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EVENTOS

Siderurgia Brasil — Edição 79

EVENTO REFLETE A PUJANÇA MINEIRA

A MecMinas confirmou suas expectativas de público e dos negócios que deve gerar nos próximos meses.

Toda a força da indústria metal-mecânica mineira esteve presente na MecMinas 2011 – Feira da Indústria Mecânica de Minas Gerais, realizada no período de 8 a 11 de novembro, no pavilhão Expominas, em Belo Horizonte. Considerada uma das maiores feiras do segmento em todo o país, a 9ª edição da MecMinas foi marcada por um clima de boas expectativas de negócios a partir dos contatos feitos nos estandes das 105 empresas expositoras, que mostraram seus equipamentos, produtos, serviços, inovações e tecnologias a 15.420 visitante nacionais e estrangeiros.
A 10ª edição da MecMinas será realizada no período de 6 a 9 de novembro de 2012, no mesmo local.
www.mecminas2011.com.br


CALENDÁRIO DE EVENTOS 2012

Feira      Data      Local
Automec Pesados:  10 a 14/04/2012 São Paulo-SP
Mecânica:  22 a 26/05/2012 São Paulo-SP
Congresso do Aço:  26 a 28/06/2012 São Paulo-SP
Mec Show: 24 a 27/07/2012 Serra-ES
Construmetal:  14 a 16/08/2012 São Paulo-SP
Metalurgia: 18 a 21/08/2012 Joinville-SC
Rio Industrial:  22 a 25/08/2012 Rio de Janeiro-RJ
Expomac: 26 a 29/09/2012 Curitiba-PR
Santos Offshore: 16 a 19/10/2012 Santos-SP
Feinox: 23 a 25/10/2012 São Paulo-SP
Mercopar: Outubro Caxias do Sul-RS
Mec Minas: 06 a 09/11/2012 Belo Horizonte-MG


CONGRESSO DA ASSOCIAÇÃO LATINOAMERICANA DO AÇO (ALACERO) ANALISOU A SITUAÇÃO DO AÇO MUNDIAL

Palestrantes discutiram estratégias industriais, comércio internacional e sustentabilidade.

Marina Teixeira de Mello

Durante os dias 14 e 15 de novembro, o hotel Windsor Barra, no Rio de Janeiro, fervilhou com a presença de mais de novecentos congressistas, de 42 países, representando 370 empresas ligadas à siderurgia e setores afins. Contando com o apoio do Instituto Aço Brasil, o Congresso Latinoamericano de Siderurgia, em sua 52ª edição, foi promovido pelo Ilafa (Instituto Latinoamericano de Ferro e Aço), que mudou de nome e agora passa a se chamar Alacero (Associação Latinoamericana do Aço). Foi um evento para ficar na história. Por todo canto ouviam-se conversas animadas, em várias línguas. Empresários trocavam ideias e cartões, articulavam negócios e contatos. Os estandes se esmeravam na recepção. No saguão podia-se admirar algumas peças da mostra Esculturas em aço, com dez artistas brasileiros, que estrearia em seguida no Centro Cultural Banco do Brasil. O enorme salão de convenções ficou lotado durante toda a maratona de painéis em que especialistas internacionais explanaram sua visão sobre os problemas, desafios, conquistas e perspectivas da siderurgia, na América Latina e no mundo. Ao todo, quatro grandes painéis enfocaram questões como sustentabilidade, estratégias industriais, economia e o mercado mundial do aço.
Foi o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, quem abriu formalmente o congresso. O ministro falou sobre a mudança significativa do padrão industrial que está em curso, detonada pelo aparecimento da China, comandando os países asiáticos e com uma capacidade de competição que nenhum país consegue acompanhar. Apontou a crise econômica que se abateu sobre os Estados Unidos e a União Europeia, e que reflete o esgotamento do modelo conhecido até o século passado. A novidade histórica, segundo ele, é a necessidade de entrosamento, de integração entre os países e suas cadeias produtivas. “Integração é a palavra chave, e não é utopia”, afirmou. “É o que temos que fazer na América Latina. Não temos outra arma.”
No debate que se seguiu à apresentação, Marco Polo de Melo Lopes, presidente do Instituto Aço Brasil, questionou o ministro Fernando Pimentel quanto aos altos impostos que no Brasil, agravados pela guerra fiscal entre os estados, torna impossível a competição. O ministro concordou que o câmbio comandado pelo dólar e a valorização das moedas locais são um entrave, um fator desagregador, e provocam enorme desequilíbrio nas indústrias. Mas garantiu que, pela primeira vez, o Brasil apresentou uma tese para a Organização Mundial do Comércio, que será debatida a longo prazo, sobre a legitimidade do dumping comercial no caso de os países precisarem se defender do efeito cambial. O ministro assegurou que o governo brasileiro tomou a si aprovar, até o final do ano, a regularização das leis tributárias, para pôr fim à guerra fiscal. Ficam aqui registradas as promessas.
Sustentabilidade foi o tema do primeiro painel, iniciado por Mathew Govier, executivo principal da Accenture São Paulo (Brasil). Com base em uma pesquisa feita pelo World Business Council sobre demanda e consumo, ele apontou a necessidade de se repensar o uso dos recursos para encontrar um ponto de equilíbrio para o mundo. Enfocou as barreiras existentes, as estratégias e motivações para que as empresas alcancem o objetivo. O palestrante seguinte, Martin Woertier, sócio principal e gerente do The Boston Consulting Group (Alemanha) e Doutor em Engenharia, ressaltou a importância do aço e os esforços que vêm sendo feitos pelo setor siderúrgico, em diversos países, com novas tecnologias para redução de energia e das emissões de dióxido de carbono, e reciclagem dos materiais. A relação homem e natureza foi o tema da terceira palestra, a cargo do arquiteto e urbanista Newton Massafumi Yamato, sócio diretor da Gesto Ambiental Arquitetura e Urbanismo (Brasil). Ele reafirmou a urgência de se criar uma nova relação entre o meio ambiente, os processos produtivos e a ocupação territorial – e apresentou vários projetos em que utiliza estruturas de aço, que permitem um canteiro de obras limpo.
O segundo painel enfocou as estratégias industriais em nível global e dos principais países latino-americanos: Brasil e México. Ernesto Cervera, diretor geral do Grupo de Economistas e Associados (CEA, México) analisou a desendustrialização no México nos últimos dez anos, inibida por fatores como falta de informação e de estratégia, a reticência e a mentalidade de não mudar a política. Os setores manufaturados cresceram assustadoramente, com trabalhadores mal pagos, mas o PIB da cadeia metal-mecânica ficou estagnado. O economista acredita que há espaço para gerar uma política de desenvolvimento, mas no momento o governo não facilita as mudanças.
Falando sobre o Brasil, José Augusto Coelho Fernandes, diretor executivo da Confederação Nacional da Indústria (CNI, Brasil) afirmou que nos últimos oito a nove anos passou a existir uma linha de continuidade na política industrial, com a criação dos programas PITCE (Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior), PDP (Política de Desenvolvimento Produtivo) e o Plano Brasil Maior. Mas os resultados ainda são limitados. Houve muitas perdas da indústria, diminuição do PIB, queda de mercados e aumento das importações. Vários fatores impedem a competitividade, como os tributos, salários, custo da energia, juros exorbitantes, valorização cambial, falta de infraestrutura e logística. “O Brasil precisa de ações mais visíveis, de uma governança de estratégias e transformações estruturais”, resumiu.
Fechou o painel Dani Rodrik, professor de Economia e Política Internacional na Universidade de Harvard (EUA). Discorrendo sobre a situação econômica e industrial no mundo, ele declarou que estamos em um momento histórico. A crise se abateu sobre os países ricos (EUA, União européia), e a América Latina se recupera das suas próprias crises. A China é um fenômeno que gerou mudanças fundamentais, e os países asiáticos puxam a África, que começa a crescer. “O centro do poder econômico do passado mudou para os países em desenvolvimento”, acentuou. A industrialização seria a chave para o crescimento, e o elemento mais importante é o desenvolvimento dos manufaturados, inclusive na siderurgia. O economista acredita que tempos instáveis e difíceis vêm aí, e concluiu: “Vocês são felizes por viverem em um país da América Latina, e não nos Estados Unidos ou Europa”.
O terceiro painel, sobre Economia Mundial, contou com um único palestrante: o economista indiano Raghuram Rajan, que foi conselheiro do primeiro-ministro da Índia, economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), e leciona na Yale University (EUA). Ele analisou os fatores de impacto que pesam sobre a economia e apontou como o mais importante a situação europeia. Há um grande arrocho fiscal, o crescimento é negativo, os bancos estão assustados, há o problema da dívida soberana. A Alemanha é que está pagando e arcando com tudo, à custa de sofrimento para o país. Até quando? Os políticos se preocupam em manter a Europa unida, mas o público não comprou ainda a ideia da união. Quanto aos Estados Unidos, são muito mais fortes do que se imaginava, diz, e começam a se reerguer. Um segmento da população passou a gastar mais em produtos de luxo, mas a área da habitação ainda não se recuperou, e as empresas estão investindo em novas tecnologias para melhorar a sua produção. Se não ocorrerem reformas nas políticas fiscais, os cortes serão extremamente dolorosos. Mas há esperanças, pois os EUA ainda são o mercado mais rico do mundo.
Já a China, vem vindo muito bem, mas começa a se preocupar em mudar o seu modo de crescer, diz Raguram Rajan. Houve uma enorme expansão em curto prazo, e dívidas mal paradas. O país criou recentemente empréstimos e benefícios fiscais para a habitação, cujo setor começa a cair. Há muitos apartamentos vazios. Essa queda pode se refletir na produção de aço, que também fica ameaçada pela diminuição das construções. A China vai mudar o governo, e está tentando se gerenciar para manter o crescimento em 7% para os próximos cinco anos. Mas vai ter que mudar. O governo tem que estar aberto para empréstimos às famílias, vai ter que se voltar para o crescimento interno e a economia doméstica. Para os países em desenvolvimento, como o Brasil e a Índia, o economista não vê ameaça, a não ser que ocorra uma catástrofe na Europa. O crescimento deve continuar, mesmo que menor.
O quarto e último painel, sobre o mercado mundial do aço, contou com vários palestrantes que enfocaram a situação dos países do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China). André Gerdau Johannpeter falou sobre o Brasil na cadeia do aço. Observou que estamos em uma situação positiva, já que nosso país tomou medidas recessivas e teve uma queda menor do que outros, mas nosso consumo per capita continua baixo e há excesso de capacidade instalada. Os grandes desafios a vencer são os sempre citados: o real valorizado, as importações diretas e indiretas, a guerra fiscal, a carga tributária, o aumento dos custos das matérias-primas, sem o repasse de preços. Em resumo: o setor continuará capacitado para atender plenamente ao mercado interno; há projetos em pauta, mas sua implementação dependerá da evolução da competitividade do país. Fica a pergunta: “Com que aço vai ser construído o Brasil? Aço nosso ou importado?”.
Chris Holden, consultor principal da unidade de negócios Acero CRU (Reino Unido), discorreu sobre as tendências positivas na Índia, onde houve um crescimento de produtividade, aumento na renda e poder de compra da classe média, que representa 30% da população do país. Há uma previsão de crescimento três vezes maior na economia e indústria nos próximos quinze anos, com imigrantes chegando, taxas de urbanização e a classe pobre saindo para a média. Para acelerar o crescimento há uma nova política de regulamentação de negócios, com ênfase no setor do aço. O mercado automotivo cresceu muito, e grandes empresas estão se estabelecendo no país. Há muito minério, o que vai diminuir o excesso de importação. Investimentos de um trilhão de dólares estão destinados à construção nas áreas urbana e rural. Os custos trabalhistas são muito mais baixos do que na China, porém faltam investimentos na educação, o que prejudica a produtividade. “Há um longo caminho a percorrer, mas a situação da Índia é satisfatória”, avalia.
Apresentando-se a seguir, Barry Naughton, professor de economia na China e na Universidade da Califórnia (EUA), brincou: “É divertido falar sobre a China, o bode dentro do apartamento.” A China é um país em transformação. Depois do crescimento avassalador, o país está entrando num ritmo soft landing, de mais austeridade na política econômica. Percebe-se uma diminuição gradual de crescimento e pela primeira vez, em outubro, houve redução em pedidos de exportação para níveis mais sustentáveis. Os investimentos não podem crescer indefinidamente. Há uma demanda de salário; os trabalhadores não qualificados estão crescendo mais do que os qualificados. O professor acredita que a China vai crescer um pouco até 2015, mas depois iniciará um longo declínio. A indústria do aço deve chegar ao pico em 2012, depois também começará a diminuir. “Não dá para fazer previsões, mas nota-se um grande conflito entre os planos passados e o que está ocorrendo. Ninguém vai dizer que as políticas do governo estão erradas, mas algumas vozes estão aparecendo.” Investimentos serão feitos na próxima década nas indústrias emergentes – energia, biotecnologia, alta tecnologia nas maquinarias, novos materiais, carros elétricos. Os antigos líderes estão se aposentando, e os novos, que chegarão no outono de 2012, têm interesse em que a China siga um novo caminho.”
Impossibilitado de comparecer em pessoa, o professor Stephen Fortescue, da Universidade Nacional da Austrália, utilizou a teleconferência para falar sobre a política russa, sua especialidade. Em detalhes, explicou o domínio dos oligarcas sobre o país, cujas reservas de minério de ferro e carvão são imensas. A queda da União Soviética foi catastrófica para a demanda doméstica até os anos 90, e seria ainda pior se as exportações não tivessem aumentado. Mas nada abalou os oligarcas, e a expansão começou em 2000. O setor sofreu com as crises mundiais, e seu desempenho está duvidoso em 2011, porém melhor do que há dois anos. “A Rússia sobrevive porque são produtores de baixo custo, com infraestrutura sólida, salários baixos e controle sobre os insumos. Os oligarcas têm sido uma força para as empresas, têm participação ativa e mais possibilidades de atuar no mercado externo”, analisa. Em contrapartida, as reformas são feitas com cautela, inclusive na siderurgia. A Rússia mantém a sua cultura e falha na participação global, preferindo fazer dinheiro em casa. Os oligarcas estão envelhecendo, mas, mesmo que mudanças aconteçam na próxima década, vão permanecer no controle, com erros e acertos.
O encerramento do congresso esteve a cargo de Raúl Gutierréz Muguerza, que passa a suceder a Daniel Novegil na presidência da Alacero. Ressaltando a importância das palestras apresentadas, reafirmou o preocupante processo de desindustrialização da América Latina. A Alacero considera fundamental estabelecer uma agenda institucional com os governos, afirmou, para reverter esse processo, que atinge os principais produtores de aço, e de unir esforços para a recuperação dos setores industriais afetados pela entrada de produtos importados da China.
Encerrada a intensa jornada de conferências e debates, os congressistas foram recebidos em uma grande festa, no belo palacete da Ilha Fiscal. Um ótimo momento de confraternização. Ficou para todos o convite para o Congresso Alacero 53, que será no Chile, em 2012.