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Na rota do crescimento

O horizonte parece promissor para o desenvolvimento do setor de máquinas e equipamentos no Brasil. Mas é preciso trabalhar muito para transformar tal promessa em realidade.

Marcus Frediani

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No comecinho do mês de outubro, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou os dados da Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF), relativa ao mês de agosto 2018. E os resultados não foram, digamos, muito animadores: o cômputo do estudo deu conta que a indústria geral registrou queda da produção física de 0,3% em comparação mensal, livre dos efeitos sazonais. Com isso, a indústria brasileira cravou o segundo mês de queda consecutiva, despencando em ambos um acumulado de 0,4%. A noticia “menos pior”, contudo, foi que no acumulado do ano a variação é positiva em 2,5% e em 12 meses em 3,1%.

Agora, a boa notícia mesmo para um dos mais importantes clientes do setor siderúrgico é que o setor de máquinas e equipamentos está conseguindo manter a rota de crescimento em 2018, segundo dados divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ) em seu último boletim mensal. O destaque para o mês de agosto foi que a receita líquida apresentou alta de 5,9%, no acumulado do ano, já a produção física, medida pelo IBGE teve uma alta de 5,3%, na fabricação de máquinas e equipamentos, no mesmo período.

Na publicação, a entidade também diz acreditar que dada a conjuntura interna, esses resultados foram obtidos porque o setor, em grande parte, se viu obrigado a buscar alternativas no mercado externo. “Contudo para um crescimento mais consistente é imprescindível uma reação do mercado interno, que virá caso o novo governo consiga estabilizar o quadro político e propor as reformas que o país necessita”, destaca o texto.

Para entidade, o cenário atual continua conturbado, com incertezas principalmente com o quadro político e das diretrizes a serem tomadas pelo próximo governo. “O presidente que assumir em janeiro de 2019 herdará um país que cresce de forma insuficiente e que acumula entre desempregados, pessoas que desistiram de procurar emprego e trabalhadores em tempo parcial, um contingente de quase 30 milhões de pessoas, ou seja, mais de um quarto da população economicamente ativa”, afirma João Carlos Marchesan, presidente do Conselho de Administração da Abimaq.

Ainda segundo a associação, os pontos relacionados ao mercado externo que podem influenciar o setor, são a guerra comercial, que ganha novos capítulos constantemente, além da situação delicada pela qual atravessa a Argentina, grande compradora de máquinas e equipamentos do Brasil. A incerteza pode ser observada no índice de confiança da indústria.

Além disso, os executivos da Abimaq ressaltam a importância de uma agenda de reformas estruturantes, diminuindo as incertezas e tornando o ambiente mais adequado, para a volta do crescimento, por meio da subsequente volta da capacidade de investimento. “Defendemos um modelo de desenvolvimento econômico centrado na produção de bens complexos e serviços sofisticados condição indispensável para garantir o crescimento sustentado. Para tanto um ambiente macroeconômico ajustado e a contínua redução do ‘Custo Brasil’ até sua eliminação num arco de dois mandatos é essencial para a competitividade de bens e serviços brasileiros”, enfatiza Marchesan.

O futuro em discussão

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Todos esses pontos relacionados ao futuro do setor de máquinas e equipamentos no Brasil estiveram na pauta do 4º Congresso Brasileiro da Indústria de Máquinas e Equipamentos, promovido pela Abimaq no dia 17 de setembro, no auditório de sua sede, em São Paulo/SP. No evento, foram debatidos com especial destaque os caminhos para o crescimento sustentado, as novas oportunidades de negócios no comércio global e as tecnologias disruptivas que contribuirão para promover o desenvolvimento econômico e a inovação da indústria, contando, para isso, com a realização de diversos painéis e palestras dos economistas dos cinco candidatos à presidência da República mais bem posicionados nas pesquisas, explicando suas propostas para a próxima gestão.

Durante o Congresso, foi entregue aos palestrantes e a todos os seus participantes o documento da entidade intitulado “O Caminho para o Desenvolvimento”, proposta inicialmente encaminhada aos presidenciáveis. O presidente executivo da Abimaq, José Veloso, fez uma apresentação sintética sobre o assunto, reforçando a importância desse trabalho, que também havia sido entregue anteriormente a todos formadores de opinião que são considerados relevantes na indústria. “A história mostra que o crescimento econômico dos países até hoje só foi possível via aumento de sua produção, principalmente de bens de serviços de alto valor agregado e via ampliação do fluxo de comércio com uma crescente inserção na economia mundial”, ressaltou Veloso na ocasião, citando trechos do documento.

Petróleo e gás: rumo a retomada

Nos últimos cinco anos, o setor de Petróleo e Gás passou de um crescimento vertiginoso a total estagnação, período em que a crise brasileira foi substancialmente agravada pela situação internacional – com a cotação do barril do óleo caindo para um terço do valor que vinha sendo negociado até então –, bem como pelos desdobramentos da operação Lava Jato.

Porém, segundo informa a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), já existem claros sinais de que o setor está “entrando nos eixos” e de que a trajetória de crescimento está sendo retomada. De acordo com a entidade, o preço atual do barril, na faixa dos US$ 80, já consegue viabilizar muitos dos empreendimentos que se encontravam paralisados e, no nosso caso, a retomada dos leilões da ANP, os ajustes no ambiente regulatório e o nosso potencial de reservas com custos de produção decrescente têm transformado o Brasil em um dos principais polos de interesse do setor no mundo.

“As oportunidades estão aí e temos que estar preparados para participar desse mercado, que, se, por um lado, é bastante promissor, por outro ainda requer muitos ajustes, que abrangem fatores externos à indústria, melhorias internas em tecnologia, gestão e processos e, não menos importante, a melhoria no ambiente de negócios e na relação comprador/vendedor”, destaca um comunicado distribuído pela Abimaq no dia 5 de outubro, data da primeira reunião para reformulação do modelo de atuação do Conselho de Oléo e Gás da entidade, realizada em sua sede, com a participação direta das associadas interessadas, colocando as empresas diretamente em contato com o que acontece no setor.

Na ocasião, foram formados três comitês para tratar de assuntos específicos, onde os especialistas das empresas poderão participar diretamente, trocando experiências com seus pares. Inicialmente serão formados três comitês: tributação, regulação e ambiente de negócios e qualquer associada poderá participar, segundo seu interesse.

“Nesses pontos, a Abimaq tem importante papel a desempenhar, quer seja na maximização do aproveitamento das demandas considerando as restrições existentes, quer seja na busca da redução das restrições que nos prejudicam, tais como as baixas exigências de Conteúdo Local, o alto Custo Brasil, o desconhecimento de nosso potencial e a falta de identificação das oportunidades, entre outras”, reforça, ainda, o documento da entidade.