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As barreiras a serem ultrapassadas

Com o desafio de inovar e apresentar equipamentos mais eficientes, os produtores de máquinas, mesmo diante das dificuldades que enfrentam, entendem que há um mercado novo esperando para ser preenchido.

Henrique Pátria

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Vivemos um momento muito delicado em nosso país em que a indústria perdeu muito de sua representatividade e hoje luta para a retomada de seu espaço.

Notadamente aquelas voltadas para a produção de bens de capital como é o caso das que se ocupam com a fabricação de máquinas e equipamentos reduziram muito ou quase paralisaram suas atividades.

Em período de profundas incertezas, com os financiamentos longe de serem incentivo para novos empreendimentos ou modernização de parque industrial, são cada vez mais raros os casos de empreendedores que se dispõe a investir para melhorar a sua produtividade ou até mesmo para ampliarem seus negócios. A retração do mercado interno que se observa desde 2013/2014, aliada às altas taxas de inadimplência condenaram muitas empresas tradicionais a reduzir suas linhas ao máximo ou em muitos casos e infelizmente a fecharem as suas portas. Esta é uma das explicações para o elevado número de desempregados que hoje já atingiu pessoas com alto grau de conhecimento e especialização que não conseguem se recolocarem pela absoluta falta de oportunidades.

Vivendo este cenário tivemos uma conversa com o Eng. Claudio Flor, titular da Divimec uma das mais importantes empresas brasileiras produtoras de equipamentos e instrumentos para o beneficiamento e processamento de metais. As máquinas e equipamentos Divimec estão espalhadas em todo o Brasil e em várias partes do mundo para onde foram exportadas.

Siderurgia Brasil: O segmento de máquinas e equipamentos continua atravessando um período muito difícil, quais foram os erros cometidos e mais do que isso, você vê algumas perspectivas para o futuro. Como é a situação atual de sua empresa, a Divimec?

Claudio Flor: Nós empresários, há muito tempo, estávamos prevendo um período difícil pela frente, entretanto no “oba, oba!” da economia de consumo, não tomamos qualquer atitude que pudesse nos proteger e nos manter em patamares seguros na hora da crise. Mesmo vivendo no Brasil não contávamos com um governo com esta fúria arrecadatória e com pouco investimento na infraestrutura.

Eu mesmo me coloquei à disposição do atual Ministro da Casa Civil, mas quando este me acenou para ajudá-lo eu me enclausurei com receio de enfrentar uma luta inglória por mudanças.

Agora acredito que nós necessitamos mudar nossas atitudes e nossa forma de pensar para podermos sobreviver.

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Com a redução das atividades qual foi a estratégia que vocês adotaram para ultrapassar este “maremoto”. Partiram para a manutenção de equipamentos já existentes, retrofiting ou o que mais foi feito que o ajudasse a manter o seu negócio?

Nós fizemos o que os governos não fizeram, e continuamos fazendo, ou seja, reduzimos o nosso custo fixo e procuramos inovar para ter uma melhor competitividade em nossos equipamentos visando ajudar às empresas que deles fazem uso, apresentar produtos com maior qualidade e produtividade.

Os serviços de manutenção e “Retrofitting” se tornaram um engano, isto pela dificuldade de elaborar projetos que ajudem a empresa a melhorar a sua produtividade. O equipamento sempre será antigo e o máximo que se obterá será um ajuste para recuperar parte de seus componentes e aumentar a sua vida útil.

Em uma sociedade inovadora e acelerada os processos de “Retrofitting” e “Revamp” estão inviabilizados. Como exemplo eu digo: ninguém entra em uma concessionária e solicita o “Retrofitting” ou “Revamp” de um “Chevette” desejando sair com um “Cruze”.

Quando esta revista estiver circulando certamente já teremos escolhido um novo governo. Na verdade todo o Brasil espera por novidades que venham minimizar os efeitos da retração que vivemos. O que você espera?

Um “Novo Governo” com uma “Nova Ordem” é o Brasil que queremos e a esperança que o “jeitinho alegre brasileiro” não se confunda com corrupção, que rouba investimento que poderiam ser empregados em cultura, saúde e segurança.

Além do Brasil sei que o seu mercado se estende para a América Latina. Você tem feito negócios em outros países recentemente? Que tipo de experiências tem tido e você tem sido bem sucedido nestes negócios?

Nosso mercado de “Bens de Capital” relacionado ao fornecimento de máquinas e equipamentos para processamento de metais sempre foi o Brasil, onde temos equipamentos em 90% dos estados da união, entretanto, já temos equipamentos no Chile, México, Argentina e Paraguai.

No momento atual vender para o exterior “Bens de Capital” com prazo de entrega de 8 a 12 meses em nosso país que não tem qualquer estabilidade legislativa ou proteção cambial e infraestrutura de exportação torna este tipo de negócio uma verdadeira aventura.

No campo tecnológico há alguma evolução em andamento que aumente a produtividade e coloque as empresas em novo patamar?

A evolução maior tem ocorrido nos materiais que após a “nanotecnologia” (manipulação da matéria numa escala atômica e molecular) proporcionou aos aços, ligas de alumínio, cobre e outros metais uma alta resistência o que coloca os materiais antigos em “check”.

Nosso desafio maior hoje é produzir novos equipamentos que atendam todos estes tipos de materiais, evoluindo também na produtividade e observando uma melhor qualidade e segurança operacional. Trocando em miúdos, isto significa novo mercado a ser explorado que terá suas dificuldades e seus desafios. Na verdade vivemos em franca evolução com nossos equipamentos.

Eu considero com “Materiais de Alta Resistência” os novos produtos que estão surgindo e esta evolução pode ser bem definida quando comparamos que as chapas de aço usadas em automóveis na década de 70 tinham Resistência máxima de 320 Mpa quando hoje já temos algumas partes destes mesmos veículos sendo feitas com materiais de 1700 Mpa porém com menor espessura, menor peso. Consequentemente haverá menor consumo de energia na sua locomoção. (combustível fóssil ou energia elétrica).

Você, como um empresário que já viveu muitas experiências e conhece várias economias pelo mundo, como poderia encerrar esta entrevista?

Eu acredito que a Inovação de Gestão seria fundamental em nosso país em todos os setores: sejam eles governamentais, culturais e empresariais.

Só com o chamado “Choque de Gestão” faremos com que nossas riquezas beneficiem a todos os brasileiros e consolidemos o grande “Brasil, como o país do presente”.