Virando a chave, com eficiência e eficácia

A Transformação Digital faz parte de um processo muito maior, que é chamado de progresso tecnológico e acontece por meio da Digitalização do negócio.

Marcus Frediani

A Transformação Digital é mais do que apenas Marketing ou Tecnologia. Segundo explica nesta entrevista exclusiva Carlos Tabosa, diretor de negócios da OPAH IT Consulting, consultoria de inovação em TI com oito anos de atuação, ela é, de fato, um desafio de gestão. Em outras palavras, trata-se de uma mudança radical na estrutura das organizações, a partir da qual a tecnologia passa a ter um papel estratégico central e não apenas uma presença superficial.

Assim, a Transformação Digital faz parte de um processo muito maior, que é chamado de progresso tecnológico e acontece por meio da Digitalização do negócio. A Digitalização é a conversão, é o processo. A Transformação Digital é o efeito. E a boa notícia é que apesar de levar tempo para ser finalizada e consumir recursos, a Transformação Digital pode ser implantada em qualquer empresa até porque isso não se resume a quem tem mais dinheiro.

O assunto está em alta não por uma questão de modismo, mas por ser uma das missões de um em cada três CEOs das 3.000 maiores empresas da América Latina. E o ano de 2019 deve ser de extrema importância para as companhias brasileiras que ainda não iniciaram esse processo. Confira, a partir de agora, os muitos “porquês” que justificam essa afirmação.

Siderurgia Brasil: Fazendo uma análise fria, ao contrário do que muitos empresários pensam, a Transformação Digital parece ter muito mais a ver com a desconstrução, dos ambientes corporativos clássicos e do mindset das pessoas do que com a implementação de novas tecnologias na empresa. Como você analisa essa visão?

Carlos Tabosa: Sem dúvidas o lado humano, que costumo chamar de cultura, é o principal pilar que deve ser trabalhado de toda essa complexidade para se obter a transformação digital. A evolução tecnológica dentro da companhia é fundamental para que a mesma viva no mercado atual, logo, sem evolução em sua plataforma tecnológica, sua empresa sofrerá com a forte concorrência e grande pulverização de qualquer segmento de negócio hoje em dia. No entanto, a tecnologia é apenas um dos três pilares que compõem a transformação digital, os resultados dela não serão completamente obtidos sem as ações devidas em pessoas (cultural) e processos. Cuidar da cultura, tecnologia e processos de forma gradual, emparelhada e mantendo uma sintonia, irá gerar resultados no sentido da transformação digital. Descartar qualquer dos três pilares é jogar contra este objetivo. Tudo isso é feito por pessoas, logo, o cultural é o principal dos pilares.

 

Certo! Mas como romper os “silos” mentais que cercam a reinvenção do mindset da empresa para fazer valer a verdadeira inovação?

Fundamental dizer que não é da noite para o dia e, para este fim, ter um RH que compreenda este objetivo é crucial para o sucesso. A liderança de RH deve entender esse novo cenário mundial e contribuir para que as pessoas tenham as skills necessárias nesse processo. Treinamentos internos, avaliação de soft skills dos funcionários atuais (iniciando pela liderança), mensagens diárias e eventos corriqueiros são alguns dos exemplos práticos pa-
ra que todos caminhem em uma mesma direção.

E no caso das contratações, o que as empresas devem atentar?

Bem, as novas contratações devem ter premissas que tenham as soft skills necessárias. Talvez demissões e substituições devam ser feitas, desde que esteja claro para todos que isso é uma necessidade absoluta e precisa ser feito. A liderança –, de coordenadores/líderes até diretores e VPs – deve ser treinada para que tomem as melhores decisões no dia a dia.

Isso implica dizer que os processos da empresa também precisam ser revisados a fundo, correto?

Sem dúvida. Mais do que revistos, processos antigos devem ser desburocratizados. Analisar a concorrência é importante, especialmente, nesse caso. Os próprios líderes engajados com a causa podem rever os processos existentes. E é importante ressaltar também que a inovação não deve ser algo inerente apenas a uma pessoa ou área. Assim, promova a inovação em cada colaborador e permita-se mais erros, mediante testes e resultados.

Dentro do preceito de que o “olhar exterior” voltado para a empresa sempre consegue ampliar o range dessa visão, a colaboração das startups pode ser a resposta na medida para gerar tal mudança tão necessária para a empresa se adequar aos novos tempos e às novas realidades?

Conhecer o maior número possível de startups de seu segmento de negócio faz a diferença nas escolhas de seus objetivos e deve ser parte importante da conversa entre a liderança. Não apenas para fazer igual, mas para entender como o resultado de negócio daquela pequena empresa está afetando ou irá afetar o seu cliente. Isso é caso de vida ou morte, caso uma startup quebre paradigmas e entregue valor bem antes de você.

Como as startups podem fazer isso, a fim de vencer resistências internas produzir avanços sensíveis e verdadeiros na dinâmica empresarial?

As startups devem servir de referência e, em caso de sucesso de algumas dela, que sirva de espelho. Agregar valor ao cliente é o que te fez crescer ou te fará crescer e muitas startups têm esse paradigma como missão da empresa e, por isso, atingem sucesso.

Onde os empresários podem encontrar seus parceiros ideais?

As startups estão em feiras, eventos gerais, exposições e reuniões para se obter financiamento... Não é difícil encontrá-las.

E como “vender” eficientemente a ideia para os colaboradores da organização?

O importante é o empresário estimular esse conhecimento para seus colaboradores e compreender a diferença que a parceria fará no dia a dia da operação de sua empresa. Muitas pessoas não admitem, mas ninguém sai de casa para fazer um trabalho ruim ou não empenhar um bom papel. Se a liderança for acolhedora e parceira, conseguirá fazer com que esses funcionários tragam ideias que produzam avanços. Uma boa dica é criar um pequeno fórum nos times da empresa, para que as pessoas dediquem pelo menos meia hora por semana para votar em algo como “A Melhor Ideia da Semana”. O resultado pode ser algo bastante surpreendente.

Nesse processo, que é muito dissonante de tudo que rima com a ortodoxia empresarial, os riscos podem ser enormes e erros, fatalmente, podem acontecer. Como lidar com eles?

Aceitar falhas é tão importante que deveria se tornar um dos valores de sua empresa e, caso não seja a sua empresa, leve esse conselho adiante. Claro que você não vai investir em algo com zero de experimentação. Então, a dica é: experimente e experimente de novo! Faça experiências em menor volume com um cenário controlado onde em caso de insucesso nenhum dos seus números sejam impactados. Após muitas experimentações, leve os resultados para frente para quem sabe aplicar formalmente tal ideia. Isso vale para qualquer tipo de inovação: disruptiva, processual, agilidade e afins.

Nesse cenário, qual é o papel e a melhor postura dos líderes?

Eles têm que dar condições para seu time de colaboradores testar o que vale a pena ser testado, e apoiá-los em caso de insucesso. Tornar isso uma rotina é uma forma inteligente e produtiva para, uma hora, certamente colher bons frutos.

Em outras palavras, isso tem a ver com a necessidade de a própria organização desenvolver sólidas capacidades de enfrentar riscos e vencer o medo de “não errar”, principalmente em função da observação e da ampliação de suas metas de produtividade, de se proteger contra o avanço feroz da concorrência e, em última análise, de sua autopreservação e da garantia de sua própria sobrevivência.

Com certeza. A autopreservação e garantia de sobrevivência são importantes para os negócios e devem, sim, existir. Mas, quem sabe, ao promover uma inovação não se consiga alcançar as metas de forma mais rápida? Deve-se refletir muito também sobre este aspecto. Em resumo, tome riscos controlados, mas tome!

De acordo com algumas pesquisas desenvolvidas por empresas especializadas, o papel da TI está mudando, passando de uma função meramente tática para a de catalisadora de negócios. No entanto, o aumento da necessidade de suporte de TI das empresas se reflete no número crescente de projetos que a TI precisa obrigatoriamente fornecer, gerando um verdadeiro “enxame” de aplicativos minimamente integrados entre si. Em outras palavras, com investimentos cada vez maiores em novas tecnologias, as organizações estão vendo os desafios de integração atrapalharem suas próprias iniciativas de Transformação Digital. Como resolver esse imbróglio?

Ainda se confunde muito Inovação Digital com tecnologia. Mas, como já reforçamos acima, é muito mais do que isso. Criar aplicativos e aplicações sem ter uma estratégia de negócio associada e ampla é apenas gastar muito dinheiro (tecnologia é cara!) para tentar ser mais atrativo para seu cliente. A decisão de construir um aplicativo não é tecnológica, mas, sim, estratégica. E, por isso, deve estar completamente integrada para se obtenha resultados satisfatórios. A tecnologia puxa as empresas atualmente, mas a direção para onde puxa é definida pela estratégia. Ou seja, com “tecnologia por tecnologia”, não se alcança resultados.

E se Transformação Digital é mais do que apenas marketing ou tecnologia – na verdade, uma mudança radical na estrutura das organizações, a partir da qual a tecnologia passa a ter um papel estratégico central e não apenas uma presença superficial –, qual a melhor (ou melhores) forma(s) de orientar a questão do progresso tecnológico do negócio? E qual é, também, a melhor forma de mensurar os resultados, para saber se a empresa está trilhando o caminho certo?

Como eu já disse, Transformação Digital é algo maior e mais relevante que simplesmente tecnologia e deve ser um assunto de pauta nas reuniões mais estratégicas da companhia. A medição deste item é difícil e as conclusões não são rápidas, mas esse é o caminho. Não há outra saída caso você queira impactar melhor seus clientes e seu mercado. Para sua empresa que deseja ser duradoura, é mais um motivo para iniciar ações no sentido da transformação digital. As futuras gerações serão ainda mais conectadas e exigentes e também terão mais opções de escolhas. Então, o seu olhar como executivo tem que estar voltado para pessoas e com elas você também enxergará como melhorar seus processos e suas plataformas tecnológicas rumando, assim, para a Transformação Digital.

Para finalizar, que tipo de suporte vocês, da OPAH IT Consulting, podem oferecer no sentido de contribuir para que as empresas realizem esse leque de transformações que, a cada dia, se tornam cada vez mais necessárias?

Bem, nós ajudamos a operacionalizar e colocar em prática todos esses assuntos abordados para que se encaminhe para a Transformação Digital. Consultores que somos, apoiamos as empresas por meio de instruções e treinamentos, análise de dados e processos, conclusões e ações direcionadas. Paralelamente, com desenvolvedores de tecnologia, apoiamos também em construção de canais digitais, integração de sistemas, manutenções/correções e aplicação de KPIS, que são “veículos de comunicação” que permitem que o corpo de gestores de uma organização comunique aos seus liderados o quão eficiente um processo é, e como está seu desempenho ao longo de um período determinado.