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INDÚSTRIA AUTOMOBILÍSTICA
Pé no acelerador
 
Deixando a crise no retrovisor, a volta do crescimento da indústria automobilística brasileira já é uma realidade. O objetivo, agora, é prepará-la para as rápidas transformações tecnológicas do setor e, com isso, ser competitiva no mercado global.
 
Enquanto o “couro come” – como se diz no popular – na esfera política, a economia parece ter criado um distanciamento prodigioso dos acontecimentos em Brasília, dando significativas mostras de que o país está deixando, realmente, a crise para trás.
O Indicador Serasa Experian de Atividade Econômica (PIB Mensal) recuou 0,3% em março/17, descontado os devidos ajustes sazonais. Apesar desta queda, a atividade econômica terminou o primeiro trimestre com expansão de 0,9%, caracterizando, portanto, o fim da recessão econômica que se estendeu por dois anos, isto é, desde o início de 2015. Ainda de acordo com os economistas da empresa, a retomada da confiança de consumidores e empresários, a melhora na condução da política econômica, os recuos da inflação e da taxa de juros, aliados aos bons resultados da agropecuária e das exportações, contribuíram positivamente para tirar o país da recessão neste início de 2017.
Pelo lado da oferta agregada, aponta a pesquisa da Serasa Experian, a agropecuária foi o grande destaque positivo da atividade econômica do primeiro trimestre de 2017, crescendo 10,8% em relação ao último trimestre de 2016. O setor de serviços também teve desempenho positivo no primeiro trimestre de 2017, com alta de 0,3% perante o quarto trimestre de 2016. Já o setor industrial recuou 1,1% no primeiro trimestre de 2017. No acumulado do primeiro trimestre de 2017, quase todos os componentes da demanda agregada exibiram crescimento em relação ao último trimestre de 2016. As exportações foram o destaque com alta de 11,2% neste critério de comparação. Enquanto isso, os investimentos cresceram 1,3% e o consumo das famílias 0,3%. Por outro lado, os gastos do governo recuaram 0,6%. Já as importações, que entram com sinal negativo no PIB, avançaram 5,3% no primeiro trimestre de 2017.
Já o Índice de Preços ao Consumidor – Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do país, ficou em 0,31% no mês de maio, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esta é a taxa mais baixa para o mês de maio desde 2007, quando o índice foi de 0,28%. No acumulado do ano, o IPCA foi de 1,42% até maio, percentual bem inferior aos 4,05% registrados em igual período de 2016 e o menor acumulado até maio desde o ano 2000 (1,41%). Nos últimos 12 meses, o índice desacelerou para 3,60%, enquanto havia registrado 4,08% no mês anterior, a menor taxa para o período desde maio de 2007, quando ficou em 3,18%. O centro da meta de inflação estabelecido pelo Banco Central é de 4,5% no ano.
O melhor resultado da série histórica
Tudo isso combinado, também encontra ressonância na atividade de um dos setores maiores consumidores de aço no Brasil: a indústria automobilística. Por meio de um documento distribuído à Imprensa no dia 6 de junho, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) divulgou os resultados do segmento automotivo em maio e no acumulado do ano. Nos cinco primeiros meses de 2017, 1,04 milhão de veículos foram fabricados, alta de 23,4% frente as 840,4 mil de 2016. Somente em maio 237,1 mil unidades deixaram as linhas de montagem, expansão de 25,1% contra as 189,5 mil de abril e de 33,8% ante as 177,2 mil de igual período do ano passado. Já no âmbito do licenciamento de autoveículos novos, maio registrou 195,6 mil unidades, o que significa crescimento de 24,6% na análise com as 156,9 mil de abril e de 16,8% se defrontado com as 167,5 mil de maio do ano passado. No acumulado do ano, as vendas chegaram em 824,5 mil unidades, aumento de 1,6% frente as 811,7 mil de 2016.
Antonio Megale, presidente da Anfavea, destaca o resultado positivo dos primeiros cinco meses e reitera a importância da aprovação das reformas para a retomada: “É a primeira vez, desde o primeiro bimestre de 2014, que o acumulado do ano fica positivo sobre o ano anterior”, registra. Cauteloso, o executivo pontua, entretanto, que ainda é necessário aguardar o desempenho da indústria nos próximos meses, mas a sinalização é de que estamos de fato consolidando a estabilidade. “Porém, se as reformas propostas pelo governo forem aprovadas, o próximo passo é voltar a crescer”, enfatiza.
As exportações de veículos também cresceram: as 73,4 mil unidades enviadas para outros países em maio representam elevação de 21% no comparativo com as 60,7 mil de abril e de 51,1% contra as 48,6 mil de maio de 2016. Nos cinco meses já transcorridos do ano, 307,6 mil unidades foram exportadas, uma alta de 61,8% quando analisado com as 190,1 mil do ano passado. O resultado acumulado de 2017 é o melhor da série histórica.
Desenvolvimento de longo prazo
Todos esses números, por si, já são bastante eloquentes. Mas, embora isso aconteça, os riscos e perigos que orbitam o futuro da indústria automobilística no Brasil continuam presentes e bastante assustadores. Por conta disso, a Anfavea – em conjunto com os presidentes e principais líderes dos fabricantes de veículos no Brasil – se reuniu recentemente em Brasília com o presidente Michel Temer e com os ministros Henrique Meirelles, da Fazenda, e Marcos Pereira, da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, além de representantes de outros ministérios. O objetivo específico do encontro foi expor a criticidade da conjuntura setorial, que registra índices elevados de ociosidade nas fábricas, e apresentou o plano “Agenda Automotiva Brasil”, sua visão sobre os pilares necessários para um desenvolvimento sustentável de longo prazo.
“Nosso desejo é preparar o setor automotivo brasileiro para competir no mercado global, considerando as rápidas transformações que a indústria enfrenta no mundo todo. Por isso, trabalhar com um horizonte até 2030 é fundamental para o planejamento das empresas”, destaca Antonio Megale. “Daí, estabelecer um programa com prazo superior a dez anos representa um grande avanço para a indústria e para o Brasil, pois dará previsibilidade ao planejamento e investimento das empresas. Com a formação dos grupos de trabalho, compostos por representantes de vários ministérios e com participação da iniciativa privada, temos a expectativa de que todos os pontos avancem rapidamente e as regulamentações estejam concluídas até o fim deste ano”, continua o presidente da Anfavea.
Os pilares da “Agenda Automotiva Brasil” apresentados a Temer envolvem a recuperação da base de fornecedores, localização de tecnologia, pesquisa, desenvolvimento e engenharia, eficiência energética – que considerará as características do etanol como combustível limpo –, segurança veicular, inspeção técnica veicular, resolução de entraves logísticos, relações trabalhistas e tributação.