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Observamos a inflação sob controle em índices aceitáveis, os juros caindo e a produção aumentando gradativamente. Esta conjunção de fatores nos permite afirmar que deixamos para trás o período mais cinzento da nossa história recente.
 
Henrique Pátria*
Definitivamente ingressamos em uma nova era nos negócios em que os indicativos mostram a recuperação da economia brasileira e na maioria das projeções para o próximo ano encontramos um alento positivo.
A grande diferença em relação a fases anteriores é que neste momento os empresários estão com cuidados redobrados em suas projeções e planos de expansão. Em passado recente foram muitos casos em que empresas partiram para voos mais altos, onde se incluía compras de novas sedes, atualização de equipamentos, construção de novos depósitos com endividamentos monstruosos e foram surpreendidos no meio do caminho por dificuldades que em alguns casos se mostraram insuperáveis.
Ainda existe a dificuldade de que o consumo interno ainda não está restabelecido. A boa notícia é que está crescendo de forma sustentável. Há também uma mudança perceptível de comportamento dos integrantes da grande classe média, que está olhando com desconfiança a chegada desta nova era na sua vida diária. A preocupação em manter o baixo índice de endividamento das famílias é perceptível.
Não é menos verdade que se os empresários brasileiros quiserem disputar e conquistar novos espaços no mercado nacional e alguns espaços no mercado internacional (aumento de seu market-share) terão de investir forte em tecnologia e produtividade. O quesito preço aliado à qualidade dos produtos ganha mais corpo entre os consumidores.
No campo internacional aqueles espaços onde existe o consumo de produtos de maior valor agregado ainda estão reservados para poucos países que detém tecnologias mais avançadas. Infelizmente o maior percentual de nossas exportações é composto de produtos primários – grãos e minérios – restando um índice menor para os produtos que carregam tecnologia e inovação em seu conteúdo.
Analisando recentes dados divulgados nota-se uma prova consistente que o mercado globalizado está de portas abertas para quem tiver competência. Segundo projeções do Banco Central do Brasil, aceita e confirmada pela maioria dos analistas econômicos, estamos perto de fechar o ano de 2017, com um saldo na balança comercial brasileira na ordem de US$ 65 bilhões o que irá representar um crescimento na ordem de 44,32% em relação ao ano anterior. Ou seja, o mundo está de portas abertas e receptivo para os negócios. No entanto as mesmas estatísticas mostram que a participação de empresas brasileiras no exterior caiu na ordem de 57% em relação ao ano anterior fruto da pouca ousadia e interesse em fincar uma bandeira brasileira em outros países. Creio que este é o momento das empresas, olharem para o comércio exterior com maior interesse.
Também devemos considerar que este extraordinário superávit na balança comercial leva a analisar se este também não é o momento de uma maior abertura comercial, já que o Brasil é sempre acusado em ser um dos países comercialmente mais fechados em todo o mundo.
No mercado interno e particularmente no setor industrial pode-se perceber que o crescimento em setores industriais além de fazer uma diferença positiva, vem mexendo com os índicies de satisfação e em quase todas as medições a população está mais otimista.
No segmento siderúrgico, segundo dados do Instituto Aço Brasil, a produção de aço bruto entre janeiro e outubro deste ano, havia crescido em 8,5% em relação ao ano anterior. No mesmo período as vendas internas ainda não reagiram, pois cresceram somente 1%, mas a boa notícia é que as exportações de aço vêm ganhando corpo e neste mesmo período registraram em valor (US$) crescimento acima de 40%. Há muito espaço para crescer pois as indústrias ainda trabalham com ociosidade muito acentuada, acima de 40%.
A indústria automotiva definitivamente ingressou em um novo surto de crescimento e principalmente a exportação de veículos registrou índices extraordinários que fizeram a produção alcançar números que há muito tempo não se via. A principal associação que congrega os produtores de veículos revisou para cima em dois momentos as suas projeções para este ano e já se prepara para novos recordes nos próximos anos. Registre-se aqui que a Volkswagem, uma das líderes do setor, divulgou que seus planos para o Brasil projetam a produção até 2020 de 800 mil veículos/ano, mais do que o dobro produzido em 2016.
O setor de serviços é o que vem apresentando um crescimento mais lento e isso se deve ao alto índice de desempregados, que obviamente estão fora do mercado de consumo.
É bem verdade que as relações de trabalho estão passando por mudanças, mas tais alterações no entender de muitos especialistas é insuficiente para estabelecer uma taxa de confiança entre as partes envolvidas.
Há ainda o problema das anomalias no sistema tributário, com muitas distorções que precisam ser corrigidas e isto em um estado democrático é muito lento a sua execução.
Outra boa nota a ser ressaltada é o clima de empreendedorismo, em muitos casos até forçado pelas circunstâncias, pois muitas funções deixaram de existir, enquanto outras estão surgindo. Até bem pouco tempo não se ouvia falar em profissional de TI ou de analista de compliance, mas hoje as portas estão abertas para tais profissionais.
Por fim a questão política ainda é uma incógnita. As pesquisas mais sérias mostram que as pessoas que são formadoras de opinião estão procurando “o novo na política”, pois a desconfiança e a descrença atingiram níveis altíssimos no Brasil. Há uma crise de representatividade, nos três poderes da república nunca anteriormente observada.
Mas aquilo que se chama de ‘novo’ na verdade nada mais é que a volta aos valores éticos e morais, o repúdio a corrupção, a mostra real da transparência em todos os atos, o afastamento da desonestidade no trato da coisa pública.
Na verdade o ‘novo’ que está sendo falado nada mais é do que lideranças políticas que possam dirigir a nação brasileira para um crescimento consistente, até mesmo conservador e dentro de uma rota planejada, observando os valores republicanos e democráticos. Não existe e não precisamos de um super herói.
*Henrique Pátria é editor chefe da revista Siderurgia Brasil.