Aços Utilizados na Cutelaria (parte final)

Eng. Antenor Ferreira Filho*

Como dissemos na primeira parte do artigo – apresentada na edição 133, maio junho da revista Siderurgia Brasil – o maior compromisso na fabricação de facas é equilibrar dureza com tenacidade. Nesta segunda e ultima parte destacamos os tipos de aço utilizados na fabricação das peças: aços ao carbono e inoxidáveis.

  1. PRINCIPAIS AÇOS UTILIZADOS EM LÂMINAS/FACAS E SUAS CARACTERÍSTICAS:

4.1 – FAMÍLIA DE AÇOS AO CARBONO:

- AÇO CARBONO 1075 – EQUIVALÊNCIA: SAE 1075 / AISI 1075

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Características gerais do aço: Aço com teor de carbono médio/elevado. Muito usado em construção mecânica em geral, sendo o aço inicial (mais básico) para uso em cutelaria. O nível do teor de carbono já é responsável por boa resposta a têmpera e revenimento, feita em óleo preferencialmente (têmpera em água já é muito severa para este material).

Tratamentos Térmicos:

- Forjamento: 900/1050° C, resfriando no forno.

- Recozimento: 780/850° C, com resfriamento em forno.

- Têmpera: 760/800° C, resfriamento em óleo.

- Revenimento: 100/200° C

Microestrutura final pós TR: Martensita revenida

Dureza típica pós Têmpera: 54/56 HRC

Dureza típica pós revenimento: 53/55 HRC

- AÇO CARBONO 15N20 – EQUIVALÊNCIA: 15N20 é originário da marca comercial Uddeholm /aço DIN75Ni8 / WNr. 1.5634.

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Características gerais do aço: Este aço é usado principalmente em combinação com os aços 1095, 1075, O1 e 5160 na fabricação de “AÇO DAMASCO”.

Suas principais características são:

  • Elevada tenacidade;
  • Microestrutura muito homogênea, com nível de inclusões extremamente baixo, o que proporciona grande resistência ao impacto e à fadiga;
  • Acabamento de superfície de excelente qualidade quando laminado a frio (brilhante), não apresenta falhas que poderiam concentrar tensões e servir como pontos de partida para a quebra por fadiga.
  • Permite ao fabricante produzir lâminas com baixo custo de produção.

Tratamentos Térmicos:

 – Recozimento: 950°C. Para eliminar as tensões estruturais causadas por forjamento ou desbaste. Tempo ideal, 1 hora.

- Têmpera: 820 a 850° C. Aquecimento lento e progressivo e resfriamento em óleo.

- Revenimento: ~350° C, para espessuras de até 6,0 mm.

Microestrutura final pós TR: Martensita revenida

Dureza típica pós Têmpera: 58/62 HRC

Dureza típica pós revenimento: 55/59 HRC

- AÇO CARBONO 1095 – EQUIVALÊNCIA: SAE 1095 / AISI 1095

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Características gerais do aço: Aço de alto teor de carbono. Muito usado em cutelaria para fabricação de facas tipo damasco ou mesmo em aço único, visto a excepcional propriedade de endurecimento. O alto teor de carbono propicia boa resistência ao desgaste e retenção de fio considerada boa para um aço carbono sem elementos de liga.

Tratamentos Térmicos:

- Forjamento: 900/1050° C, resfriando no forno.

- Recozimento: 780/850° C, com resfriamento em forno.

- Têmpera: 780/820° C, resfriamento em óleo.

- Revenimento: 100/200° C.

Microestrutura final pós TR: Martensita revenida + traços de Austenita retida

Dureza típica pós têmpera: 56/58 HRC

Dureza típica pós revenimento: 54/57 HRC

- AÇO CARBONO 5160 – EQUIVALÊNCIA: SAE 5160

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Características gerais do aço: É um dos aços mais difundidos para uso em cutelaria devido à facilidade de ser encontrado, sobretudo em “desmanches” de carros, onde é muito usado para fabricação de feixes de molas e “facões” de suspensão de Fuscas e Kombis. Tem como características uma boa temperabilidade, alta resistência a tração e fadiga. Na condição temperado sua dureza alcança níveis de 58 HRC, o que o torna muito procurado para cutelaria.

Tratamentos Térmicos:

- Forjamento: 900/1050° C, resfriando no forno.

- Recozimento: 760/820° C, com resfriamento em forno.

- Têmpera: 820/840° C, resfriamento em óleo.

- Revenimento: 100/300° C.

Microestrutura final pós TR: Martensita revenida + traços de Austenita retida.

Dureza típica pós Têmpera: 56/58 HRC.

Dureza típica pós revenimento: 55/57 HRC.

- AÇO CARBONO 6160 – EQUIVALÊNCIA: DIN 58CrV4

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Características gerais do aço: Aço para confecção de peças de construção mecânica, largamente utilizado em diafragmas de embreagem em autos, pode ser usado com sucesso em cutelaria devido a sua boa resposta ao tratamento térmico proporcionado pelo elevado teor de carbono e presença de elementos de liga. O cromo atua como formador de carbonetos e como redutor na velocidade crítica de resfriamento na têmpera proporcionando boa resposta em meios como óleo. Já o vanádio, além de formador de carbonetos tem forte influência ao elevar a temperatura de crescimento de grão da austenita sendo, portanto um forte refinador de grão, o que reflete em uma melhor propriedade obtida durante tratamento térmico de têmpera e revenimento.

Tratamentos Térmicos:

- Forjamento: 900/1050° C, resfriando no forno.

- Recozimento: 780/830° C, com resfriamento em forno.

- Têmpera: 820/850° C, resfriamento em óleo.

- Revenimento: 100/300° C.

Microestrutura final pós TR: Martensita revenida + traços de Austenita retida.

Dureza típica pós Têmpera: 56/58 HRC.

Dureza típica pós revenimento: 55/57 HRC.

4.2 – FAMÍLIA DE AÇOS FERRAMENTA:

- AÇO 52.100 – EQUIVALÊNCIA: WNr. 1.3505 / AISI 52100 / DIN 100Cr6

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Características gerais do aço: Aço com grande resistência para uso em ferramentas adequadas a trabalhos à frio. Usado também na confecção de pistas internas e externas de rolamentos. Apresenta excelente desempenho quando utilizado na produção de facas e lâminas.

Tratamentos Térmicos:

- Forjamento: 950/1150° C, resfriando no forno.

- Recozimento: 800/850° C, com resfriamento em forno.

- Têmpera: 840/850° C, resfriamento em óleo.

Recomendações: Antes de aquecer o aço até esta temperatura recomenda-se pré-aquecer o material a no mínimo 250/300° C lentamente. Durante resfriamento da têmpera a peça não deve ser resfriada até a temperatura ambiente. O resfriamento deve ser realizado até ~70° C e imediatamente deve-se efetuar o primeiro revenimento.

Microestrutura final pós TR: Martensita revenida.

Dureza típica pós Têmpera: 63/65HRC.

Dureza típica pós revenimento: 59/62HRC.

Deve ser feito no mínimo dois revenimentos e entre cada um deles a peça deve ser resfriada em ar calmo até a temperatura ambiente. A dureza será reduzida conforme a temperatura usada no revenimento, como pode ser observada no gráfico a seguir:

- Revenimento duplo: conforme dureza desejada – figura 7:

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Fig. 7 – Curva de revenimento aço 52.100

- AÇO O1 – EQUIVALÊNCIA: WNr 1.2510; DIN 100MnCrW4

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Características gerais do aço: Aço de média liga temperável em óleo. Possui alta resistência ao desgaste proporcionando boa retenção de fio de corte.

Tratamentos Térmicos:

- Forjamento: 950/1150° C, resfriando no forno.

- Recozimento: 750/820° C, com resfriamento em forno.

- Têmpera: 790/820° C, resfriamento em óleo.

Recomendações: Antes de aquecer o aço até esta temperatura recomenda-se pré-aquecer o material a no mínimo 250/300° C lentamente. Durante resfriamento da têmpera a peça não deve ser resfriada até a temperatura ambiente. O resfriamento deve ser realizado até ~60° C e imediatamente deve-se efetuar o primeiro revenimento.

- Revenimento duplo: conforme dureza desejada – figura 8:

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Fig. 8 – Curva de revenimento aço O1.

Microestrutura final pós TR: Martensita revenida.

Dureza típica pós Têmpera: 62HRC.

Dureza típica pós revenimento: 59/61HRC.

- AÇO D6 – EQUIVALÊNCIA: WNr 1.2436; AISI D6

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Características gerais do aço: Aço com grande resistência a abrasão usado para confecção de facas e moldes cerâmicos. Tem excelente retenção de fio no caso de facas.

Tratamentos Térmicos:

- Forjamento: 950/1150° C, resfriando no forno.

- Recozimento: 830/850° C, com resfriamento em forno.

- Têmpera: 950/970° C, resfriamento em óleo.

Antes de aquecer até esta temperatura recomenda-se pré-aquecer o material a no mínimo 250/300° C lentamente.

Recomendações: Antes de aquecer o aço até esta temperatura recomenda-se pré-aquecer o material a no mínimo 250/300° C lentamente. Durante resfriamento da têmpera a peça não deve ser resfriada até a temperatura ambiente. O resfriamento deve ser realizado até ~60° C e imediatamente deve-se efetuar o primeiro revenimento.

- Revenimento duplo: conforme dureza desejada – figura 9:

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Fig. 9 – Curva de revenimento aço D6.

Microestrutura final pós TR: Martensita revenida.

Dureza típica pós Têmpera: 63/65HRC.

Dureza típica pós revenimento: 59/61HRC.

4.3 – FAMÍLIA DE AÇOS INOXIDÁVEIS:

 

AÇO INOX 420 – EQUIVALÊNCIA: AISI 420

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Características gerais do aço: O aço AISI 420 está na extremidade inferior do espectro de qualidade, mas ainda é perfeitamente adequado para aplicações de uso geral. Tem um teor de carbono relativamente baixo (geralmente menor que 0,30%), o que torna a lâmina mais macia e, como resultado, a tendência é que ela perca o “fio” mais rapidamente do que os aços mais nobres. As lâminas feitas de aço 420 perderão rapidamente sua borda afiada durante um período de tempo relativamente curto. Dito isto, é tipicamente difícil com alta flexibilidade e extremamente resistente a manchas, mas não é particularmente resistente ao desgaste. Como seria de esperar, as facas feitas com este tipo de aço são geralmente de baixo custo, produzidas em massa. Pode ser considerado como a porta de iniciação à cutelaria de inox.

Tratamentos Térmicos:

- Forjamento: 950/1150° C, resfriando no forno.

- Recozimento: 840/880° C, com resfriamento em forno.

- Têmpera: 990/1030° C, resfriamento em óleo.

- Revenimento: 100/ 200° C – Pode-se obter uma melhora na dureza e tenacidade pós têmpera fazendo-se um tratamento sub-zero após a têmpera e antes do revenimento (aprox. -30° C)

Microestrutura final pós Têmpera: Martensita + carboneto + austenita retida (sem sub-zero) e Martensita + carbonetos (com sub-zero )

Dureza típica pós Têmpera – sem sub-zero: 52/56HRC

Dureza típica pós Têmpera – com sub-zero: 53/57HRC

AÇO INOX 1.4116 – EQUIVALÊNCIA: WNr. 1.4116; DIN X50CrMoV15

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Características gerais do aço: Aço inoxidável ao cromo de alto desempenho na cutelaria. O elevado teor de cromo, mais alto que o aço AISI 420 confere elevada resistência à corrosão. As adições de molibdênio e vanádio, fortes formadores de carbonetos propiciam elevada dureza, sendo que o vanádio atua principalmente como refinador de grão, propiciando estrutura refinada e excelente resposta ao tratamento térmico. Essa combinação proporciona elevada retenção do “fio” de corte proporcionando vida mais duradoura e menor necessidade de reafiações.

Tratamentos Térmicos

- Forjamento: 950/1150° C, resfriando no forno.

- Recozimento: 750/800° C, com resfriamento em forno.

- Têmpera: 1020°/1070° C, resfriamento ar ou óleo.

- Revenimento: 200/ 300° C – Pode-se obter uma melhora na dureza e tenacidade pós têmpera fazendo-se um tratamento sub-zero após a têmpera e antes do revenimento (aprox. -20° C).

Recomendação: para o caso de não efetuar-se têmpera sub-zero, recomenda-se efetuar duplo revenimento após têmpera para garantir melhor tenacidade.

PROCEDIMENTO DE T+R: O ciclo de tratamento térmico bem como as microestruturas e transformações típicas do processo, são apresentados na figura 10:

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Fig. 10 – Ciclo de tratamento térmico inox 1.14116.

O objetivo do tratamento térmico da têmpera e revenimento é fornecer ao aço inoxidável uma estrutura martensítica e uma dureza elevada. Consiste de um tratamento de austenitização a uma temperatura e tempo que possibilitem uma solubilização a mais completa possível do carbono e dos demais elementos de liga, seguido de um resfriamento rápido que resulte na transformação martensítica.

Os parâmetros que mais influenciam na estrutura e na dureza obtida são, além da composição química, a temperatura e o tempo de austenitização, bem como a velocidade de resfriamento.

A dureza passa por um máximo para temperaturas de austenização entre 1000 e 1100° C. Em temperaturas inferiores, ocorre a solubilização incompleta dos carbonetos que vai limitar o teor de C dissolvido na austenita e, portanto, o teor de carbono presenta na martensita resultante.

Por outro lado, para temperaturas superiores a 1.150° C, a dureza pode cair devido à presença de ferrita delta que pode se formar em função da composição, ou devido à presença de austenita residual para os aços de maior teor de C, uma vez que em temperaturas elevadas mais carbono e cromo são colocados em solução sólida e consequentemente abaixam a temperatura de inicio de transformação (Ms).

RECOMENDAÇÕES PRÁTICAS:

- A peça NÃO deve estar em contato direto com a soleira ou outra região do forno, deve ficar suspensa ou apoiada em uma grade;

- Aquecimento: A uma temperatura de Austenitização deve ser na ordem de ~1050° C (temperatura da peça). A temperatura da peça deve ser preferencialmente controlada/medida com um pirômetro;

- Tempo de encharque: Deve ser de aproximadamente 10 minutos após a peça atingir a temperatura de Autenitização (tempo estimado para um aço de espessura convencional para facas ~2,80 mm);

- Meio de resfriamento: Como meio de resfriamento pode ser utilizado ar forçado, desde que o ar soprado seja uniforme em toda superfície da peça;

- Por se tratar de um aço de alta liga, é inevitável a formação de Austenita retida, esta autenita pode ser minimizada com um tratamento suplementar sub-zero.

- Revenimento: Na sequencia a peça deve ser submetida a um tratamento de alivio de tensões (Revenimento) a uma temperatura adequada;

Microestrutura final pós Têmpera: Martensita + carboneto + austenita retida (sem sub-zero) e Martensita + carbonetos (com sub-zero ).

Dureza típica pós Têmpera – sem sub-zero: 55/57HRC.

Dureza típica pós Têmpera – com sub-zero: 57/59HRC.

Aço INOX BOHLER N 690 – EQUIVALÊNCIA: DIN X105CrCoMo18-2 (1.4528).

COMPOSIÇÃO QUÍMICA TÍPICA (% em peso):

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Características gerais do aço: Aço inoxidável ao Cromo, martensítico e com adições de Molibdênio, Cobalto e Vanádio. Indicado especialmente para ferramentas onde são desejados endurecimentos para altos níveis de dureza. O elevado teor de Cromo proporciona excepcional resistência à oxidação principalmente se estiver na condição de lixamento fino ou polido. Este aço é especialmente indicado para ferramentas de corte com grande necessidade de retenção de fio como por exemplo: facas especiais, instrumentos cirúrgicos, facas rotativas para indústria de alimentos, etc.

Microetrutura final após têmpera: Martensita + carbonetos

  • DUREZA TÍPICA PÓS-TÊMPERA: 60/62 HRC
  • DUREZA TÍPICA PÓS-REVENIMENTO: 58/60 HRC
  • CURVA TÍPICA DE REVENIMENTO PÓS- TÊMPERA:

No gráfico figura 11 é possível ver a variação da dureza do material após têmpera e durante o revenimento.

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Temperatura de revenimento

Fig. 11 – Curva de revenimento aço BOHLER N690.

Fonte de dados: MAXIME FERRUM + Catálogo BOHLER

Para obtenção dos maiores valores de dureza, o revenimento deve ser feito na faixa de temperatura de até 150° C.

Deve-se evitar revenimentos na faixa de temperatura de 350/500° C, pois apesar de haver uma elevação na dureza ocorre a fragilização do material (dureza secundária).

- Aço Inox BOHLER 440C – DIN X105CrCoMo17 (1.4525)

COMPOSIÇÃO QUÍMICA TÍPICA (% em peso):

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Características gerais do aço: Aço inoxidável ao Cromo, martensítico e com adições de Molibdênio. Indicado especialmente para ferramentas onde são desejados endurecimentos para altos níveis de dureza e resistência ao desgaste como rolamentos para alta resistência a corrosão.

A combinação dos altos teores de Carbono e Cromo garante formação de carbonetos extremamente duros propiciando alta resistência a desgaste e retenção de fio

TRATAMENTOS TÉRMICOS:

  • Forjamento: 900/1150° C, resfriando no forno.
  • Recozimento: 780/840° C, com resfriamento em forno.
  • Têmpera: 1000/1050° C, resfriamento em óleo.
  • Revenimento: 100/200° C.

Microetrutura final após têmpera: Martensita + carbonetos

  • DUREZA TÍPICA PÓS-TÊMPERA: 61 HRC
  • DUREZA TÍPICA PÓS-REVENIMENTO: 59/60 HRC
  • CURVA TÍPICA DE REVENIMENTO PÓS-TÊMPERA:

No gráfico figura 12 é possível ver a variação da dureza do material após têmpera e durante o revenimento. Para obtenção dos maiores valores de dureza, o revenimento deve ser feito na faixa de temperatura de até 150° C.

Deve-se evitar revenimentos na faixa de temperatura de 350/500° C, pois apesar de haver uma elevação na dureza ocorre a fragilização do material (dureza secundária).

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Temperatura de revenimento

Fig. 12 – Curva de revenimento aço inox BOHLER 440C.

Fonte de dados: MAXIME FERRUM + Catálogo BOHLER

Aço INOX SANDVIK 13C26:

COMPOSIÇÃO QUÍMICA TÍPICA (% em peso):

C

Cr

0,68

13,00

Características gerais do aço: O aço Sandvik 13C26 é um aço inoxidável martensítico, que após tratamento térmico caracteriza-se por: elevada dureza, ótima resistência à corrosão e excelente resistência ao desgaste.

Foi especialmente projetado para ser utilizado na fabricação de lâminas de navalhas, instrumentos cirúrgicos e também para diferentes tipos de facas industriais para processamento de alimentos. O alto teor de carbono foi especialmente balanceado para garantir estrutura formada por finos carbonetos secundários isenta, portanto dos grosseiros carbonetos primários que apesar de duros, são excessivamente frágeis.

O elevado teor de carbono e a estrutura extremamente refinada proporcionam elevada retenção do fio de corte proporcionando vida mais duradoura à lâmina. Após tratamento térmico a estrutura é constituída de martensita, fina distribuição de carbonetos e cerca de 15% de austenita retida, proporcionando uma ótima combinação de dureza, resistência ao desgaste, ductilidade e resistência a corrosão.

TRATAMENTOS TÉRMICOS:

  • Recozimento: 750/800° C, com resfriamento em forno.
  • Têmpera: 1050/1080° C, resfriamento em óleo.
  • Revenimento: 150/ 250° C.
  • Sub-zero: após têmpera a – 20° C (não obrigatório).

Recomendação: para o caso de não efetuar-se têmpera sub-zero, recomenda-se efetuar duplo revenimento após têmpera para garantir melhor tenacidade. Entre um revenimento e outro a peça deve resfriar-se até temperatura ambiente.

Microetrutura final após têmpera: Martensita + carboneto + austenita retida ( sem sub-zero)/ Martensita + carbonetos (com sub-zero)

  • DUREZA TÍPICA PÓS-TÊMPERA SEM SUB-ZERO: 57/59 HRC
  • DUREZA TÍPICA PÓS-TÊMPERA COM SUB-ZERO: 59/61 HRC.

DUREZA APÓS REVENIMENTO

No gráfico, figura 13 é possível ver a resposta de dureza deste material durante o revenimento.

Com revenimento a 150° C a dureza medida cai para pouco mais de 60HRC e a 250° C a dureza obtida ainda é de 58HRC.

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Temperatura de revenimento

Fig. 13 – Curva de revenimento aço inox SANDVIK 13C26.

Fonte: Dados Catálogo Sandvik.

Aço INOX SANDVIK 14CN28:

Características gerais do aço: o aço 14C28N é um aço inoxidável martensítico ao cromo, fabricado na Suécia pela Sandvik, com a composição química otimizada para a máxima performance e para aplicação na fabricação de facas profissionais de alta qualidade. Sua composição química proporciona uma combinação única visando maximizar as seguintes características:

- excelente retenção de fio

- alta dureza

- alta resistência à corrosão

O Sandvik 14C28N é especialmente recomendado para aplicação em facas cujas aplicações exigem boa retenção de fio e estabilidade do mesmo (característica principal deste aço) como por ex.: canivetes de bolso, facas de “chef”, de caça e de pesca.

COMPOSIÇÃO QUÍMICA TÍPICA (% PESO):

C

Si

Mn

P

S

Cr

N

0.62

0.20

0.60

≤ 0.025

≤ 0.010

14.0

0.11

O teor de carbono irá proporcionar uma resposta à têmpera excelente, além de garantir a não existência de carbonetos grosseiros como existentes nos aços de teores mais elevados de carbono, que resultam em fragilidade, dificuldade de reafiação e arranchamentos (dentes no fio).

O Nitrogênio irá proporcionar aumento da resistência mecânica e dureza, influenciando também decisivamente na resistência a corrosão.

CONDIÇÃO DE FORNECIMENTO:

Chapas recozidas e decapadas nas seguintes dimensões:

Espessuras: mínima 1,0 mm e máxima 4,5 mm

Largura: 380 mm / Comprimento: de 0,5 a 4,0 metros

TRATAMENTO TÉRMICO:

  • Têmpera:

Não difere dos aços inoxidáveis martensíticos tradicionais: aquecimento a 1050° C, manutenção na temperatura por 5 minutos e resfriamento em óleo, tornando-o vantajoso em relação aos demais aços mais complexos.

  • Revenimento:

O gráfico figura 14 mostra a resposta do 14C28N ao tratamento e revenimento após têmpera com a dureza obtida a cada temperatura de revenimento:

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Fig. 14 – Curva de revenimento aço inox SANDVIK 14CN28.

Fonte de dados: Catálogo SANDVIK

A partir de 100° C começa a haver uma queda na dureza inicial de 61HRC. A 200° C a dureza obtida após revenimento é de 58,5HRC e a 250° C obtém-se dureza de aprox. 57HRC. (dados de uma espessura de 2,5 mm e tempo de revenimento de 30 minutos)

Deve-se seguir estritamente a temperatura de austenitização para obter-se a correta estrutura. Nas figuras a); b) e c) pode ser verificada a importância da correta temperatura:

  1. Temperatura de têmpera muito alta:

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Temperatura alta de austenitização gerará estrutura grosseira com alto teor de austenita retida (cerca de 30%) e poucos carbonetos. Consequência: baixa dureza e péssima resistência ao desgaste (retenção de fio).

  1. Temperatura de têmpera baixa:

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A baixa taxa de resfriamento após austenitização gerará precipitação de carbonetos nos contornos de grãos. Consequência: fragilidade e baixa resistência a corrosão.

  1. Temperatura correta de têmpera:

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A correta temperatura gerará uma otimização do teor de austenita retida (aprox. 15%) e uma distribuição uniforme de carbonetos pela matriz. Consequência: melhor combinação possível de dureza, resistência ao desgaste, ductilidade e resistência a corrosão.

A máxima dureza é obtida com o teor de austenita retida de cerca de 15%. Pode-se aumentar a dureza através de resfriamento sub-zero, porém o aumento não é tão significativo, sendo de aproximadamente 1 a 2 HRC.

*Antenor Ferreira Filho - Doutor em Engenharia Metalúrgica e Materiais pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (EPUSP-2005). Mestre em Engenharia Metalúrgica e Materiais pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (EPUSP-2000). Pós-graduado em Engenharia de Produção (FEI -1984); Engenheiro Metalurgista graduado pela Faculdade de Engenharia Industrial (FEI -1981); Técnico Metalurgista pela Escola SENAI de Osasco (1975). Consultor independente na AFF - Consultoria desde Jan/15.

E-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

(*) Nota do Editor: A primeira parte deste artigo foi apresentada na edição 133 da revista Siderurgia Brasil.