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Uma entidade em busca da eficiência

Siderurgia Brasil — Edição 64

O atual presidente, Carlos Jorge Loureiro, fala de sua experiência e de todas as fases que já viveu no Inda.

No primeiro momento de sua existência, o Inda não foi muito bem entendido pela comunidade da siderurgia, pois muita gente considerava os distribuidores meros atravessadores, cuja única preocupação era “ganhar dinheiro encarecendo o aço”. O que realmente aconteceu foi que o Inda foi criado para que um grupo de empresas de expressão, como J. Torquato, Pinheiro Guimarães, Salgueiro, entre outras, tivesse voz ativa nas suas negociações com as usinas e com o governo, que havia criado o Consider como seu braço político para disciplinar o setor. Com o passar dos primeiros anos, a entidade ficou mais forte e conseguiu provar sua importância, demonstrando que, para as usinas, era economicamente inviável armazenar o aço e, depois, se preocupar com a distribuição de pequenos lotes. Este deve ser o papel do distribuidor. Depois de provar sua importância, o Inda passou a ser muito mais respeitado e se tornou o porta-voz da distribuição.
Na própria entidade havia também questões a serem resolvidas, pois alguns associados levavam problemas de ordem particular, como negociações, liberação de lotes ou problemas financeiros, para que o Inda interferisse por eles junto às usinas ou ao governo. “No entanto, ainda que fosse um início de atividade, nossos estatutos sempre deixaram muito claro que a entidade deveria cuidar de interesses da categoria como um todo, abdicando de problemas de ordem particular, que não eram o nosso foco”, ressalta Carlos Jorge Loureiro. Em vários momentos surgiram dificuldades de relacionamento entre as partes envolvidas, porque, segundo Loureiro, “nem sempre o que é bom para um também é bom para o outro”. Havia discordâncias, que eram levadas à discussão do grupo e, na maioria das vezes, encontradas soluções conciliatórias, que satisfaziam a todas as partes. “Principalmente quando as usinas siderúrgicas ainda eram estatais, era grande a dificuldade para alocar a parte da produção destinada à distribuição de forma equilibrada entre todos os participantes. E aqueles que se achavam prejudicados, naturalmente reclamavam”, recorda Loureiro.
Como um fato folclórico, ele lembra a época das máquinas paradas. Explicando melhor: uma das alternativas encontradas pelas usinas para determinar se o distribuidor podia receber bobinas era ele provar que tinha equipamentos suficientes para manipular e processar o aço. Houve empresas que partiram para investimentos em máquinas que nunca vieram a funcionar, mas que constavam no ativo das distribuidoras e, portanto, garantiam lotes maiores e em forma de bobinas. Atualmente, mesmo com a entrada das usinas na distribuição através de aquisição ou fusão com as principais distribuidoras, que hoje foram transformados em “centros processadores de aço”, a importância do Inda não diminuiu. Houve uma ligeira alteração na sua forma de atuar, mas sua importância hoje é até maior do que no passado. Aliás, diz Loureiro: “a chegada das usinas na distribuição acabou dando maior credibilidade ao setor, pois apesar de serem empresas em que os produtores detém o controle, têm normalmente gerenciamento autônomo e ajudam a interagir com as usinas para equilibrar de forma mais racional os aspectos de oferta e demanda do aço”.
Com a criação do Sindisider em 1989, os distribuidores passaram a ter um braço político muito interessante. A constituição de 1988 facultou as entidades que representavam interesses de determinados grupos econômicos a terem a sua própria orientação no que diz respeito não só às negociações trabalhistas como a outros aspectos de caráter fiscal e tributário, por exemplo. Por outro lado, sendo o Sindisider um órgão agregador de todos os envolvidos com produtos siderúrgicos, uma grande massa de empresas que comercializam outros tipos de aços – ressalte-se que inicialmente o Inda só tratava de aços planos – veio dar mais força à entidade.
Hoje o Inda está empenhado em criar também uma organização social de interesse público (OSIP) ligada ao aço, para dar maior amplidão à divulgação do aço em todos os níveis. Existem incentivos fiscais neste campo que poderão beneficiar todos os associados. O Inda também cumpre um papel dos mais importantes para as empresas associadas. Com o passar dos anos, a entidade que agora completa seus 40 anos, aperfeiçoou seus mecanismos de coleta e tabulação de informações, o que lhe permite antecipar-se às tendências e aos ciclos de mercado. Desta forma, o associado tem a informação e pode fazer o melhor uso dela. Mas, nem sempre a informação recebida é a que mais agrada. Loureiro completa afirmando que “às vezes é preferível uma realidade cruel ao desconhecimento piedoso”.

As tendências do mercado
Na opinião de Loureiro, os números antes divulgados, afirmando que, em 2010, os associados do Inda estariam trabalhando com um crescimento de cerca de 20% sobre o ano passado, devem passar por uma reavaliação para maior. Loureiro crê que esse crescimento deve se situar entre 25% e 30%, pois todos os dias surgem surpresas nos resultados tabulados. Verifica-se uma grande evolução no mercado de material cortado, o que faz com os processadores de aço trabalhem a todo vapor. Os grandes consumidores de aço continuam sendo a indústria de bens de capital, a construção civil – agora impulsionada pelos grandes eventos que irão aumentar a demanda do aço e que todos conhecem –, a indústria automobilística e de autopeças, a linha branca e a revenda picada.
Quanto à questão da importação de aço, Loureiro mostra-se preocupado. Ele acreditava que o ápice tinha sido atingido, com cerca de 600 mil toneladas de aço entrando no mercado doméstico, no mês de abril e maio, mas ele apurou que ainda existe muito aço nos portos à espera de nacionalização, o que deve fazer com que nos meses de junho e julho ainda haja grandes volumes de aço importado entrando no Brasil. Esses volumes altos fazem com que o consumo aparente brasileiro esteja muito acima do consumo real, apesar do seu excelente crescimento. O resultado desse desbalanceamento é o aumento rápido dos estoques, que passaram de 2,1 meses de venda em março para 2,7 em abril e 3,2 em maio, devendo alcançar 3,6 em julho.
Quanto à questão da isenção de impostos, Loureiro crê que tal atitude viria a piorar o quadro interno, pois, com a entrada de mais aço, as usinas nacionais não teriam como manter níveis de rentabilidade satisfatórios e deixariam de investir na modernização de seu parque produtivo, o que automaticamente complicaria todo o quadro. Tal assunto deve passar por estudos mais profundos antes de se adotar uma atitude precipitada. Com respeito à questão dos preços às usinas no mercado interno, por um lado, elas estão muito pressionadas, pois, com os constantes aumentos nos preços do minério de ferro, do carvão e energia, não há como manter os preços nos níveis atuais sem sacrificar a rentabilidade. Ainda assim, elas estão preocupadas com toda a situação de excesso de oferta mundial e a chegada permanente de novos lotes de material. O distribuidor se vê obrigado a analisar o atual momento com muita frieza, pois, se sua decisão não for a mais correta, ele pode ficar fora do mercado e comprometer a sua rentabilidade.
Finalizando, Loureiro confirma que o estoque dos distribuidores passou de 1 milhão de toneladas, o que representa 3,2 meses de suprimento, quando o ideal é 2,5 meses. “As próximas cartadas”, prevê Loureiro, “serão fundamentais, pois, apesar de o mercado estar muito aquecido, existem ofertas tentadoras em grande profusão. Isto faz com que os estoques fiquem muito altos e aumentem ainda mais a disputa e a concorrência entre os distribuidores”.