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A recuperação da Indústria Nacional

Os números de junho que começam a ser divulgados mostram que a indústria brasileira se recuperou da brutal queda acontecida durante a greve dos caminhoneiros

Henrique Pátria

Segundo dados divulgados pela Agência de Notícias Brasil, órgão oficial de notícias do Governo Federal, a indústria brasileira recuperou-se em junho das quedas que sofreu durante a greve dos caminhoneiros apresentando desempenho considerado ótimo.

De acordo com a nota, baseada em dados divulgados em 1º de agosto pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o faturamento real da indústria aumentou 26,4% em junho, na comparação com maio e na série livre de influências sazonais, recuperou a queda de 16,7% de maio.

“O forte crescimento do faturamento deve ser analisado com cautela. Esse resultado excepcional é explicado pelo fim do represamento de embarques”, diz a CNI, na pesquisa. Mesmo com a recuperação, o 2º trimestre foi mais fraco que o anterior, com queda de 2,7% no faturamento.

Na comparação com junho de 2017, houve aumento do faturamento em 10,2%. No primeiro semestre, o crescimento ficou em 4,4% na comparação com o mesmo período de 2017.

Ainda, segundo a CNI, a recuperação das horas trabalhadas na produção e na utilização da capacidade instalada, foi inferior ao recuo registrado em maio.

As horas trabalhadas na produção cresceram 1,3% em junho frente a maio, na série de dados dessazonalizados. Com isso, o indicador não conseguiu reverter a queda de 1,7% do mês anterior.

O nível de utilização da capacidade instalada aumentou 0,8 ponto percentual em junho, na comparação com o mês anterior, também na série com ajuste sazonal, depois de cair 2,2 pontos percentuais em maio.

Com a alta de junho, o nível de utilização da capacidade instalada ficou em 76,7%, pouco menor do que os 77,2% registrados no mesmo mês de 2017, também na série dessazonalizada.

Já, em conformidade com a agência Reuters de Notícias, em matéria divulgada em seu site no dia 1º de agosto informou que, segundo dados do IBGE sobre a indústria nacional, a produção industrial brasileira registrou alta de 13,1% em junho na comparação com o mês anterior. Este é o melhor resultado da série histórica, iniciada em 2002, superando os efeitos negativos provocados pela greve dos caminhoneiros, no mês anterior.

Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, a produção subiu 3,5%. As expectativas em pesquisa da Reuters com economistas eram de alta de 14,1% na variação mensal e de 4,55% na base anual.

 "A conjuntura continua a mesma, mas houve produção maior para repor o descompasso da greve", disse o economista André Macedo, gerente da pesquisa "Não só eliminamos a perda como voltamos a um patamar superior ao de abril e se aproxima de dezembro do ano passado, quando a indústria vinha numa trajetória de crescimento." O IBGE também revisou levemente para 11%, ante 10,9%, a queda da produção industrial de maio, quando o protesto de caminhoneiros levou desabastecimento a empresas e residências de todo o país, além de perdas para a agricultura, levando governo e economistas a reverem para baixo suas projeções de crescimento do PIB, neste ano.

Ainda, de acordo com o economista, "Não se pode deixar levar pelo resultado de junho e achar que entramos numa nova era. Os níveis de confiança ainda estão baixos e a demanda doméstica ainda tem fragilidades, visto que o mercado de trabalho ainda tem um enorme contingente de pessoas fora." E na Pesquisa Focus do Banco Central, que ouve uma centena de economistas todas as semanas, mostra que a estimativa de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) do país neste ano, estava em 1,5%, depois de ter chegado a 3% alguns meses antes. O levantamento mostrou ainda que, pela mediana das projeções, a produção industrial vai crescer 2,91% neste ano.

Nesta pesquisa, segundo informou o IBGE, dois destaques positivos em junho foram o crescimento de 47,1% na produção de veículos automotores, reboques e carrocerias e de 19,4% nos produtos alimentícios. Bebidas (33,6%), e produtos de minerais não-metálicos (20,8%), também tiveram desempenho relevante. Na outra ponta, o ramo de "outros equipamentos de transporte", registrou uma queda de 10,7%, no segundo recuo mensal consecutivo. "Os setores que lideram o crescimento, são ligados à indústria automobilística, que tem aumentado a produção e exportação. A cadeia automotiva, como tinta, borracha, plástico, metalurgia, acessórios, respondem positivamente aos resultados", finalizou Macedo.

Henrique Pátria

Editor Chefe da revista Siderurgia Brasil