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Inda – Quatro décadas norteando a distribuição

Siderurgia Brasil — Edição 64

O Inda comemora 40 anos de intensa atuação em defesa dos interesses comerciais das empresas distribuidoras e processadoras de aço.

Consider, Siderbras Diretrizes Básicas, Resoluções do Consider, entre outros, são hoje conceitos arcaicos, que passaram para a história da siderurgia nacional, mas muito comuns há quatro décadas, quando o desenvolvimento da economia brasileira era dirigido desde os gabinetes de Brasília. O Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda), uma instituição não governamental sem fins lucrativos, foi fundada nesse ambiente, em 23 de julho de 1970, com a missão de representar os distribuidores de aço nacionais em sua relação com os três grandes produtores estatais de aço: CSN, Usiminas e Cosipa. De lá para cá, o escopo de suas atividades mudou radicalmente, acompanhando as grandes mudanças ocorridas em toda a economia e na indústria siderúrgica em particular. Nesses 40 anos de história, tanto a economia do Brasil quanto a siderurgia nacional amadureceram e se tornaram extremamente complexos e – apesar de tudo – mais competitivos, como cabe num mundo cada vez mais globalizado, que decretou a definitiva obsolescência das economias centralizadas.
No ambiente de economia dirigida pela ditadura militar que governava o Brasil, um grupo de empresários filiados à Associação dos Comerciantes de Aço, em São Paulo, juntamente com associações congêneres do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, decidiu criar o Inda, com o objetivo de representar esse segmento nas negociações com os órgãos da área econômica do governo. Naquela época, as diversas associações regionais existentes no país precisaram ser integradas para a criação de uma entidade com abrangência nacional. O Inda foi então criado utilizando como base as associações de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, estados onde se localizavam os principais centros distribuidores de aço do país. Seu principal objetivo era promover o uso consciente do aço, tanto no mercado interno quanto externo, aumentando com isso a competitividade do setor de distribuição e do sistema siderúrgico brasileiro como um todo.
O surgimento de um interlocutor único – o Inda – foi bem recebido pelo governo, que naquela época tinha criado o Conselho de Siderurgia e Não Ferrosos (Consider), um órgão dentro do Ministério da Indústria e Comércio, cujo objetivo era disciplinar o setor siderúrgico, principalmente a produção das usinas de aços planos. Como o país tinha feito grandes investimentos na siderurgia, surgiu também a preocupação para que o aço produzido no país fosse bem distribuído, o que condicionou a criação de um comitê dentro do Consider para regulamentar a distribuição. Formado por representantes das usinas, do comércio, do ministério e do Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS), esse comitê produziu a Instrução Consider nº 3, que regulamentava a distribuição de aço.

Interesses comuns
Dentro do Inda, uma das primeiras medidas adotadas foi a elaboração de um processo de eleição, em que o vice-presidente de uma gestão era o candidato natural ao cargo de presidente da gestão seguinte, o que impedia a possibilidade de reeleição. Ao mesmo tempo, essa norma garantia a continuidade dos trabalhos em andamento, já que normalmente o vice-presidente era uma pessoa de confiança do presidente. A adoção dessa medida foi facilitada pelo fato de existir um relacionamento extremamente cordial e um clima de união entre os associados do Inda, que decorria da existência de interesses comuns. Esse clima, no entanto, não significava a inexistência de posicionamentos opostos, mas facilitava sobremaneira a busca de soluções de consenso.
O cargo de presidente da entidade implicava – e continua implicando – sacrifícios para quem o exercia, já que eventualmente ele precisava defender os interesses coletivos, deixando de lado seu interesse pessoal. E não era raro os presidentes adotarem posturas contrárias aos seus próprios interesses.
Outro detalhe importante é o fato de todos os diretores e conselheiros do Inda não utilizarem os recursos da entidade para participarem de eventos, como reuniões em ministérios ou com as usinas ou em outras associações em outros estados. Com o intuito de ajudar o fortalecimento da entidade, naquele momento, criou-se a tradição de cada membro bancar essas despesas com seus próprios custos.
As negociações em Brasília eram muito comuns e, nessas ocasiões, a união e participação dos associados foram de fundamental importância para obter ante as usinas soluções de consenso mais favoráveis ao setor de distribuição. O Inda foi chamado e participou das diversas Câmaras Setoriais que envolviam os interesses dos setor siderúrgico nacional.
Entre as grandes conquistas do Inda, destaca-se a definição da rede em centros de distribuição, que realizavam a comercialização mais simples, e os centros de serviços, que faziam o processamento do aço. Para justificar os preços da distribuição, foi feito um estudo na área econômica, que demonstrava que o preço a ser praticado pelos distribuidores deveria ser maior que os das usinas, em função dos serviços de transporte, beneficiamento, estocagem e de financiamento do consumidor que eles prestavam. Esse estudo resultou num trabalho denominado Custo de Posse, elaborado pelo professor Hélio de Paula Leite, que era um dos titulares da cadeira de Economia da Fundação Getúlio Vargas, então contratado para a assessoria econômica do Inda, o qual demonstrava quais eram os custos relativos a esses serviços.
A ideia de agregar valor à distribuição foi encampada pelo Inda, o que levou à criação de centros de serviços, um conceito até então inexistente, mas que começou a se disseminar pelo Brasil, que implica a adoção de serviços de corte, relaminação, trefilação, elaboração de curvas, entre outros.

Constante evolução
A vocação inicial do Inda, de representante do setor de distribuição nas negociações com o governo, sofreu uma mudança contínua em seus 40 anos de existência. Hoje, dentro de um contexto totalmente distinto de seus primórdios, caracterizado por uma economia aberta e globalizada, tendo como interlocutores uma rede ainda maior de usinas, todas elas privatizadas, o Inda desempenha o papel de “instituto de inteligência”, de centro disseminador de informações para a rede de distribuição e para toda a cadeia siderúrgica nacional.
O desenvolvimento de estudos estatísticos estratégicos e a produção de conhecimento técnico específico são algumas das ferramentas que o Instituto utiliza para oferecer informações a seus associados e ao mercado de uma maneira geral, sempre tendo em vista promover o crescimento da cadeia produtiva do aço. Esses estudos tiveram início com a entrada do professor Hélio de Paula Leite como assessor econômico do Inda, no início da década de 1980. Sua primeira tarefa foi a criação de uma bolsa do aço, em que as associadas conseguiam agilizar a comercialização de seus estoques. Depois, ele passou a se dedicar mais diretamente à assessoria econômica do Instituto, elaborando estudos econômicos e financeiros para a rede de distribuidores. Esses trabalhos foram de extrema importância para melhorar a imagem do Inda como interlocutor nas negociações com o governo e os demais elos da cadeia siderúrgica.
O Inda passou ainda por um intenso programa de realização de eventos, na década de 1990, quando patrocinou a realização de inúmeros cursos, reuniões de discussão de grupos específicos, como oxicortadores, aços não planos etc. e, principalmente, congressos nacionais e internacionais, com feiras empresariais agregadas, onde conseguiu reunir representantes de todo o Brasil e da América do Sul. Chegaram a ser realizadas viagens internacionais de vários diretores do Inda e do já criado Sindisider para visitar organizações congêneres na Argentina, Chile, Uruguai e Paraguai, ocasião em que foi criado o IDAM – Instituto dos Distribuidores do Aço na América Latina. Devido, porém, às diferenças de procedimentos nos vários países, esta ideia não prosperou.
Quanto à sua localização, o Inda sempre esteve sediado na cidade de São Paulo. Seu escritório inicial esteve localizado na atual av. Brigadeiro Faria Lima, passando depois para a sua primeira sede própria localizada no bairro de Pinheiros, onde permaneceu por mais de vinte anos, e atualmente sua sede está localizada em modernas e amplas instalações na Rua Silva Bueno, no bairro paulistano do Ipiranga.
O atual posicionamento do Inda está caminhando em duas direções. Na primeira, ele continua sendo o grande norteador das empresas distribuidoras e dos centros de serviços de aço. Sua apresentação se tornou diferente do seu escopo inicial, pois hoje a própria rede de distribuição é composta em grande parte por empresas coligadas às usinas produtoras e que, portanto, têm interesses comerciais específicos de suas controladoras. Ainda assim, ele mantém inalterada sua proposta inicial, de realizar um trabalho intenso de levantamento de informação sobre compras, vendas e estoques, que acabam direta ou indiretamente influindo nos preceitos básicos da comercialização.
Outra função que o Inda atualmente desempenha é definição de estratégias e de conhecimentos técnicos específicos, além de ter-se aprofundado no campo da responsabilidade social das empresas, inclusive com a criação de prêmios específicos, que são distribuídos anualmente às melhores iniciativas das empresas com vistas a estimular o desenvolvimento humano e social de seus colaboradores.