Controle preciso da transmissão de potência
Siderurgia Brasil — Edição 64
O Grupo Bonfiglioli investe em sua filial brasileira para atender de forma direta aos seus clientes globais e de olho na demanda dos setores de energia renovável.
Quando Clementino Bonfiglioli fundou a Bonfiglioli Riduttori, em 1956, na cidade de Bolonha, seu objetivo imediato era atender à demanda de peças de reposição e de componentes de precisão para máquinas agrícolas e motocicletas, que naquela época apresentava um grande crescimento naquela região da Itália. Provavelmente, ele não imaginava que, cinco décadas depois, ele estaria à frente de um grupo com filiais em países tão distantes como Índia, China, Vietnam e Brasil. Nesse período, a linha de produtos da Bonfiglioli se ampliou constantemente e hoje a empresa oferece soluções específicas para a integração de sistemas mecânicos, hidráulicos e eletrônicos para unidades de geração de energia e para aplicações móveis e industriais. “Apesar de ter 10 filiais produtivas de 14 filiais comerciais em todo o mundo, o grupo Bonfiglioli continua sendo uma empresa familiar, que segue um típico modelo europeu e que pode ser definida como uma empresa multinacional de pequeno a médio porte”, afirma Manfredi Ucelli di Nemi, diretor executivo da Bonfiglioli do Brasil, a mais nova filial internacional do Grupo. Depois de abrir filiais produtivas e comerciais na Índia, em 1999, e na China, em 2004, a filial do Brasil é o terceiro projeto implantado nos países ditos emergentes. “Hoje, depois da crise da economia internacional, todas as grandes empresas multinacionais estão de olho nos países emergentes, mas o interesse da família Bonfiglioli no Brasil começou em 2006. Foi nesse ano que eu cheguei aqui com a missão de conhecer a realidade do país, para entender melhor as suas necessidades no que se refere aos produtos oferecidos por nossa empresa”, explica Di Nemi. “O Grupo Bonfiglioli é hoje uma empresa com um grande foco no mercado internacional, que percebe que o mundo está mudando rapidamente e sabe que seus clientes, que geralmente são empresas globais, precisam contar com a assistência direta e imediata da Bonfiglioli onde estiverem.” A filial brasileira da Bonfiglioli começou a ser montada no final de 2008 e sua sede, localizada no município de São Bernardo do Campo (SP), foi inaugurada em outubro de 2009. A unidade foi criada para atender à demanda do mercado brasileiro e para supervisionar os mercados da América do Sul, distribuindo inicialmente os produtos fornecidos pela matriz e demais unidades de produção. “Nossa presença no Brasil é, por enquanto, mais comercial do que produtiva, com o objetivo de ficar mais perto dos nossos clientes globais e desenvolver clientes locais. De imediato, estamos estruturando uma unidade produtiva para a montagem final dos produtos elaborados na matriz nas demais unidades produtivas. Posteriormente, vamos avaliar a possibilidade de passar a produzir localmente equipamentos de grande porte, cuja entrega costuma ser mais complicada”, explica Di Nemi. “Atualmente, nossa estrutura é ainda centralizada, mas contamos com um parceiro comercial no Sul do país, sediado em Curitiba. Fora do Brasil, trabalhamos com distribuidores B.E.S.T., que têm condições de fazer montagens locais. Nós realizamos a coordenação desses distribuidores que se abastecem no Brasil ou na matriz.”
Duas unidades de negócios Dada a complexidade dos mercados que atende, o Grupo Bonfiglioli é formado hoje por duas unidades de negócios bem definidas: IPV (Industry & Photovoltaic), voltado a aplicações industriais e à automação, e MWS (Mobile & Wind Power Solutions), dedicado a aplicações móveis e à energia eólica. A unidade IPV fornece redutores de velocidade, variadores mecânicos, motores elétricos, inversores de frequência e servoacionamentos, e seus acessórios; a unidade MWS oferece redutores para equipamentos móveis para construção civil e agroindustrial, como escavadeiras, plantadeiras e colheitadeiras, e equipamentos de produção de energia eólica. “A Bonfiglioli tem um forte foco estratégico nos produtos para energia renovável, como a eólica, a fotovoltaica e a biomassa, que devem ter um forte crescimento nos países emergentes. No caso da energia eólica, por exemplo, nós já temos 30% do mercado mundial de redutores para orientação e controle de potência desse tipo de turbinas. Esses redutores são produzidos na Itália e na Índia, e é provável que, no médio prazo, também sejam produzidos na China. Da mesma forma, os investimentos no Brasil também vão depender da resposta do mercado”, detalha o diretor executivo da Bonfiglioli do Brasil. “No passado, a Bonfiglioli tinha uma visão mais voltada a centralizar a produção, utilizando alta automação para atingir uma economia de escala e maior competitividade, mas essa visão está mudando. Hoje, nossa empresa já percebeu que cada país tem suas peculiaridades, que pode ser um grande potencial de mercado próprio ou uma plataforma regional competitiva.” Segundo Di Nemi, a filial brasileira, cuja participação no faturamento global do Grupo Bonfiglioli é ainda muito reduzida, tem recebido um grande suporte da matriz, mas as expectativas em relação ao mercado nacional são muito grandes. Além de atender os seus clientes globais, atualmente a Bonfiglioli do Brasil está participando de alguns projetos na área de fertilizante (Bunge, Fosfértil e Petrobras) e mineração (Usiminas, Casa de Pedra e Vale do Rio Doce). “Para o futuro, o Brasil oferece oportunidades em alguns mercados que ainda são novos para a empresa, como o de mineração, que é integrado com o de siderurgia, e os de energia renovável, eólico, hidrelétrico, sucroalcooleiro, e obviamente, o de petróleo e gás. De olho nesses mercados, estamos empenhados em detectar quais serão as demandas de produtos específicos de grande porte.” A implantação da Bonfiglioli do Brasil é o resultado de uma parceria do Grupo Bonfiglioli com a família Salviato, que já distribuía os produtos da empresa italiana no Brasil. Desse modo, a diretoria da Bonfiglioli é composta por vários membros dessa família, como Cristiane Salviato Marson, que exerce o cargo de supervisora de Marketing, Importação e Exportação. “Estruturar a Bonfiglioli do Brasil tem sido uma experiência pessoal muito interessante. Em 2009, recrutamos profissionais com larga experiência. Além disso, também temos investido na formação interna, ensinando aos novos funcionários as diretrizes sobre gerenciamento do sistema da qualidade da Bonfiglioli. Nós temos uma grande preocupação em relação à metodologia de trabalho, que consideramos um fator muito importante para a obtenção de bons resultados”, completa Manfredi Ucelli di Nemi. www.bonfigliolidobrasil.com.br
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