhor desempenho da indústria de vagões de carga, locomotivas e materiais para via permanente dependerá da continuidade dos investimentos das concessionárias RUMO, VLI, MRS e VALE, que por sua vez continuam negociando com o governo a renovação antecipada de seus contratos, que vencerão em dez anos. “É de vital importância que as assinaturas de todos os contratos de renovações ocorram até o primeiro trimestre de 2018. Caso isso não aconteça, poderá haver mais perda de mão de obra na indústria, assim como atrasos significativos nos investimentos planejados pelo setor, pois os volumes de vagões e locomotivas serão os mais baixos dos últimos anos”, ressalta Abate. Ainda segundo ele, a produção e entrega de veículos para 2018 continuará em queda e está estimada em 298 carros de passageiros (94 para exportação), apenas 60 locomotivas e entre 2.000 e 3.000 vagões. “Os 3 mil vagões e as 60 locomotivas somente serão possíveis se as renovações ocorrerem até o primeiro trimestre de 2018”, registra, preocupado, o diretor do Simefre e presidente da Abifer.
 
NA ROTA 2030
Após ter enfrentando a pior crise de sua história, o setor de autopeças começa a registrar os primeiros sinais de crescimento sustentável, principalmente com o incremento das exportações, tanto de veículos quanto de autopeças. “Os anos de grande retração nos fizeram perceber que o mercado interno não deveria ser o foco principal”, sustenta Dan Ioschpe, presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças).
Projeções da entidade indicam que o faturamento nominal dessa indústria deve superar R$ 82 bilhões este ano, bem mais do que se previa meses atrás. Já as exportações brasileiras de autopeças, para 182 mercados, somaram US$ 6,78 bilhões no acumulado de janeiro a novembro, valor 13,3% superior ao registrado em iguais meses de 2016. Enquanto isso, as importações, de 158 locais, aumentaram 8,5% e alcançaram o total de US$ 11,8 bilhões. Com esses resultados, o déficit do país em autopeças aumentou 2,6% no período e chegou a US$ 5 bilhões, segundo informações do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), consolidadas pelo Sindipeças. A Argentina segue ocupando o primeiro lugar na lista de destinos de nossas exportações e agora a China, o topo no ranking de origem das importações.
Parte dos esforços do Sindipeças está também voltada para as definições do novo regramento para os veículos que serão comercializados no País, denominado Rota 2030. São medidas que não necessariamente precisam ser estabelecidas ao mesmo tempo, e que se originam em órgãos diferentes. É o caso do Refis, da reforma Trabalhista, da Inspeção Técnica Veicular e das propostas para regulamentação de 38 itens de segurança veicular por parte do Conselho Nacional de Trânsito (Contran).
“Para nossa entidade, o fato de o programa, como um todo, não ter sido anunciado no final do ano passado não representa um problema. Acreditamos que, além das medidas já determinadas em 2017, outras virão ao longo dos próximos meses, dando tempo para que seus aspectos técnicos e impactos sejam estudados com a devida cautela”, afirma o presidente do Sindipeças, acrescentando que os investimentos também devem crescer. “Todos esses são indicadores que comprovam o que tenho dito repetidamente: é inegável a resiliência da indústria de autopeças, que, em nenhum momento, foi ou é gargalo para a produção de veículos”, enfatiza Ioschpe.
Relacionados ao setor de peças de reposição, alguns fatores tem mudado as características do mercado brasileiro. Além da crise que assolou o país nos últimos anos, provocando uma mudança no perfil do consumidor, em função da perda de renda, outros fatores puderam ser identificados e comprovam essa assertiva. Nos últimos anos tem havido um aumento maior na produção e venda dos veículos urbanos.
No caso das bicicletas, por conta da difusão de ciclovias nas cidades e do incentivo que este veículo tem recebido dos órgãos públicos. “Como esses veículos consomem peças de reposição, a perda sentida no equipamento original foi compensada pelo aumento no mercado de reposição, fazendo com que o mercado de 2017 tenha se mantido alinhado a 2016”, explica Auro Levorin representante do Departamento de Duas Rodas (Partes e Peças) do Simefre, informando, ainda, que, em relação ao mercado externo, houve um aumento de 20% nos volumes importados em 2017, na comparação com o ano anterior. “Essa evolução foi fruto de importações represadas no ano anterior, pois se compararmos este volume ao de 2012, verificaremos uma redução de 26%”, destaca.
Já no setor de peças para motocicletas o mesmo fenômeno de urbanização citado anteriormente foi registrado e pode ser observado nas vendas de scooters, veículo essencialmente urbano e que vem substituindo tanto o transporte por automóvel, quanto o transporte público, em função da má qualidade destes e da falta de estrutura para os automóveis. Para 2018 a estimativa para o mercado de partes e peças tanto para bicicletas quanto para motocicletas é de um crescimento na ordem de 5%. “No mercado de reposição, devido ao já citado movimento de urbanização à evolução positiva da economia, estimamos um crescimento igual, 5% no mercado como um todo”, conclui Levorin.
 
O PIOR JÁ PASSOU
Alvo de quedas em seu faturamento nos últimos quatro anos, o setor representado pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) trabalha com boas expectativas de crescimento para 2018. Para a entidade, as diversas reformas implementadas pelo governo no ano passado para tentar recuperar a economia do país trouxeram tímido resultado, mas são algumas das iniciativas que despertaram interesse de investidores.
O presidente do Conselho de Administração da Abimaq, João Carlos Marchesan, se mostra otimista e revela que números confiáveis mostram que o pior da crise já passou e que há boas perspectivas de aumento no investimento. “A economia do país está melhorando, a inflação controlada e a taxa de juros finalmente começou ceder. Entendemos que demorou muito para baixar os juros no Brasil, mas agora sim ele começa a cair de uma forma real”, comenta.
Por outro lado, o executivo alerta sobre possíveis entraves que precisam ser revistos para assim facilitarem os futuros negócios de empresários. “Ainda temos o problema do spread bancário e também de financiamento. Precisamos de recursos que sejam compatíveis com o retorno das empresas”.
Quanto ao desempenho do setor de máquinas e equipamentos, Marchesan revela alta no número de aquisições durante 2017. “O otimismo vem porque depois de quatro anos de queda do consumo aparente de máquinas do Brasil e no faturamento do nosso setor, abriu-se uma grande demanda para o investimento”, pontua, reforçando a questão de que a indústria brasileira está defasada e precisa voltar a investir para ganhos de produtividade, concorrer no mercado internacional e dentro do país, e com isso demandar novas máquinas e equipamentos.
Ele espera para 2018 que o atual governo, e o que será eleito no próximo ano, escolha o crescimento econômico como prioridade, inclusive a fim de ajudar no indispensável ajuste fiscal. “Isto pressupõe fazer com que o setor bancário volte a financiar investimentos, produção e consumo com crédito abundante e juros decentes, além de uma política cambial que reduza a volatilidade da taxa de cambio mantendo-a num patamar que possibilite à indústria brasileira competir aqui e lá fora”, enumera.