Estamos nos últimos momentos de 2018 e ninguém poderá dizer que não tenha vivido grandes emoções ao longo de todo o período. Amadurecemos e crescemos, mas passamos momentos de interrogação, de dúvidas e de ansiedade, porque foi impossível planejar algo para os três meses subsequentes e diante da incerteza jurídica que vivemos principalmente em nossa política, ainda não dá para cravar com certeza o que acontecerá daqui por diante. Vamos ter de esperar pelo menos seis meses do novo governo para termos um panorama mais definido.

No entanto, neste momento há uma boa sensação uma vez que conseguimos, de forma democrática, afastar o grupo que provou por todos os indicativos, absoluta incompetência para administrar nosso país e pior do que isto, trabalhou para a formação de um circulo de corrupção que superou tudo o que o mundo civilizado já viu. A esperança está voltando e como indicador disto o índice de confiança dos empresários ligados à industria, que é um levantamento feito pela Confederação Nacional da Indústria – CNI, chegou a 63,2 pontos agora em dezembro que é a maior pontuação alcançada desde 2010. Só para se ter um parâmetro, esta medição em 2015 girava em torno de 35 pontos.

O setor siderúrgico que é um dos principais players de desenvolvimento do Brasil está assegurando que fecha o ano com um crescimento na ordem de 8,9% e já prevê que em 2019, em uma avaliação conservadora, o crescimento das vendas internas deve crescer ao redor de 6%.

Nas próximas páginas apresentamos uma síntese da gangorra de 2018 com uma breve retrospectiva dos acontecimentos que foi retratado nas páginas das diversas edições da revista Siderurgia Brasil.

Fevereiro de 2018 – Anuário Brasileiro da Siderurgia

AS2018 capaComeçamos o ano com o mundo amargando um superávit mundial na produção de aço na casa das 735 milhões de toneladas de aço, sendo que só a China concentrava um excesso na casa dos 405 milhões de toneladas. Aqui no Brasil o caminho da retomada tornava-se lento em excesso e a maioria dos presidentes de entidades que entrevistamos naquela edição se diziam esperançosos, porém sempre com um pé atrás. O presidente da Confederação Nacional da Indústria – CNI, Robson de Andrade disse: “São necessárias ações abrangentes para enfrentar a perda de dinamismo e reverter esta tendência. Este sentimento precisa estar presente em toda a sociedade: os riscos atuais de toda a indústria são um problema para todo o país. Por tudo isto é crucial por a indústria no centro da estratégia de crescimento do país”. Já Paulo Skaf, presidente da Fiesp, que mais tarde viria a se candidatar a governador do estado, afirmou que em estudo realizado pela entidade que dirige, haviam fortes sinais do começo da retomada da economia em 2018, mesmo que a passos lentos. O presidente do Inda e Sindisider, Carlos Loureiro, alertava para o fato de que a atividade do distribuidor e revendedor de aço deveria ser rediscutida, pois a cada dia, vinha caindo principalmente porque as usinas vinham tomando o espaço dos distribuidores e também pelo papel dos importadores que atuavam diretamente, ocupando o espaço que anteriormente fora dos distribuidores. Quem estava mais à direita e com um cenário otimista era o presidente da Anfavea, Antonio Megale. O setor vinha de um ano em que em função da valorização do dólar tinha batido todos os recordes de exportação e alguns setores como o de caminhões cresciam muito acima dos índices de crescimento da economia. Na mesma linha, o presidente da Fenabrave Alarico Assumpção Junior comemorava, pois os números finais do setor superaram todas as melhores projeções que haviam sido feitas. O mesmo comportamento de estabilidade com algum crescimento foi experimentado por setores como o de veículos sobre duas rodas, ou seja, as bicicletas e as motocicletas, que demonstraram crescimento linear ao longo do período. Complementando a análise o presidente da Abimaq, João Carlos Marchesan assegurou que “o pior já passou”, pois todos os indicativos mostravam a interrupção da queda e uma leve tendência de alta. Entendia que ainda seria um ano difícil, pois com a realização das eleições por certo iria parar o país por algum tempo.

Na mesma edição Guto Ferreira, presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial – ABDI, alertava para o atraso do Brasil em relação à 4ª Revolução Industrial, também chamada de “Indústria 4.0”. Para você ter condições de competitividade em um mundo altamente automatizado era necessário que rapidamente fossem dirigidos esforços para que as empresas brasileiras de engajassem neste esforço. No Brasil a burocracia estatal, a falta de vontade e de atitudes políticas, a lentidão das reformas, a ausência de linhas de crédito e o delay tecnológico abriram imensas lacunas entre o mundo moderno, representado pelos avanços como nos Estados Unidos ou na Coréia do Sul e nós que integramos o 3º mundo. A pergunta que ficou no ar e creio que até hoje não foi respondida é como equacionar todas as diferenças e ao mesmo tempo avançar.

Ainda tivemos matérias sobre as perspectivas da construção utilizando elementos siderúrgicos, para enfrentar a brutal defasagem de residências que vivemos por aqui e um panorama de como se comportaram os principais metais não ferrosos, nas bolsas do Brasil e do mundo.

SB127 capaMarço/Abril – Edição 127

No dia 8 de março havia sido decretada a “Guerra Comercial” pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump e imediatamente o Brasil constituía uma força tarefa envolvendo representantes do Instituto Aço Brasil – IABr, dirigentes de usinas e representantes do governo que integraram várias missões à terra de “Tio Sam” para definir a posição brasileira do setor. Tudo ficava por conta da chamada “resolução 232” imposta pelos norte americanos que nada mais é do que uma medida de segurança nacional impondo limites às importações visando preservar a indústria americana. Felizmente, o Brasil ganhou um tempo de 30 dias para discutir o assunto, tendo ficado fora da taxação imediata até encontrar, em um breve espaço de tempo, qual seria a fórmula utilizada. Mas de antemão já se sabia que iríamos ter de enfrentar retaliações e o pânico aumentava à medida que as discussões se aprofundavam, principalmente por se tratar do principal destino de nossas exportações de aço. Mais adiante a fórmula encontrada foi a de definir cotas para os produtos brasileiros, com base nas exportações dos últimos anos.

Na mesma edição fizemos uma longa e proveitosa matéria com Sergio Leite, presidente da Usiminas. Após um período de intensa turbulência, não só comercial como também entre os seus principais acionistas, chegou-se a um denominador comum e Sergio Leite seria confirmado para a presidência por um período mais longo (até 2022) e voltava ao caminho que sempre ocupou no cenário nacional.

Uma ótima notícia foi o religamento do alto-forno em Ipatinga, que estava desativado desde 2015. Sergio Leite demonstrava todo o seu entusiasmo e disse: “Nossa expectativa é que o ambiente de negócios em 2018, seja marcado por um crescimento generalizado em todos os setores, em maior ou menos intensidade, destacando um patamar entre 1% e 3% no setor de construção civil, entre 5% e 8% na área de máquinas e equipamentos e 13% para o setor de autoveículos”. Destacou ainda que a empresa havia corrido o risco de uma recuperação judicial em 2016, mas felizmente isto não ocorreu e a revitalização da empresa já era sentida principalmente pela elevação da nota de crédito internacional de três das principais agências reguladoras como Fitch, Moody’s e a Standard e Poors.

Já que se falou em mercado imobiliário em uma reportagem exclusiva falamos com José Carlos Martins presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção e Celso Petrucci, presidente da Comissão da Indústria Imobiliária da mesma CBCI e economista chefe do Secovi.

Ambos afirmaram que fatores econômicos e cenários da economia de 2018 apontavam para um crescimento da atividade e retomada de rumos. Mesmo revelando certo otimismo a todo o momento era lembrado que o Brasil, tem de atacar e resolver as principais reformas que urgem para a retomada do crescimento. Segundo Martins “Não há segurança jurídica para que novos investidores apareçam”.

SB128 capaMaio/Junho – Edição 128

O Brasil passou por maus momentos com a greve dos caminhoneiros. A categoria conseguiu realmente paralisar o Brasil. Sem entrar no mérito das reivindicações, um país que depende em mais de 90% de sua mobilidade e sua logística através de estradas, não tem chances de superar um movimento orquestrado como foi este. As consequências sobraram para todos nós brasileiros e ao contar os prejuízos espalhados por todos os lados, contabilizou-se em bilhões de reais o total da perda. Para o setor da siderurgia, que com muitas dificuldades vinha se recuperando dos anos em que a atividade só via cair suas perspectivas, foi um banho de água fria, agravada pela medida que o governo teve de tomar para contornar a crise, que foi cancelar o Reintegra – um mecanismo pelo qual as empresas exportadoras se ressarciam dos impostos cobrados em cascata ao longo do período produtivo – que caiu de 2% para 0,1%, com este número só mantido para não se extinguir de vez o benefício. Cabe ressaltar que em vários estudos feitos este número deveria ser de 5%.

Mas deixadas as melancolias de lado algumas das principais entidades, no total 10 atividades produtivas, se reuniram naquilo que chamaram Coalização para produzir um documento visando criar isonomia competitiva aos produtos brasileiros para ter uma maior inserção no mercado internacional. Cabe ressaltar que uma das queixas dos empresários é que a abertura econômica no Brasil poderia ser mais ampla, desde que se corrigisse as assimetrias competitivas entre os produtos aqui fabricados e os produtos que chegam do exterior. Não se pode admitir que o produto importado seja comercializado aqui no Brasil com vantagens competitivas em relação ao que produzimos.

Apresentamos uma aula de como se produz o aço, a partir da obtenção da matéria prima que é o minério de ferro. Com ilustrações e diagramas apresentados pelo Instituto Aço Brasil, nossos leitores puderam ter uma noção clara de como se chega ao produto final. Já em outra matéria sobre tecnologia demonstramos como os robôs de demolição, que vieram para ficar, podem ajudar as empresas na manutenção e restauração de espaços perigosos em que a vida humana era colocada sempre em risco. Com a maravilha desta tecnologia, áreas perigosas como interior de altos-fornos e áreas de relaminação podem sofrer a recuperação com melhor eficiência e resultados muito positivos.

SB129 capaJulho/Agosto – Edição 129

Chegado o momento da discussão do setor em todos os seus meandros. A edição preparatória para o Congresso Aço Brasil, que realizou-se em São Paulo em agosto, aprofundou-se nos detalhes da siderurgia em âmbito mundial e dissecou os números que seriam profundamente analisados no Congresso nos dias que se seguiram à publicação da revista. Uma nova entrevista com Sergio Leite, neste momento vestido com a roupa de presidente do Instituto Aço Brasil, posto que ocuparia a partir do Congresso, deu uma mostra bem definida de como ele pretendia tocar a sua gestão frente ao órgão representante das empresas siderúrgicas brasileiras. Sergio Leite fez questão de lembrar que o Brasil, pelo quinto ano consecutivo vinha passando por uma situação delicada para não chamar de catastrófica. Segundo ele “Enfrentamos no período 2014-2016 uma recessão das maiores que o Brasil já enfrentou e em 2016-2017 um crescimento pífio”.

Dentre as medidas que Leite quer implementar em seu mandato é o “by Brazil”. Perguntado porque e como ele respondeu: “ Se o by America é um sucesso porque não implementar por aqui este sentimento. Já temos o “Produz Brasil” que é uma coalizão de diversas entidades como as federações de indústrias de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e entidades como a Abitam, Abimaq e Abine que vêm trabalhando conosco no sentido de priorizar a produção nacional e evidentemente o consumo por meio de valorização do produto nacional”.

Prometeu ainda brigar – no bom sentido – para retomar a compensação dos resíduos tributários, via Reintegra, pois disse “Somos o único país do mundo que exportamos impostos” o que nos torna pouco competitivos em relação a outras economias. Outro detalhe para que chamou a atenção é que com a medida protecionista que os EUA implantou, várias outras partes do mundo estão seguindo no mesmo caminho, ou seja, tributar as importações e que o Brasil não vem se preocupando com isto, tornando-se um dos únicos países que recebe aço do exterior sem que haja barreiras isonômicas ao produto nacional.

Alias, falando de protecionismo nossa próxima matéria tratou exatamente deste protecionismo mundial. Em matéria exclusiva com o Coface uma agência seguradora de crédito francesa e líder no mercado brasileiro em avaliação de crédito caminhou pelos meandros da economia mundial. Os entrevistados disseram que o excesso de produção mundial do aço, tem feito com que vários países procurem fechar suas fronteiras, porque este excedente, vindo principalmente da China tende a desequilibrar todos os mercados mundiais do produto.

Por fim, tivemos uma conversa muito franca com o Professor Ricardo Balistiero, mestre em Economia e diretor coordenador do curso de Administração do Instituto Mauá de Tecnologia, um centro de excelência de ensino no Brasil. Estávamos às vésperas das eleições para Presidência da República e Balistiero afirmava que: “o novo presidente deveria ter um perfil absolutamente reformista uma vez que sem reformas em pouco tempo o Brasil quebra”. Em sua opinião deveria existir uma reforma ampla e geral do Estado brasileiro, começando pela previdência, passando pela reforma tributária, política, educacional e até de desburocratização, pois caminhávamos na contramão do desenvolvimento. A universidade no Brasil deveria ser um polo de desenvolvimento de novas tecnologias como ocorre nos países desenvolvidos e isto não acontece por aqui. Por isso a reforma do Ensino também é uma das grandes necessidades brasileiras.

SB130 capaSetembro/Outubro – Edição 130

Já com novo presidente eleito e com as esperanças renovadas apresentamos logo na primeira página uma matéria em que representantes da indústria, encabeçados pela Abimaq e com a presença do Instituto Aço Brasil, estiveram no “quartel general” de Jair Bolsonaro, para entregar um documento no qual hipotecam total confiança no desenvolvimento dos programas que pretendem colocar o Brasil no seu devido lugar. A Declaração entregue dizia que a indústria estava pronta para, em um trabalho conjunto com a nova administração, partir para investimentos que viessem a gerar emprego e renda imediatamente. A edição foi toda dedicada ao setor de máquinas e equipamentos e mergulhamos de cabeça nos resultados do 4º Congresso Brasileiro da Indústria de Máquinas e Equipamentos, que foi promovido em São Paulo, na sede da Abimaq.

Neste congresso foi gerado um documento entregue aos participantes denominado “O Caminho para o Desenvolvimento” no qual a entidade enumera em detalhes as estatísticas recentes da economia e do setor em particular e aponta os melhores caminhos. Cópia semelhante deste documento havia sido entregue aos candidatos à presidência da república ainda antes das eleições e agora estava sendo reiterada ao presidente eleito. Neste documento ressaltaram-se as dificuldades encontradas pelas empresas integrantes do setor, para tratarem de assuntos como fornecimento para áreas nobres, como a de Petróleo e Gás, onde foram alteradas as regras do chamado conteúdo interno e para as dificuldades das exportações, em vista das altas taxas tributárias vigentes no Brasil.

Apresentamos ainda um balanço pormenorizado do que foi o Congresso Aço Brasil, que contou entre outras personalidades com a presença do presidente Michel Temer. O teor das discussões, o aprofundamento de questões como produção, comercialização, problemas ambientais, foram discutidos no Congresso e nossa cobertura conseguiu apresentar uma síntese dos resultados do evento.

Houve ainda espaço para falarmos das medidas emergenciais que vêm sendo tomadas por uma tradicional empresa do sul do país e o maior produtor nacional de máquina e equipamentos, para aumentar suas chances de retomada. Falamos de tecnologia, produtividade, inovação e tudo quanto pode ser útil neste momento. Por fim uma análise mundial sobre os mercados emergentes e as perspectivas para que aqui no Brasil possamos atrair investimentos externos em diversos setores visando retomarmos nossas conquistas.

SB131 capaNovembro/Dezembro – Edição 131

Agora em dezembro fomos saber inicialmente o que é Neuroarquitetura, e descobrimos que é um termo popular para o estudo da aplicação da Neurociência à Arquitetura, algo muito novo no Brasil, mas que em outros países, como nos Estados Unidos, por exemplo, vem sendo desenvolvido há mais de 15 anos. Assim, podemos dizer que é um estudo que une duas ciências: a Neurociência com a Arquitetura. A primeira é, basicamente, o estudo do comportamento humano, e a segunda é o estudo dos ambientes, do meio físico em que vivemos. Assim, quando juntamos as duas, chegamos às justificativas de como o meio ambiente impacta o cérebro das pessoas e o comportamento delas. Então, é uma análise bem racional, bem biológica, cujas conclusões vêm, basicamente, de pesquisas científicas para comprovar esse impacto. A experiência mostra que os tons que remetem à natureza – como os terrosos, os amadeirados e os esverdeados, por exemplo – tendem a nos deixar mais confortáveis e até mais produtivos, porque o ser humano vem da natureza. E, além das cores, a própria presença de elementos naturais como plantas, paredes revestidas com madeira, imagens de água e por aí vai, estimulam o nosso sentido da visão, proporcionando até sensações de satisfação semelhantes àquelas que são quimicamente produzidas nos nossos cérebros, quando praticamos atividades físicas, por exemplo. Tudo isso nos deixa mais confortáveis, tranquilos e relaxados para realizarmos o nosso trabalho. Veja a matéria na integra nesta edição.

E as prioridades para o Brasil em 2019, quais são? Como vamos sair da profunda crise que nos abateu? Como se comportará o novo governo? São perguntas respondidas pela consultoria internacional Deloitte que reproduzimos em uma matéria cheia de esperanças.

Também queremos ajudar em seu projeto de vida, por isso aqui está uma lição pronta e bem acabada para você implantar e sustentar uma imagem de vencedor e de campeão na atividade que pratica.

Não poderíamos deixar de falar de mais um prêmio recebido. Fomos eleitos agora em 2018, como o melhor jornalista da siderurgia no Brasil e neste ano para confirmar esta premiação fomos eleitos, agora por eleitores que se manifestaram pela internet como o “Destaque do Ano” no jornalismo nacional na categoria siderurgia. É muita alegria e satisfação que compartilhamos com nossos leitores.