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BONS SINAIS NA BOLSA

Embora distante do que poderia ser considerado ideal, a dinâmica do mercado de ações da siderurgia brasileira traz alento para os investidores.

Marcus Frediani

“Bem amarelo”. Foi dessa forma que o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) descreveu em recente relatório o cenário de investimentos no Brasil em 2018. Na verdade, o fato representa uma mudança na “cor do semáforo” do mercado de ações, após este começar a inverter a trajetória positiva que vinha tendo até o mês de abril deste ano. Nesse mês específico, o Indicador Ipea de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) havia avançado 1,5% ante o mês de março. E em relação a abril de 2017, o avanço no índice do Ipea havia batido nos 13,1%.

Segundo o órgão, a projeção não muito animadora para o cenário para os investimentos até dezembro de 2018 tem três motivos principais. O primeiro foi o fraco desempenho da atividade econômica no início do ano, que, justamente, frustrou as expectativas de continuidade da dinâmica que vinha se pronunciando até abril. O segundo, o “encarecimento” dos investimentos relacionada à mudança para patamares mais elevados na cotação do dólar. E, o terceiro, a elevação da incerteza política, quadro que sofreu um agravamento tanto após a greve dos caminhoneiros, quanto em função da falta de clareza no cenário eleitoral, com aumento de chances de um candidato de perfil populista ser eleito, lançam dúvidas sobre o equilíbrio das contas públicas, o que contribui para minar a confiança dos agentes econômicos.

INTERESSE RENOVADO

No âmbito do mercado siderúrgico brasileiro, todos esses fatores vêm rimando também com uma fase nada auspiciosa. Entretanto, ao mesmo tempo em que isso parece não ter desestimulado as empresas do setor a se modernizarem e a se aparelharem para continuar prontas e atualizadas uma eventual (e muito esperada) retomada de negócios, do ponto de vista do mercado de ações, há sinais de que o apetite dos investidores – principalmente os internacionais – em nossas empresas produtoras de aço não arrefeceu.

“Os investidores internacionais têm voltado a olhar para o mercado siderúrgico brasileiro desde meados do ano passado, apesar da conjuntura econômica seguir bastante fraca. O crescimento do setor automotivo, apoiado nas exportações, e o aumento global no preço do aço desencadearam esse interesse, ao propiciar ligeira melhora no desempenho operacional das companhias”, afirma Sabrina Stefani Cassiano, analista de Investimento em Siderurgia da corretora Coinvalores. Segundo ela, os investimentos em tecnologia direcionados à busca de eficiência operacional, aliados ao maior controle de custos, também foram aspectos fundamentais para a inflexão dos resultados do setor.

Por outro lado, ainda de acordo com a especialista, a dinâmica de fusões e aquisições na indústria siderúrgica nacional revela outro viés associado a esse tipo de movimentação. Isso porque está profundamente relacionada com a crise que afetou o setor nos últimos anos. E aí não há segredo, pois diante de condições financeiras mais restritivas, a estratégia adotada por algumas companhias, com destaque para aquelas que possuem ações negociadas na bolsa de valores, foi de enxugar suas operações e focar em ativos de maior rentabilidade. “Portanto, vislumbramos que, sim, a dinâmica de fusões e aquisições tende a continuar em alta ao longo desse e do próximo ano”, sinaliza a executiva da Coinvalores.

ALTA NAS AÇÕES

Embora o “Risco Brasil” permaneça alto e a retomada dos graus de investimento no Brasil deva-se dar de uma forma lenta, muito distante da velocidade ideal, diversos analistas do mercado de ações falam, atualmente, de uma possível retomada econômica da América Latina. E, ao que tudo indica, trata-se de uma expectativa consistente.

SB129 mercado acoes sabrina“Essa perspectiva já tem impulsionado as ações do setor siderúrgico, tanto que na média a valorização é de quase 18% no acumulado desse ano, frente a menos de 4% de alta no principal índice de ações, o Ibovespa. E, ainda há um potencial interesse para os papéis do setor, pois, apesar da recente recuperação, as companhias ainda operam com um nível de ociosidade bastante elevado”, informa Sabrina Cassiano. Todavia, ela faz questão de destacar que essa perspectiva está condicionada a aprovação de reformas que coloquem as contas públicas do país de volta nos trilhos. “Ademais, a recente escalada do protecionismo global também configura um risco não trivial”, faz o alerta.

HABILIDADE POLÍTICA

O cumprimento dessa tarefa, entretanto, tem a ver com um componente também nada trivial, que é a vontade política do novo governo que assumirá o Brasil no início do ano que vem. Para Sabrina Cassiano, embora o cenário eleitoral siga extremamente incerto e nebuloso, ainda assim, há a expectativa de que um candidato com viés reformista tome posse em 2019. Caso contrário, a confiança dos agentes tende a seguir em trajetória de deterioração e a atividade, que já vem patinando, deve perder ainda mais fôlego. Isso porque as reformas, principalmente em âmbito fiscal, a princípio, são de suma importância para garantir um crescimento robusto e sustentável da economia brasileira.

“Além disso, é essencial que o novo presidente atue em prol de questões como infraestrutura, segurança jurídica, abertura comercial e, também, na redução da burocracia, dentre outras. A habilidade política para aprovar medidas junto ao Congresso também é outro aspecto importante, e que deve ser monitorado pelos investidores, balizando o desempenho do mercado de ações a partir de outubro”, enfatiza a analista da Coinvalores.