Editorial - Champanhe ou chá de erva-cidreira
Siderurgia Brasil — Edição 79
O ano está terminando e estamos diante de várias incertezas em relação a 2012. Aparentemente, o Brasil está conseguindo passar pela segunda grande crise econômica mundial em menos de cinco anos com mais tranquilidade do que nos países consolidados e tradicionais, como Grécia, Itália, Espanha, para não dizer a maioria dos integrantes da Zona do Euro, além dos Estados Unidos, que não têm conseguido recuperar-se e já dá mostras de que o seu fôlego não é mais o mesmo de outrora. Ainda persistem muitas desconfianças com relação a aspectos políticos, e somos muito dependentes de exportação de produtos primários como minérios e commodities agrícolas que compõem a maioria de nossa pauta. Podemos esperar flutuações do dólar, da inflação e de juros que são ferramentas utilizadas para dar equilíbrio às tempestades que estão sendo anunciadas. A indústria siderúrgica, por exemplo, não tem muito o que comemorar pois, agora na última reunião do ano, promovida pelo Instituto Aço Brasil, foi diagnosticado que a produção será 11,7% inferior ao que foi previsto, algo como 35,26 milhões de toneladas, perante quase 40 milhões projetadas. Também foi muito comentada com preocupação a chegada de aços indiretos, ou seja, já em forma de peças ou de produtos prontos como máquinas, veículos e produtos de consumo final. Isso vem reforçar a tese debatida em várias edições de nossa revista ao longo do ano, sobre o processo de “desindustrialização acelerada” por que passa nosso país. Outros indicativos que reforçam esta situação são os balancetes das grandes usinas nos trimestres já encerrados. Os números confirmam a retração econômica por que passa a siderurgia nacional. Os distribuidores e processadores de aço, por sua vez, reclamam do aumento de participação das usinas em seu mercado, pois, em outubro, ainda permaneciam com estoques acima de um milhão de toneladas, o que influi diretamente na redução de margens de comercialização. Em breve enquete feita junto a vários empresários, constatamos que a maioria está pedindo tempo para responder qual é a sua expectativa em relação a 2012. Mesmo considerando os bons números da economia interna, não dá para dissociar a situação da falta de estabilidade em relação ao mundo. Em nossa edição de dezembro, como tradicionalmente ocorre, apresentamos uma grande retrospectiva do ano, com destaque para os principais assuntos que foram abordados nas diversas edições. Você terá oportunidade de ver uma sinopse dos principais acontecimentos e rememorar os bons e maus momentos de 2011. Atendendo a um convite, a revista Siderurgia Brasil esteve na sede da Trumpf, na Alemanha, uma das mais tradicionais produtoras mundiais de equipamentos para cortes e solda a laser, para comemorar seu aniversário e, junto com representantes da imprensa de todo o mundo, conhecer as novidades da empresa para o setor. Destacamos ainda nesta edição um artigo elaborado por um dos vice-presidentes da Fiesp, que chega a ser um desabafo, no qual ele abomina com todas as letras o processo de corrupção que parece não ter fim no Brasil. Por último, sentimo-nos honrados em conviver durante todo este ano que está se encerrando e desejamos a nossos leitores um Natal com muita paz e esperança, e que o ano de 2012 seja intenso e com muitas realizações a serem comemoradas. Até o ano que vem!
Henrique Isliker Pátria Editor Responsável
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