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A GIGANTE RENASCE

Amplamente revitalizada e de volta à cena das maiores empresas do setor siderúrgico do Brasil, a Usiminas comemora os resultados de 2017 – os melhores nos últimos sete anos de operação – e faz planos para o futuro.

Marcus Frediani

Depois de um passado recente convulsionado, a Usiminas, líder no mercado brasileiro de aços planos e no abastecimento do setor automotivo, surfa uma boa onda. Em 2015, quase entrando em falência, a empresa amargou uma série de prejuízos e passou a ter geração negativa de caixa, gerando dívidas astronômicas, o que levantou o risco de entrar em recuperação judicial. Ao mesmo tempo, ficou no centro do furacão de uma briga societária do tipo “cachorro grande”, entre o grupo ítalo-argentino Ternium/Techint (TT) e a japonesa Nippon Steel & Sumitomo (NSSMC), finalmente apaziguada no início de 2018, por meio de um novo acordo de gestão.

A assinatura do termo de compromisso estabeleceu novas regras para pôr fim às divergências de ambas no que diz respeito à direção da empresa, que estabeleceu até um programa de alternância delas em sua gestão. Agora, o objetivo dos sócios é fortalecer a companhia. Por conta disso, enquanto a discussão de um plano plurianual – prevendo a injeção de maciços investimentos para ela crescer já se encontra em pleno andamento –, a Usiminas religou seu alto-forno em Ipatinga – que estava em modo off desde 2015 – e, ainda, voltou a ativar, nos últimos meses do ano passado, duas unidades de tratamento de minério da Mineração Usiminas (Musa).

Revitalizada e de volta ao posto de uma das preferidas do setor siderúrgico nacional, a empresa ainda comemora os resultados de 2017 – os melhores nos últimos sete anos de operação. “O pior já passou. Agora, é bola pra frente!”, anima-se Sergio Leite, confirmado no cargo de diretor-presidente da siderúrgica pela TT e pela NSSMC para o período de abril/maio de 2018 até 2020. Assistindo à volta da companhia à sua produtiva normalidade, nesta entrevista exclusiva à Revista Siderurgia Brasil, ele comenta a virada de 180 graus da Usiminas e dá algumas pistas dos passos que ela vai trilhar nos próximos anos.

Siderurgia Brasil: Como você avalia os sinais relativamente alvissareiros de recuperação da economia brasileira e de retomada dos negócios ao longo de 2018? Eles são consistentes?

sb127 usiminas Sergio LeiteSergio Leite: O ano de 2018 começou com a perspectiva de crescimento econômico em patamares mais relevantes do que tivemos no ano passado. E há sinais, em diversos setores, da retomada de investimentos e das atividades produtivas. De acordo com os últimos Boletins Focus, a estimativa é de um crescimento do PIB em torno de 3% este ano, um número consideravelmente maior do que o do ano passado, que atingiu 1%. Estamos constatando, desde 2017, um descolamento entre política e economia, com bons resultados desta num cenário político adverso. Contudo, sem a reforma da Previdência, a crise fiscal deve se acentuar, a dívida pública continuará caminhando para uma trajetória insustentável e novos rebaixamentos da nota de crédito do país podem ocorrer. Por outro lado, há uma expectativa de que a taxa de desemprego continuará em queda, com elevação do consumo, o que pode levar a indústria a registrar um crescimento acima da taxa do PIB neste ano.

E a indústria e, particularmente, a Usiminas: como ficam nesse cenário?

Esperamos um crescimento econômico maior neste ano. E alguns setores importantes para a Usiminas, como o automobilístico, também têm expectativas de evolução nos negócios. Em 2017, o setor automotivo foi o grande destaque da indústria, com crescimento da produção de veículos de 25%, impulsionando o resultado do PIB Industrial, que registrou aumento de 2,5%, depois de três anos de quedas consecutivas. A expectativa é que, em 2018, os resultados também sejam positivos, com crescimento de dois dígitos, o que, seguramente, terá impacto na siderurgia nacional e também na operação da Usiminas, que é líder no mercado brasileiro de aços planos e no abastecimento do setor automotivo, que representa um terço de nossos negócios no Brasil. Mas é importante destacar que, apesar do cenário positivo, o crescimento econômico esperado, assim como seu impacto na indústria do aço, ainda estão longe de recuperar as perdas acumuladas ao longo dos anos de crise. Ainda há fornos parados e linhas operando abaixo da capacidade. O esforço, agora, é para ocupar as linhas de produção já instaladas.

Sem dúvida, o forte passo de recuperação das vendas domésticas do setor automobilístico vai continuar a delinear um impacto positivo nas perspectivas desta para 2018. Mas de que forma os outros setores – tais como a construção civil, as obras de infraestrutura, o de máquinas e equipamentos e o de bens de consumo – alimentam essa expectativa?

Nossa expectativa é que o ambiente de negócios em 2018 seja marcado por um crescimento generalizado em todos os setores, em maior ou menor intensidade, destacando um patamar entre 1% e 3% no setor de construção civil, entre 5% e 8% na área de máquinas e equipamentos e cerca de 13% para veículos automotores.

Ano de eleição, contudo, é sempre turbulento e nebuloso para o mercado e para os negócios. Qual a sua avaliação sobre o atual quadro político e daqui para o final do ano?

O país passa por um momento político delicado, com enormes desafios e muitas incertezas no horizonte. Como já disse, observamos, de forma nítida que a economia vem se descolando do cenário político, o que tem permitido a melhora dos indicadores macroeconômicos, mesmo com a série de escândalos e uma agenda de importantes reformas ainda indefinida. Tudo isso faz crer que o ambiente político até as eleições passará por importantes etapas, ainda imprevisíveis.

Em sua opinião, qual o perfil ideal dos candidatos não só para ocupar a cadeira de Presidência da República, bem como aquelas do Congresso Nacional?

O país precisa de candidatos que priorizem o crescimento econômico e o bem-estar do povo, com ênfase em educação, saúde e segurança, setores altamente carentes na vida brasileira. Precisamos de um crescimento robusto na próxima década, gerando empregos e qualidade de vida. A indústria de Transformação, depois de 15 anos de queda em sua participação no PIB brasileiro, precisa voltar a ocupar uma posição de destaque e ser uma referência em nossa economia. Em outras palavras, a indústria precisa voltar a ser uma prioridade para o governo brasileiro.

O ano de 2017, sem dúvida alguma, foi também de grandes desafios para a Usiminas. Em recentes entrevistas, você enfatizou que o “pior já passou” e que a empresa “está voltando à sua normalidade”, rompendo o ciclo nada virtuoso e a fase difícil iniciada com o desligamento do forno de Ipatinga, em 2015, que trouxe a reboque também a posterior desativação de duas unidades de tratamento de minério da Mineração Usiminas (Musa). Além da religação e reativação desse ferramental, quais são os argumentos que justificam essa sua afirmação? E qual a intensidade dessa retomada?

Para a Usiminas, 2017 ficará marcado como o ano da retomada da empresa. Saímos de uma situação muito delicada, em que chegamos a correr o risco de uma recuperação judicial, em 2016, e conseguimos revitalizar a empresa com uma sequência de resultados positivos. Apresentamos, no quarto trimestre de 2017, um Ebitda de R$ 450 milhões e no ano de 2017, um Ebitda de R$ 2,2 bilhões, versus R$ 660,4 milhões em 2016. Foi o melhor resultado da Usiminas nos últimos sete anos. O ano passado foi marcado, também, por importantes conquistas. A nota de crédito da empresa foi elevada pelas três principais agências de avaliação de risco internacionais – Fitch, Moody’s e Standard and Poors.

E a situação do emprego?

Geramos emprego na Usiminas, na Mineração Usiminas e na Usiminas Mecânica. Retomamos, também, uma série de ações de valorização de nossos empregados, contribuindo significativamente para a melhoria do clima interno. Voltamos a nos dedicar, com intensidade, ao planejamento estratégico da Usiminas, após três anos em que o foco era a sobrevivência da empresa. Dessa forma, agora, partimos com mais intensidade ainda para a construção do presente e do futuro da Usiminas, com foco nas pessoas, clientes e resultados.

Ainda no âmbito da questão anterior, de que maneira a maior disciplina financeira da Usiminas nos últimos meses – que deverá reduzir sensivelmente o nível de endividamento da companhia –, deverá ser intensificada em 2018?

Iniciamos, em dezembro de 2017, com quase dois anos de antecedência ao acordado na renegociação da dívida, a amortização da dívida da empresa, que era de R$ 6,9 bilhões e passou a ser, em março de 2018, inferior a R$ 5,7 bilhões, numa redução de cerca de 18%. Em síntese, as iniciativas empreendidas e a forte mobilização da equipe Usiminas em todas as nossas cinco empresas, atuando num conjunto de frentes e um extraordinário rol de ações, permitem que nos dediquemos, cada vez mais, ao trabalho de reposicionar a empresa como uma referência na indústria do aço no Brasil e no exterior.

Em outras palavras, a Usiminas está preparada para encarar os novos desafios e oportunidades do mercado?

A Usiminas encontra-se no estado da arte tecnológico no portfólio de produtos para os diversos setores onde atua. Tivemos, anteriormente ao período de recessão da economia brasileira, um forte ciclo de investimento em agregação de valor, o que nos permite ofertar ao mercado nacional produtos customizados para diferentes setores, de elevado desempenho na aplicação, diferenciando a empresa frente à concorrência.