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Importantes recordações da Siderurgia Brasileira
 
Por Henrique Pátria*
 
Você consegue imaginar como eram as relações entre a iniciativa privada e o governo no âmbito das usinas siderúrgicas em 1987. Para quem já atuava no setor na época, vale relembrar. E para quem não tinha conhecimento, aqui vão algumas informações relevantes.
Há alguns dias, tive acesso a uma relíquia que considerei muito especial e que saiu do fundo do baú, trazido pelas mãos de nossos amigos e colaboradores Edson Cipriano e Gabriel Jeszensky,. Recebi, por e-mail, um arquivo com a cópia da edição Nº 1, lançada em setembro de 1987 – portanto, há 30 anos - de uma revista dedicada à siderurgia, publicada pela Editora Pensar, com sede no bairro da Aclimação, aqui em São Paulo, e filiais e/ou correspondentes no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte.
O material recebido deixou claro que a base daquele veículo de Imprensa, bem como sua dedicação principal, eram voltadas à área de aço inox, uma vez que sua primeira edição, além de trazer vários artigos relacionados ao produto, circulou durante a realização da II Salão do Aço Inoxidável, promovido, na ocasião, pela Acesita e pela promotora de feiras Lemos Britto.
Com os caracteres gráficos típicos daquela época, a revista traz um “Editorial” baseado na frase de Soren Kierkegaard um pensador dinamarquês, que encontrou tempo ainda para ser teólogo, poeta, crítico social e autor religioso, considerado o primeiro filósofo existencialista, que viveu entre 1813 e 1855. A frase é: “O Homem que se recusa a arriscar, perde a própria identidade.” Por mais paradoxal que possa parecer, em 1999, quando criamos a revista Siderurgia Brasil, fomos movidos pelo mesmo espírito. Tenho uma frase que costumo sempre dizer: “Quem quer resolver o problema, acha uma solução. Quem não quer acha uma desculpa.”
Naquele editorial de 1987, exaltava-se a importância da siderúrgica nacional, que produzia, na época, algo em torno de 20 milhões de toneladas de aço por ano, o que a posicionava como a oitava maior indústria siderúrgica na escala mundial, fato que, há tempos, fazia com que o mercado reclamasse por uma publicação específica, a fim de dar o devido respaldo econômico, social e político que a atividade merecia. O texto ainda mencionava os vários problemas que o setor atravessava, entre os quais o problema da excessiva tutela do governo, uma vez que as siderúrgicas de aços planos eram estatais e, entre as siderúrgicas de aços não planos, figuravam algumas usinas na mesma situação. Sim, naquele momento já existiam as usinas privadas de aços não planos. E a própria revista iniciou uma campanha sugerindo à Siderbras a conclusão da licitação de uma das siderúrgicas para a qual já havia sido feito um edital de pré-qualificação dos interessados, mas, após recebidas as propostas iniciais, não havia nenhum resultado ou continuidade de ação para a venda daquelas unidades. Veja abaixo o Editorial Exclusivo da publicação.
 
Nas páginas da revista, chamou-nos particularmente atenção a questão da política de preços praticada pelo setor naquele ano. No artigo intitulado “Política de Preços”, à página 24 da revista, é destacado o fato de que os empresários liderados pelo Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS) – nos dias de hoje transformado em Instituto Aço Brasil (IABr) –, juntamente com a Associação das Siderúrgicas Privadas (ASP) – entidade que, posteriormente, viria a se juntar ao IBS - , mantiveram audiência oficial com o então ministro Bresser Pereira, para reivindicar um reajuste de 34% no preço do aço. Lembramos que naquela época os preços eram controlados pelo governo e a determinação dos reajustes deles partia das instâncias superiores.  (NE: Leia o artigo na sua integra no quadro ao lado).
 
As estatísticas da época
Destacamos ainda nessa publicação os números do setor, entre os quais chamamos a atenção para um dado impressionante, relacionado aos dados de produção mundial da época. No ano de 1986, o Brasil produzira 21,2 milhões de toneladas de aço (líquido), enquanto a China, no mesmo período, produzira 51,2 milhões de toneladas. Trazida para os dias atuais, essa estatística revela uma realidade acachapante: em 2016, segundo dados oficiais da WorldSteel Association, o Brasil produziu 33,256 milhões de toneladas de aço, enquanto que a China produziu 803,825 milhões de toneladas.
Não tenho conhecimento de como se comportou a trajetória daquela revista. Mas continuo acreditando e lutando para que a introdução daquele “Editorial” de 1987 continue se tornando realidade, pois o setor merece uma publicação de peso, lacuna que tentamos preencher com a publicação da nossa Revista Siderurgia Brasil.
 
*HENRIQUE PÁTRIA é editor-chefe e jornalista da Revista Siderurgia Brasil.