O melhor do Congresso Aço Brasil! Temas relevantes foram discutidos no evento.

O que está em jogo é a Siderurgia Brasileira! E como fazer para ela retomar seu posicionamento e voltar a crescer, ou pelo menos voltar ao patamar de dez anos atrás.

Henrique Pátria

Este foi o espírito e as questões colocadas em pauta no 30º Congresso Aço Brasil, promovido pelo Instituto Aço Brasil – IABr entre os dias 20 e 21 de agosto na capital do Brasil, Brasília e que contou com as presenças das mais altas autoridades do país, com destaque para o Presidente da República Jair Bolsonaro, presente no segundo dia do evento.

Temas de grande relevância foram cuidadosamente selecionados pela organização, visando aproveitar esta oportunidade impar de reunir os principais players nacionais e internacionais da siderurgia e uma grande plateia repleta de CEOs, Proprietários, Acionistas, Diretores de alto escalão nas empresas, Consultores, Especialistas e Políticos. Os temas escolhidos para os debates foram: "Competitividade e abertura comercial"; "A indústria de transformação é estratégica para o País?", "Crescimento Econômico − drivers de consumo" e "Futuro da Indústria Brasileira do Aço – A visão dos CEOs".

A revista Siderurgia Brasil, mais uma vez esteve presente realizando a mais completa cobertura e acompanhando todos os principais detalhes do evento.

A abertura ocorreu no dia 20 com a presença do presidente do Conselho do Instituto Aço Brasil, Sérgio Leite de Andrade, do presidente executivo, Marco Polo de Mello Lopes, dos conselheiros e as presenças do ministro de Estado Chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni e do ministro de Estado de Minas e Energia, Bento Albuquerque.

Já no dia seguinte a abertura do evento deu-se com a apresentação da Conferência Especial, proferida por André B. Gerdau Johannpeter atualmente Chairman da Worldsteel Association.

Logo no início de sua apresentação, chamou a atenção para o excesso de capacidade de produção mundial da siderurgia, pois há no momento, aproximadamente 400 milhões de toneladas excedentes de aço espalhados pelo mundo com natural concentração na China. Segundo André "Esta produção que é de 2.235 milhões de toneladas com um consumo de 1.840 milhões de toneladas, tornam a situação insustentável. Onde colocar este excedente é um grande desafio", que vem sendo discutida em todas as reuniões da WSA.

Apesar da China consumir cerca de 50% de todo o aço mundial, ela ainda produz um excedente fabuloso que é colocado nos quatro cantos do mundo. Além de ser a maior consumidora hoje ela é responsável pela produção de cerca de 50% de todo o aço produzido no mundo. Ao trazer a questão para o Brasil, afirmou que se compararmos o consumo per capita do Brasil que gira nos 70 kg com o chinês que beira 600 kg/ano, percebe-se que há muito a fazer em nosso país e o aço é fundamental para este desenvolvimento. Ele acredita que com a retomada do desenvolvimento econômico e, principalmente, com a evolução da tecnologia que promete cidades totalmente automatizadas em pouco tempo, o Brasil poderá evoluir muito. Por fim, ressaltou a importância do aço para o meio ambiente, pois este é um produto que ao contrário dos plásticos e outros derivados de petróleo tem um ciclo de vida que não termina devido a reciclagem constante.

Em seguida o Congresso recebeu a presença do Presidente da República, Jair Bolsonaro, que estava acompanhado de seu Chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni e foram recebidos pelo presidente do IABr, Sérgio Leite de Andrade e o executivo Marco Polo de Mello Lopes.

Ao saudar o Presidente da República Sérgio Leite anunciou o lançamento do índice de confiança da indústria do aço (ICIA) pelo qual o IABr, fará um mapeamento do desenvolvimento e das expectativas para os seis meses seguintes das indústrias siderúrgicas brasileiras. Sérgio Leite garantiu também ao Presidente todo o apoio e confiança de que as reformas que estão em curso principalmente a Reforma Tributária irão contribuir diretamente para o destravamento da economia e o início de um novo ciclo de desenvolvimento para nosso país. Salientou que o desenvolvimento da siderurgia está intimamente ligado com o crescimento econômico brasileiro.

Em seu discurso o Presidente Bolsonaro saudou os congressistas, agradeceu o convite e manifestou a satisfação de ver um grupo tão seleto buscando as alternativas para o Brasil. Mencionou que nesta 3ª feira já estava em vigor uma nova linha de crédito imobiliário, com juros mais baixos (taxa de 25% mais inflação − IPCA), que irá beneficiar diretamente a indústria da construção civil e, consequentemente, a indústria brasileira do aço. Segundo as palavras do Presidente esta iniciativa "vai revolucionar a construção civil, diminuir de 30% a 50% o valor da mensalidade para quem vai contrair empréstimo para comprar sua casa própria sendo uma alavanca para o setor da construção civil" .

Falou da medida provisória que desobriga a publicação de balanços em jornais impressos, o que representa uma economia de R$ 1,2 bilhão para o setor empresarial. Declarou também sobre o processo de desburocratização que já está aprovado no Congresso e que facilitará o desenvolvimento de iniciativas de cidadãos comuns que querem empreender. Mencionou que a questão da aproximação do Brasil, com os países desenvolvidos da Europa é um grande passo destes primeiros seis meses de governo. Por fim disse que cuidar do meio ambiente também é outra preocupação que está no radar de seu governo. A preocupação com saída de nossos bens minerais sem nenhuma recompensa para o Brasil, tem seus dias contados.

Por fim conclamou os empresários a investirem no Brasil, pois este é um país que tem tudo para dar certo.

Um dos pontos altos do Congresso foi a palestra proferida pelo professor Thomas Eckschmidt que é empreendedor e coautor do livro Fundamentos do Capitalismo Consciente, onde defendeu a união de ecossistemas e a mudança do modelo mental para os empresários brasileiros. Segundo ele é preciso envolver todos os colaboradores. É preciso trabalhar de forma coletiva para buscar o crescimento dos negócios e a melhoria da qualidade de vida de todos os agentes envolvidos na atividade, inclusive no meio ambiente.

Segundo ele, o importante para as empresas e para os negócios é ter alguém que esteja envolvido e faça parte efetivamente da equipe. Esta integração é fundamental. Ele disse que um indicativo é que enquanto sociedades cooperativas crescem cerca de 20% ao ano, com a participação de todos os envolvidos as empresas comuns crescem somente 5%. Por fim, disse que "Líder não é mais o cara que está lá na frente. É o cara que fica no meio, e que dá exemplos de cooperação e participação" motivando a equipe a buscar o sucesso.

No painel Competitividade e abertura comercial o assunto girou em torno de um tema que tem sido objeto de todas as mais recentes coletivas de imprensa patrocinadas pelo IABr, e que diz respeito a correção de determinadas assimetrias competitivas do produto nacional. A abertura comercial necessária do Brasil vem se chocar com o problema que encontram os empresários nacionais ao terem de enfrentar o chamado Custo Brasil e perder a competitividade.

Um dos participantes deste painel foi o Secretário especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais, Marcos Prado Troyjo, que insistiu de que o Brasil tem de se inserir na economia global, Segundo ele o governo atual quer fazer com que o país passe de uma nação "escondida do mundo", para uma nação onde o comércio exterior foi parte importante no desenvolvimento de seu povo.

Para o economista Antonio Corrêa de Lacerda, que participou do painel, a revisão do Custo Brasil é imprescindível para que as indústrias nacionais não sofram com uma abertura indiscriminada que venha matar a indústria nacional. Outros participantes seguiram na mesma linha dizendo que hoje, por exemplo, no setor do aço, todos continentes adotaram medidas restritivas ao recebimento de importações, a começar pela guerra comercial declarada entre EUA e China, que acabou sobrando farpas para o aço brasileiro. O Brasil, assim como os demais países da América Latina, são os únicos locais livres de restrição e isto precisa ser revisto urgentemente.

O próximo painel, A indústria de transformação é estratégica para o País?, contou com a presença de Secretário Especial Adjunto de Produtividade, Emprego e Competitividade do governo, Igor Calvet, que relatou em sua fala algumas das medidas já tomadas pelo governo Bolsonaro como a Medida Provisória da Liberdade Econômica, que reduz burocracias para criação de empresas pequenas. Descreveu alguns casos concretos e disse que o governo está trabalhando ativamente para melhorar este quadro e citou como exemplo o processo de privatizações que já está em curso e que colocará o Brasil em outro patamar. Os representantes da indústria participantes do painel, alertaram para o fato de que a industria brasileira está em queda livre em participação no PIB, uma vez que caiu de 36%, em 1949, para 11,3%, em 2017. Mesmo assim segundo os executivos a indústria continua fazendo altos investimentos em tecnologia e produtividade e está se preparando para enfrentar o desafio da "Indústria 4.0".

O painel seguinte, Crescimento Econômico – drivers de Consumo, foi aberto pelo Ministro de Estado Chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, que bateu na tecla de que precisamos transformar nosso país Brasil em uma nação. Mostrou todas as medidas já tomadas pelo governo no sentido de melhorar as condições de negócios no Brasil e monstrou em que estado elas foram entregues pelo governo passado. Ele chamou de "Revogaço" – a série de medidas e decretos que foram revogados pelo governo com o objetivo de reduzir a burocracia. Disse, por exemplo, que já foram mapeados 131 mil cargos de confiança ocupados por servidores admitidos sem concurso e em muitas vezes inaptos para a posição. Disse que já foram suprimidos 21 mil cargos e até o final do ano espera suprimir mais 25 mil cargos. Que foram cancelados cerca de 60 mil atos normativos que dificultavam de todas as formas ao país crescer e por fim um dado preocupante pois foram localizados empréstimos de cerca de 17 bilhões de dólares que ele considera a fundo perdido pois dificilmente retornarão.

A seguir os demais participantes apresentaram várias sugestões para que seja incrementado o consumo do aço, sendo uma das mais importantes a retomada de cerca de 4.700 obras da construção cívil que estão paradas em todo o Brasil e que já tem cerca de 2/3 da obra pronta. O presidente da CBIC, José Carlos Rodrigues, disse que obra retomada é emprego no dia seguinte, mas reconheceu que o governo sozinho não tem recursos para esta medida.

No último painel do dia, Futuro da Indústria Brasileira do Aço – A visão dos CEOs, os executivos de algumas das maiores siderúrgicas instaladas no Brasil, incluindo o presidente do Conselho do IABr, Sérgio Leite, que é o Diretor Presidente da Usiminas, tiveram a oportunidade de destacar os esforços de cada uma de suas companhias e os investimentos previstos para a continuidade do crescimento.

Chamou a atenção o fato de que a indústria siderúrgica tem uma ociosidade de cerca de 30% , mas os executivos anunciaram que nos próximos cinco anos são esperados investimentos na ordem de 9 milhões de dólares destinados a inserir definitivamente o setor no conceito da "Industria 4.0" e melhorar as condições de competitividade e de produtividade.

Todos esperam que muito rapidamente sejam removidas barreiras tributárias e operacionais através das reformas anunciadas pelo governo para colocar o setor no seu devido lugar em pleno crescimento.