Ciafal – Novo conceito em usina integrada
Siderurgia Brasil — Edição 52
Com corridas curtas, para produzir pequenos volumes, a usina integrada da Ciafal permite um atendimento rápido e flexível à demanda de aços comuns e especiais.
Quando Wilson Santos fundou a Ciafal – Comércio e Indústria de Artefatos de Ferro e Aço Ltda., em agosto de 1962, na região central da cidade de Divinópolis (MG), seu objetivo inicial era trabalhar na comercialização e industrialização de ferro e aço, a partir de 1976, a empresa investiu na construção de sua atual sede industrial, localizada no Centro Industrial Jovelino Rabelo, em Divinópolis, que começou a funcionar em 1979, produzindo 800 toneladas por mês. Com seu controle acionário nas mãos da família de seu já falecido fundador, a Ciafal desenvolve atualmente um intenso processo de profissionalização de sua estrutura administrativa e operacional. “Nossa empresa cresceu de forma intensa na última década, aumentando seu portfolio de produtos aprimorando a logística de entregas e ampliando o número de clientes. Há cerca de quatro anos, criamos o conceito de micromill, que é uma usina integrada (a partir de minério), com capacidade de até 300 mil ton/ano, com alto-forno e uma aciaria AOD, capaz de produzir aços carbono e especiais, ou ligados, inclusive aço inox”, explica Eduardo Santos, filho de Wilson Santos e atual diretor presidente da Ciafal. Segundo seu diretor, o conceito da micromill é ainda uma novidade no mercado brasileiro e se caracteriza pela produção integrada de pequenos lotes de aço. “No passado, as usinas integradas produziam vários milhões de toneladas por ano. Nos anos 1990, criou-se o conceito das minimills, que são usinas integradas que processam de 1 a 2 milhões de toneladas por ano. Agora está nascendo um novo conceito, cuja finalidade é oferecer maior flexibilidade e rapidez no atendimento ao mercado. A micromill permite produzir cerca 25 toneladas por corrida”, afirma Paulo Nielsen, diretor comercial da Ciafal. Na usina integrada implantada pela Ciafal, o alto-forno está localizado junto a um forno AOD (sigla em inglês de descarbonetação argônio-oxigênio). O gusa líquido sai do alto-forno e é transferido diretamente para o AOD, que é um processo ideal para a produção de aços especiais, inox e aços carbonos de alta qualidade. Trata-se de um forno de refino secundário, onde se injeta argônio, que é um gás inerte, para fazer a descarbonetação do banho e adiciona-se ferro-ligas em quantidades bem programadas. Segundo Eduardo Santos “nossa micromill tem a vantagem de ser totalmente automatizada, reduzindo os custos de produção”. Após receber o gusa líquido, ela analisa seus componentes e, através de um software, calcula todas as adições que devem ser feitas, o tempo de sopro de argônio necessário e, inclusive, o ângulo da lança. “A necessidade de fazer um ressopro é quase nula – menos do que 1%. O aço resultante é extremamente puro e praticamente isento de contaminações e gases, que é uma grande preocupação de todos os usuários, principalmente as forjarias, que evitam trabalhar com aços com algum tipo de contaminação, como flocos. Neste caso, isso não acontece porque o aço é processado praticamente no vácuo, o que permite obter um alto grau de pureza”, ressalta Paulo Nielsen. “Mas a grande novidade mesmo é a flexibilidade que esse equipamento oferece, possibilitando fazer um aço diferente a cada corrida, o que é atualmente um grande diferencial para o mercado.” A Ciafal também pretende produzir lingotes grandes, com até cerca de 20 toneladas. Com isso, a empresa pretende fornecer lingotes para forjarias de matriz aberta, que é uma das grandes carências do mercado. Para entrar no mercado de aços especiais, a Ciafal fez uma minuciosa prospecção e verificou que muitos dos seus clientes tinham dificuldade de comprar determinados tipos de aços, quer quantidade, quer pela qualidade ou pelos prazos de entregas (muito dilatados). “Nós pretendemos suprir as deficiências do mercado, preenchendo espaços que estão mal atendidos. Nossa estratégia se baseia na seleção de nichos que requeiram as características oferecidas pela Ciafal, que são flexibilidade no atendimento através de corridas pequenas”, diz Paulo Nielsen. “Queremos também oferecer uma alternativa a muita das importações que têm sido feitas, justamente em função destas deficiências. Aliás, a Ciafal está preparada para ser competitiva não só no mercado interno, mas também no mercado internacional, onde inclusive já estamos analisando diversas oportunidades”, completa. A flexibilidade no abastecimento de matéria prima é outra vantagem a ser obtida pela Ciafal com a implantação de sua usina integrada, que pretende continuar se abastecendo normalmente com produtos das principais usinas siderúrgicas do país, utilizando sua própria produção de acordo como complemento e ampliação de sua linha de produto. “Estamos ampliando nossa linha de produtos, não só incluído novas opções de qualidade de aços, mas também ampliando a linha de laminação. Já iniciamos a produção de laminados pesados, como, por exemplo, aços Redondos de 4” a 7” e Barras Quadradas e Chatas acima de 4” em diversos tipos de aços”, afirma Paulo Nielsen. Preocupada com a necessidade de atender aos padrões ambientais definidos pelas diversas legislações – federal, estadual e municipal –, a Ciafal só utiliza carvão vegetal próprio, proveniente de reflorestamento ou devidamente certificados para o abastecimento de sua usina. O aço produzido a partir de carvão vegetal é o mais adequado ambientalmente, pois todo o CO2 liberado (gás do efeito estufa) é recapturado pelas florestas plantadas, muito diferente do carvão mineral que alimenta a grande maioria das demais siderúrgicas integradas e não é mais recapturado. “Nossa planta é também autossuficiente em energia elétrica. Os gases produzidos no alto-forno são utilizados para aquecer uma caldeira, que está acoplada a uma turbina, e esta a um gerador. Isto é outra fonte de redução de CO2, pois normalmente em fornos deste porte, os gases são simplesmente queimados e nós o utilizamos para geração de energia” garante Eduardo Santos. “Outra preocupação que tivemos foi com a destinação de todos os efluentes líquidos e sólidos da usinas, que são tratados dentro dos parâmetros da mais recente legislação ambiental”, completa. Apesar de não ignorar a existência da crise global, o diretor presidente da Ciafal acredita que a melhor forma de enfrentá-la é manter a confiança na pronta recuperação e crescimento da economia nacional. Segundo ele, o mercado se reduziu de uma maneira geral, mas desde o início do ano ele já tem mostrados sinais de reação. “Tivemos uma redução de volume associada a uma redução de preços – tanto para a Ciafal como para todo o mercado –, mas nós estamos nos adaptando a essas condições. Em relação ao primeiro trimestre de 2008, no primeiro trimestre deste ano contabilizamos um volume de vendas levemente menor e praticamente o mesmo faturamento. O que aconteceu, porém, é que, durante todo o ano passado, os negócios cresceram com muita intensidade, mas acabaram caindo de forma muito abrupta no último trimestre”, relata Eduardo Santos. “Eu acredito que o mercado já mostra sinais de recuperação e deverão continuar crescendo ao longo deste ano, principalmente no Brasil, que deve se recuperar antes dos Estados Unidos e da Europa.” www.ciafal.com.br
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